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Barreiro - João Pintassilgo, a política é para melhorar a polis
A politica local hoje está excessivamente exacerbada

Barreiro - João Pintassilgo, a política é para melhorar a polis<br />
A politica local hoje está excessivamente exacerbada<br />
. Estamos a substituir redes de águas e saneamento com 60 anos

. Há uma tentativa de explorar dificuldades da pandemia

“A politica local hoje está excessivamente exacerbada, contrariamente ao que alguns possam pensar, ninguém sai favorecido, nessa discussão”, sublinhou João Pintassilgo, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, numa conversa com jornal «Rostos».

João Pintassilgo, Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, recebeu a distinção de «Rosto do Ano» na área «Politico» no ano de 2019, numa conversa com o jornal «Rostos», a propósito da importância da acção politica e o papel da politica na actualidade, começou por referir que “a forma como eu vejo a politica é a justificação para que eu ainda me manter na actividade politica, apesar dela não se desenvolver da forma que eu gostaria que se desenvolvesse”.

Primeiro objectivo da politica melhorar a polis

“A politica é uma actividade que, quem a desenvolve, tem por trás um pensamento, e, os diversos pensamentos, dos diversos politicos, deviam estar dirigidos a favor da polis, para melhorar, corrigir, aquilo que não está bem na nossa sociedade, em diversos níveis, seja em termos sociais, seja em termos ambientais. Esse devia ser o primeiro objectivo da politica”, refere João Pintassilgo.

Há outros interesses que se sobrepõem à politica

“Como sabemos, infelizmente, há outros interesses que se sobrepõem à politica, fundamentalmente interesses económicos. Há por um lado, os interesses económicos legitimos, por outro, há os interesses que não são legitimos, esses, escondem-se muitas vezes, através da legitimidade económica. É isso que baralha as pessoas, s interesses económicos legitimos de fachada para atingir outros objectivos. É, por tudo isto que os politicos, sejam, periodicamente, mal vistos, acabando por ir tudo sempre para o mesmo barco, os maus e os bons politicos.
E, por tudo isto, naturalmente começa-se a generalizar que o politico, à partida, para inicio de conversa, é corrupto, depois logo se vê”, sublinha João Pintassilgo.

Numa outra geração não queria voltar a ser gestor público

No decorrer da conversa recordou como a experiência que viveu quando exerceu o cargo de Administrador da Transtejo, era suficiente para pensar, que se voltasse a viver numa segunda geração, uma coisa que não queria era voltar a ser gestor público.
“O gestor público, no que se diz, de uma forma mais restrita que o politico, até prova em contrário é um corrupto. Um gestor público tem que estar sistematicamente a provar que não é corrupto, que não retira proveitos ilegitimos, que, apenas, desenvolve a sua actividade numa perspectiva de gestão, e com o sentido de melhorar a instituição sobre a qual tem responsabilidades”, refere.

Há actividades numa Câmara que devem ser geridas como empresa

“Uma autarquia que não sendo uma empresa, tem que ser gerida como uma empresa. Sei que há quem considere ser uma malfeitoria dizer que se gere uma Câmara como uma empresa, claro que é preciso distinguir, uma Câmara não é uma empresa, mas, no meu ponto de vista, há actividades desenvolvidas numa Câmara que têm que ser vistas como quem gere uma empresa.
Naturalmente, na autarquia tem que se complementar esta perspectiva, e, é preciso ter uma perspectiva de âmbito social muito superior a qualquer empresa. Mesmo que uma empresa tenha em conta o seu papel social, numa autarquia essa dimensão, naturalmente, tem que ser considerada com muito maior peso. Reconheço isso.
Por outro lado, numa empresa uma Administração é nomeada pelo accionista, no caso de uma empresa pública, é nomeada pelo Estado, no caso de uma Câmara quem lá está a gerir, são eleitos pela população. A diferença dos votos, por diferentes eleitos, é o que faz a diferença.”, sublinha o Vice Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.

Há sempre muito trabalho por fazer e nunca se irá concluir

Vamos conversando e a propósito da forma como se vive a vida politica local, João Pintassilgo, expressou o seu incomodo pela forma como são analisados os assuntos em reuniões de Câmara, com discussões que se desviam para discussões partidárias e, desta forma, afastam-se das questões fundamentais.
“O fundamental era todos contribuirem dentro do possivel para melhoria das condições de vida da população, e, dentro do possivel significa também aqueles que queiram contribuir, procurando as melhores soluções, corrigindo o que há a corrigir, porque, nunca se concluirá o que há por fazer, porque há sempre muito trabalho por fazer e nunca se irá concluir”, sublinhou.

Há objectivos que são para mais que um mandato

“Considero que há objectivos que são para mais que um mandato. Por exemplo, o trabalho que está sendo desenvolvido, sobre o corredor ecológico do Rio Coina, este é um trabalho que vai, naturalmente, dar para mais este mandato e vai dar para mais que um mandato. É por isso que há objectivos que se considero isso, são para mais de um mandato”, salientou.

Há uma tentativa de explorar dificuldades da pandemia

Como vive a politica no seu dia-a-dia, como a sente? – perguntámos.
“Por vezes sinto-me incomodado. Por exemplo, com esta questão da pandemia, sinto-me incomodado, sistematicamente há uma tentativa de explorar dificuldades, que, existem em qualquer país, em qualquer estado, numa situação destas. Isso, em concreto, não ajuda nada a defender a população.
Querem saber pormenores para os quais não é possível dar resposta. Em que dia acaba a pandemia, e quantas vacinas vão chegar, e quando acaba a vacinação, fazem-se muitas perguntas idiotas e irresponsáveis.
É irresponsável fazer essas perguntas, porque são perguntas que não podem ter respostas concretas.
Incomoda-me que, todos os dias, perante a pandemia o que se faz é explorar fragilidades. Que infelizmente existem, aqui e em todos os países, porque ninguém estava à espera desta pandemia.
Incomoda-me, porque há em torno desta matéria um aproveitamento politico, que é feito no mau sentido, no meu ponto de vista”, refere João Pintassilgo.

O futuro não pode ignorar o dia-a-dia

Como interpreta o populismo emergente, um pouco por todo o mundo? - interrogámos
“O populismo é a fuga fácil de alguém que se quer armar em D. Sebastião, apanhando os descontentamentos da população, essas, por vezes, que existem e, até, com alguma responsabilidade dos politicos, ou das forças politicas, que vão governando os estados, que, não dão respostas a coisas simples, fáceis de resolver, porque andam distraídos com grandes coisas.
Há o futuro. Toda a gente procura melhorar o futuro do país, do Barreiro, de Lisboa, mas, o futuro não pode ignorar o dia-a-dia, os problemas dos habitantes que estão cá, e para os quais há necessidade de melhorar as condições de vida, melhorar o dia-a-dia das pessoas.
O futuro há-de vir, e vem, e fazem-se obras que terão o seu impacto, não no imediato, mas à distância. Isto é futuro.
Entretanto, aparece alguém que diz: é possível fazer mais e melhor. Obviamente, quem é, quem é que não acha isso, isso é uma verdade de ‘la palice’.
É isso o populismo, quando se procura explorar problemas do mundo, aqueles que são pouco discutidos, como a questão do racismo, são pouco assumidos, e, portanto, com facilidade alguém explora, por vezes, até, explorando pequenos lapsos de linguagem. É essa a forma que têm de viver a democracia.
Portanto, como costumo dizer, Portugal está na adolescência da democracia, se compararmos com outros países da Europa, por isso, ainda vão ter que passar duas gerações, relativamente às pessoas que viveram o antes do 25 de Abril, e, sem esquecer essa data, não podemos estar sempre a olhar para trás.”

Usa mal quem usa as redes socias na difamação

Sente-se incomodado com as Redes Socias? – perguntámos
“Incomodam. As Redes Sociais são uma tecnologia que entregou nas mãos, de quem não merece, uma ferramenta demasiado poderosa. Digo, não merece, porque a explora no pior sentido.
As Redes Sociais são boas, através delas descobri pessoas que não via há muito tempo, encontrei essas pessoas para trocar conversas. Isso é bom.
Agora, aquele uso da Rede Social utlizada para difamar, por vezes com falsos perfis, usando difamações que podem, até, levar as riscos e consequências muito graves. Isso é uma lacuna grave das redes socias.
Usa mal, quem usa as redes socias na zona da difamação, isso é mau. Sim, sei que existem politicos que fazem isso, mas isso, são aqueles politicos cujo discurso não corresponde à prática.
As Redes Sociais são uma coisa com que temos que conviver nos dias de hoje, e, passa por cada um de nós, alimentar, ou não, essa sua parte negativa.
Já desisti de fazer comentários, porque atrás de um comentário surge sempre outro tipo de conversa. Já cortei amigos no facebook, por virem para a minha página dizer mal de pessoas, usando os seus nomes.
Nas redes sociais limito-me a partilhar, noticias e coisas de interesse. E, como disse, é raro, ou não faço comentários.”


Como olha para a vida politca local nos dias de hoje?
“A politica local hoje está excessivamente exacerbada, contrariamente ao que alguns possam pensar, ninguém sai favorecido, nessa discussão.
E, no meio dessa discussão toda, por vezes, não passam as mensagens essenciais, daquilo que pode interessar à população, daquilo que se pensa fazer, do que se está a fazer e para que serve, isto é má comunicação.
Admito que por vezes há erros. Por exemplo, acho que errei na comunicação que devia ser feita em torno de uma obra importante, no caso de Sete Portais, assumo esse erro, que se devia ter informado e dado informação previamente à população.
Assumi em sessão de Câmara essa responsabilidade. Hoje não há razões para se continuar a insistir sobre o assunto, mas alguém insiste, mas, esse alguém insistiria sempre, mesmo depois de esclarecidas as dúvidas.
O erro foi não termos informado devidamente as pessoas. Houve uma precipitação em função do calendário das obras”, referiu.

Estamos a substituir redes de águas e saneamento com 60 anos

“Numa Câmara, qualquer obra, por muito boa que seja, temos que avaliar os seus impactos e a percepção que as pessoas vão ter sobre essa obra, neste caso, este foi o erro.
Eu, gostava de deixar uma marca do trabalho realizado ao longo deste mandato, tal como deixei noutros mandatos, que exerci anteriormente.
Uma das marcas, deste mandato é o que tem sido concretizado na mudança de redes de águas e saneamento. Estamos a substituir redes com 60 anos. Isso é muito importante para o futuro do Barreiro. É uma marca.”

S.P.

25.02.2021 - 00:41

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