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entrevista

Barreiro – Zé do Ò professor da Escola Álvaro Velho
A nossa missão é dar projectos de vida aos alunos

Barreiro – Zé do Ò professor da Escola Álvaro Velho<br>
A nossa missão é dar projectos de vida aos alunos<br>
. Única escola no país com Certificado de Escola Segura

Zé do Ó, em conversa com jornal «Rostos» salienta que a escola não deve ficar apenas pela transmissão dos programas escolares – “não devemos ficar pelo ensino aos alunos, é muito importante o nosso trabalho de ligação à comunidade educativa e à comunidade local”.

José do Ó, natural de Silves, no ano 1976 começou a dar aulas de Trabalhos Manuais, na Escola Preparatória Álvaro Velho.
No último dia que leccionou, este ano, 30 de Outubro, marcámos um encontro no Bar da Escola Álvaro Velho, e, por lá estivemos a recordar episódios que fazem uma vida.
Nesse dia deu a sua última aula, nestes tempos de pandemia, com as presenças possíveis, devido às restrições impostas pela COVID.
“Não estava à espera. O convite foi feito pela Direção do Agrupamento. Foi um momento gratificante que agradeço profundamente. Nem eu nem os alunos contivemos as lágrimas. A minha última aula foi para partilhar com, os que ali estiveram no auditório, a história da minha vida”, refere Zé do Ó.

Motivar alunos para integração na vida profissional

José do Ó, nesta fase da sua actividade profissional era um dos professores do CEF – Curso de Educação e Formação, que lecciona desde 2006. É um Curso Profissional, integrado na escola para motivar alunos na aprendizagem e integração numa vida profissional. É um trabalho de proximidade aos alunos, que visa ajudá-los a crescer e aprender a traçar objectivos de vida, com abertura ao mundo do trabalho. O estágio final é sempre numa empresa. “Para alguns alunos participar neste curso foi um sucesso e ficou como uma marca para a vida deles, e, para a minha, essa a razão das lágrimas na hora do adeus”, comenta.

O que fazemos agora, vamos colher no futuro

“A nossa missão é dar projectos de vida a estes alunos, para puderem seguir em frente e fazerem escolhas. Nesta aula final eu disse aos meus alunos: nunca desistam, porque o que fazemos agora, será o que vamos colher no futuro. Aos meus colegas, disse-lhes: a minha paixão pelo ensino e pela Escola Álvaro Velho, reside naquilo que ela significa para mim - são os maiores tesouros da minha vida. A vida é um projecto que nós vamos contruindo, é o resultado das escolhas, todas as escolhas que vamos fazendo ao longo da vida. Esta foi a minha escolha.”.

Da rua a campeões do Algarve

José de Brito Batista do Ó, natural de Silves, onde nasceu em 1955, a terra onde cresceu, onde jogou futebol nas ruas, o espaço de aprendizagem e onde se forjam laços de amizade.
Na nossa conversa recorda a criação do «Clube Pirata» - “eramos onze jogadores, que depois nove foram para os juvenis do Silves e ganhávamos tudo, conquistamos o título de vice-campeões distritais, depois de termos sido campeões do Barlavento, numa final com o Olhanense. Ainda hoje recordo o penalti que falhamos, e, por isso, perdemos no S. Luis em Faro”.

Fomos vigiados pela PIDE

Na Sociedade Filarmónica Silvenses integrou o Grupo o FOCITE - Grupo de Fotografia, Cinema e Teatro. Entrou na peça «Auto da Vida e Morte», de António Aleixo.
“No final dos espectáculos existia um período de debate para conversarmos com o público sobre a peça. Isso era muito progressista para aquele tempo, antes do 25 de Abril. Fomos vigiados pela PIDE”, sublinha.

Aos 23 anos estava efectivo.

Depois de concluir o ensino até aos complementares, nos dias da revolução de Abril, em Silves, posteriormente frequentou o Instituto Industrial.
A sua actividade profissional, na carreira de professor, teve inicio em S. Bartolomeu de Messines. A Matemática foi sempre a sua paixão, juntava o útil ao agradável e dava explicações.
Num concurso nacional de estágios foi colocado na disciplina de Trabalhos Manuais, na Escola Preparatória Álvaro Velho. Aos 23 anos estava efectivo.
Recorda os tempos que cada turma tinha 30 alunos, que o horário de cada professor era de 22 horas lectivas, que tinha cinco turmas. Foram milhares de alunos com partilhou a sua vida.

O sonho não realizado de comprar um «Citroen boca de sapo»

O «professor Zé do Ó», como todos o conhecem sublinha que acompanhou todas as mudanças, “adaptei-me sempre”, e, refere “muitas vezes nem me apercebi, recorda que na sua vida profissional, teve ruas regras que sempre cumpriu – “assiduidade e pontualidade”.
Foram 44 anos a leccionar. A trabalhar continuou o seu percurso nos estudos e concluiu no Instituto Superior Técnico o Curso de Engenharia Civil.
Outro sonho que recorda, era que gostava de ter comprado um «Citroen boca de sapo», - “havia um na minha rua, em Silves, e sempre quis ter um, não comprei porque saiu do mercado. Foi um sonho”, refere.

Única escola no país com Certificado de Escola Segura

Foi o dinamizador de projectos inovadores na sua escola, nomeadamente na área da Protecção Civil, na qual conjuntamente com Carlos Dias, elaboraram o Plano de Prevenção e Emergência, em ligação com o Serviço Municipal de Protecção Civil.
“Foi um projecto de escola, com um modelo próprio. Promovemos simulacros, acções de formação e a Semana de Protecção Civil e de Prevenção Rodoviária. Somos a única escola no concelho, no distrito e no país, que recebeu um Certificado de Escola Segura, no âmbito da Protecção Civil”, refere.

Não devemos ficar pelo ensino aos alunos

Zé do Ó, salienta que ao longo da sua vida profissional sempre teve como perspectiva que a escola não deve ficar apenas pela transmissão dos programas escolares – “não devemos ficar pelo ensino aos alunos, é muito importante o nosso trabalho de ligação à comunidade educativa e à comunidade local”.
Recorda várias iniciativas, entre elas a poesia que foi o mote de um projecto de ligação da escola à familia e à comunidade – “o concurso de poesia foi feito vários anos envolvendo muitos alunos”.

Marcha de Alerta sobre o aquecimento global

E, a fechar a nossa conversa, não podia ser esquecida a «Marcha de Alerta sobre o aquecimento global» - “mesmo num dia de chuva, com os alunos a correr para a escola no final do percurso, com uma enorme participação da população do Lavradio, enchemos a Avenida J.J. Fernandes numa acção, inesquecível de alerta para os problemas do ambiente, ainda não se falava tanto como hoje nas alterações climáticas. Um dia que não se esquece, foi muito bonito”.
Pois, Zé do Ó, a vida é feita de escolhas, e de coisas que fazemos. Elas são a nossa memória do futuro e a alegria de dar um pequeno contributo para mudar e melhorar o mundo.
Foi uma conversa agradável, de troca de opiniões, de vivências comuns, sim, eu também estive nessa linda marcha de alerta sobre o aquecimento global, e, foi belo, ver alunos, professores, pessoal auxiliar, pais, avós e filho, numa acção de excelência...dando um colorido verde de esperança ao mundo.

S.P.

26.11.2020 - 18:05

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