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entrevista

Barreiro – Rosto do Ano 2019 na área Político
Rui Lopo - «Há um esvaziamento politico da Assembleia Municipal»

Barreiro – Rosto do Ano 2019 na área Político<br />
Rui Lopo - «Há um esvaziamento politico da Assembleia Municipal»<br />
. Politica local continua mais agarrada aos fait divers


“Penso que é necessário dar um salto no nível da discussão politica e ser dinamizada a discussão politica frontal e aberta.
É necessário que a sociedade barreirense discuta ideias e não se deixar iludir”, sublinhou Rui Lopo, numa conversa com o jornal Rostos.

O «Rosto do Ano 2019» na área Politica» foi atribuido a Rui Lopo, Vereador da Câmara Municipal do Barreiro, eleito pela CDU.
Como temos vindo a referenciar, este ano, devido à pandemia não vamos realizar a cerimónia de entrega das distinções «Rostos do Ano», por essa razão, vamos continuar a proceder à entrega individual dos Diplomas.

Politica local continua mais agarrada aos fait divers

Após a entrega do Diploma a Rui Lopo, o rosto politico, mantivemos uma conversa sobre a cidade, sobre a vida politica local e qual a visão de um politico sobre a forma como, nos dias de hoje, se faz politica.
“Infelizmente vejo que a politica local continua mais agarrada aos fait divers, a criar factos politicos artificiais, isso, muito mais que discutir ideias que nos afectam, mesmo de curto prazo, caso de situações de desemprego, as pessoas que no concelho estão a viver dificuldades, e, no que diz respeito a ideias de médio e longo prazo. Isso nem se fala.
Digo, é com preocupação que vejo que a politica local se reduz à criação de factos politicos, em vez de criarem condições para que se possam debater as diferenças, discutir opiniões, trabalhar-se para a construção da vida local, confrontando ideias”.

Dar um salto no nível da discussão politica

“Penso que é necessário dar um salto no nível da discussão politica e ser dinamizada a discussão politica frontal e aberta.
É necessário que a sociedade barreirense discuta ideias e não se deixar iludir”, sublinhou Rui Lopo
O autarca referiu a sua preocupação por a imprensa viver “amarrada à publicidade”, e, não ser “uma imprensa livre”, na sua opinião – “o dinheiro está a pagar noticias, isto é muito mau”.
Recordou o que aconteceu em Portugal devido á promiscuidade entre a banca e os interesses politicos e situações como a privatização da Portugal Telecom.

O confronto politico era elevado, hoje são situações de ofensas

“O Barreiro foi sempre uma terra com forte intervenção politica, intervenção marcada por ideologia, com opiniões e confronto de opiniões, com debates duros de ideias, mas era debates francos e abertos.
No Barreiro era muito elevado o debate de ideias e o confronto politico. Hoje assiste-se a situações de ofensas, confrontos bélicos, que são muito diferentes de confrontos duros.”, sublinhou Rui Lopo.

As pessoas consomem o que se fala sobre a cidade

Na sua opinião, não existe desmotivação da população para participar na discussão da vida do concelho, o que se regista é “comodismo” e “consumismo”, porque não se motiva o debate de ideias.
As pessoas consomem o que se fala sobre a cidade, ficam pela leitura dos cabeçalhos de noticias, ou pela fotografia, e optam por esse consumismo, optam por deixar de pensar – “só agem quando se sentem incomodadas”.
“É isto que conduz ao alheamento. É complicado. O consumismo abre espaço a raciocínios simplificados”, refere.
Rui Lopo, recorda que na Assembleia Municipal do Barreiro, nos últimos 20 anos atrás, por exemplo, era significante o debate politico na Assembleia Municipal do Barreiro, era forte o debate de ideias, sentia-se a participação na vida politica da cidade.
Os eleitos eram pessoas conhecidas e actuantes na vida da cidade, hoje, de uma forma geral não são conhecidos.

Há um esvaziamento politico da Assembleia Municipal

“Há um esvaziamento politico da Assembleia Municipal do Barreiro. O Partido Socialista, que é a força maioritária, tem uma intervenção acritica. No tempo da maioria CDU podia ter, também, um posição acritica, mas a sua intervenção tinha dimensão politica. O PSD teve e continua a ter intervenção politica. O Bloco de Esquerda não tem uma intervenção politica que se possa referenciar. A Assembleia Municipal do Barreiro está refém da personalização da actividade politica”, salienta Rui Lopo.

Decisão da estátua Alfredo da Silva foi por unanimidade

Recordou, por exemplo, o intenso debate politico que foi dinamizado pela Assembleia Municipal do Barreiro, no primeiro mandato de Carlos Humberto, numa Comissão, Coordenada por um eleito do PSD, sobre a estátua de Alfredo da Silva.
Existiam opiniões diferentes. Existiam diversas opções. Discutiu-se com as diferenças politicas. E a decisão que foi tomada, aquela que todos sabemos, após muita discussão, foi assumida por unanimdade. Quando se diz que foi a CDU que tomou a decisão sobre o monumento Alfredo da Silva, isso é não é verdade, a decisão toma sobre a estátua foi participada, bastante participada por uma Comissão presidida por um eleito do PSD.

A acção politica tem por base o imediato

No final da nossa breve conversa, Rui Lopo, sublinhou que os tempos de hoje, pela velocidade que as coisas acontecem e devido às novas tecnologias,- “encurtou a memória” e simultaneamente “aumentou expectativas”.
O discurso do atraso de 40 anos que é uma constante na vida politica local, é um exemplo da forma de fazer politica.
Hoje a acção politica tem por base o imediato, tocar em soluções das vivências do quotidiano, e, isso colam o discurso do atraso dos 40 anos.
O exemplo mais recente é esse que fazem sobre o POLIS, ignorando o que foi feito naquele espaço ao longo de décadas, ignorando que aquilo era um terreno ermo, uma lixeira, com caldeiras degradadas, era esse o estado daquela zona, quando se começou a obra na sua 1º fase do POLIS. Nem respeitam o que ali foi feito na gestão de Emidio Xavier, nem o que foi feito na gestão de Carlos Humberto. Parece que a obra do POLIS se iniciou agora, refere Rui Lopo – “a politica feita assim não é fácil, é mesmo muto complicado”..

Foi uma conversa que mantivemos, ali, sentados junto ao Rio Tejo, no Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. O «Rosto do Ano 2019», da área politica é uma homem merecedor desta distinção, membro do Partido Ecologista «Os Verdes», pode dizer-se, sem dúvida, tema a sua «pégada» politica nas vivências quotidianas do concelho, e, no fazer este Barreiro no começo do seculo XXI.

António Sousa Pereira


07.12.2020 - 13:24

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