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Cris Anima – um projecto de prestação de serviços de animação
Cristina dá com o coração, em troca quer receber para ter pão.

Cris Anima – um projecto de prestação de serviços de animação<br />
Cristina dá com o coração, em troca quer receber para ter pão.<br />
“Não tenho direito a nada. Preciso viver, Preciso comer. Umas pessoas trabalham para pagar as despesas. Eu quero trabalhar e trabalho para comer”, refere Cristina Gaboleiro.
Foi perante a adversidade que tomou a decisão de dinamizar um projecto, uma opção de criação de uma ideia que poderá vir a transformar-se numa empresa de “troca de bens e serviços”.

Telefonou-nos com aquela voz de sotaque alentejano. Gostava de divulgar o seu projecto no jornal «Rostos».
Marcamos encontro na redacção. E conversámos. Numa tarde de Novembro. Descobrimos o seu calor humano. A sua energia criadora. A sua vontade de lutar e não baixar os braços.

Realizar os seu projecto de vida – a animação sócio cultural

Seu nome, Cristina Gaboleiro, 39 anos, natural de Évora, vive em Azeitão, concelho de Setúbal, Licenciada na área de Animação Sócio Cultural, pela escola Piaget, em Almada, formação que iniciou na Escola Profissional Bento Jesus Caraça, em Setúbal, foi estagiária e exerceu a sua actividade ao nível profissional nos Socorros Mútuos de Setúbal e na Associação Unitária de Pensionistas e Idosos de Azeitão, onde dinamizou diversos projectos de animação sócio- cultural, e descobriu a relação importante que pode existir entre a sua formação académica e a valorização de dinâmicas que estimulem a qualidade de vida da terceira idade. Vivia com intensidade esta sua paixão. Vivia fazendo o que gostava, o seu sonho e projecto de vida, que entrou no seu coração aos 16 anos. Trabalhava, mesmo com baixas remunerações, porque o trabalho dava-lhe o prazer de realizar os seu projecto de vida – a animação sócio cultural.

Perdi tudo mas ganhei uma família

O sonho de ser mãe, a vontade ser mãe, afastou a Cristina da sua vida profissional, e, só quando o seu filho, com 22 meses, lhe permitiu o regresso ao mundo do trabalho, reiniciou a sua actividade.
E quando tudo parecia recomeçar as adversidades bateram à porta a doença do seu marido. E tudo ficou para trás, agarrou com todas as energias a missão de cuidadora de seu marido e de mãe.
Na breve conversa que manteve com o jornal «Rostos», refere que “perdi tudo, perdi o trabalho, mas ganhei uma família”.
“Hoje estamos todos bem”, diz, com um sorriso nos olhos.

Eu quero trabalhar e trabalho para comer

Findos os dias de subsídios de desemprego. Sem trabalho. Recorda os dias difíceis que viveu nos tempos de pandemia do COVID – “fiquei sem nada”, comenta.
“Não tenho direito a nada. Preciso viver, Preciso comer. Umas pessoas trabalham para pagar as despesas. Eu quero trabalhar e trabalho para comer”, refere.
Foi nessa adversidade que tomou a decisão de dinamizar um projecto, uma opção de criação de uma ideia que poderá vir a transformar-se numa empresa de “troca de bens e serviços”.

“Dar o que tenho/ Receber o que não tenho”

«Cris Anima» nasceu, com o lema - “Dar o que tenho/ Receber o que não tenho”.
Cristina presta os seus serviços em troca de «bens essenciais», desde a animação de festas e eventos, promover actividades de dinâmicas de grupo em empresas e instituições, acompanhamento ao médico de idosos ou pessoas com dificuldades de mobilidade, efectua recados de compras e serviços, distribui publicidade, festas de casamentos ou aniversários.
E, este seu projecto está a consolidar-se – “presto os meus serviços, as pessoas carregam o meu – Cartão Dá - para eu poder comprar comida”.
Ao longo do tempo tem vindo a associar diversas empresas ao seu projecto que colaboram em necessidades que lhe são solicitadas, por exemplo – o Enfermeiro em Casa, que conta com a parceria de Francisco Morgado, ou os Meninos de ouro, em projectos de animação.
O seu trabalho é realizado com base numa agenda, com marcações prévias, ou através de telemóvel – 969 224 601 – ou pelo e-mail crisanima1@hotmail.com
Para divulgar o seu prjecto criou um site www.crisanima.pt />
Cristina dá com o coração, em troca quer receber para ter pão.

“Vivo a actividade de animação desde os meus 15 ou 16 anos. É o que gosto de gazer. Faço tudo, não tenho complexos, tudo isto que faço é para dar condições de vida ao meu filho e para comer.”, salienta Cristina Gaboleiro.
Por agora, refere não compensa ter a sua actividade ao nível empresarial, o que recebo fica ao critério de cada um, sinto-me feliz fazendo o que gosto e recebendo o que acham justo para eu e a minha família termos que comer.
O «Cartão Dá»…dá para ajudar a viver, superar as dificuldades, e, sentir o prazer de continuar a realizar o seu sonho de animadora sócio cultural, por todo o lado onde precisem dos seus serviços.
Cristina dá com o coração, em troca quer receber para ter pão.

S.P.

24.11.2021 - 13:23

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