entrevista

Drª Lisete, um nome inscrito na história do Barreiro
«O Alto do Seixalinho está no meu coração»

Drª Lisete, um nome inscrito na história do Barreiro<br />
«O Alto do Seixalinho está no meu coração»<br />
. Faz hoje 62 anos que abriu as postas da Farmácia Santa Marta no Alto do Seixalinho

Maria Lisete Vieira dos Santos Mascarenhas Neto, natural do Barreiro, conta 86 anos, e, mantém uma actividade diária, viva e dinâmica, exercendo a função profissional de Directora da Farmácia Santa Marta, cujas portas abriram precisamente há 62 anos, no dia 23 de Outubro.

Drª Lisete, como por todos carinhosamente é tratada, nos dias de hoje, continua a exercer com a alegria paixão a profissão que abraçou e em torno da qual construiu a sua vida.
Viveu a sua infância na zona da Estação do Barreiro A, frequentou o ensino primário no Instituto dos Ferroviários, frequentou o Liceu de Setúbal até ao 5º ano e depois partiu para Lisboa, onde frequentou o Liceu Maria Amália.
Desde cedo manifestou aos seus pais o seu gosto relacionado com estudos na área da Saúde. Na Faculdade de Lisboa concluiu o Bacheralato de Farmácia, e, para dar continuidade ao seu sonho partiu para o a Universidade do Porto, onde concluiu a Licenciatura.
Terminada a fase de estudos, inicia a sua vida profissional, o Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, foi a sua primeira experiência, num estágio não remunerado. Tinha como seu Director Arnaldo Sampaio, pai de Jorge Sampaio, Presidente da República.

De Santa Maria a Santa Marta

E, um dia, em conversa com o seu namorado, Mascarenhas Neto, com quem casou, tomaram a decisão de abrir uma farmácia, no Barreiro, na zona do Alto do Seixalinho.
No dia de 23 de Outubro de 1962, nasceu a Farmácia Santa Maria, que, por já existir uma farmácia Santa Maria, em Lisboa, seis meses mais tarde, teve que efectuar a alteração do nome – “sabe o nome já estava pintado na montra, então, a decisão foi mudar o “I” em “T”, e, assim, ficou Farmácia de Santa Marta”.

Relações de confiança e amizade

Quando a farmácia abriu as suas portas, a zona do Alto Seixalinho, era zona ainda um território em fase inicial de desenvolvimento urbano, existiam diversos Quintais e habitações de um o piso, locias onde residiam operários da CUF e ferroviários, muitos oriundos do Algarve e Alentejo.
“No começo, estava um pouco desiludida com a localização da farmácia, mas com o tempo as pessoas ligaram-se à farmácia. As pessoas que, ali, viviam eram amigas e muito abertas. Ao longo destes anos, por aqui, na farmácia, já passaram várias gerações, os pais e os filhos, os netos e os avós”, recorda Drª Lisete, com um sorriso de ternura seu olhar.
Refere que, são as pessoas, por vezes, quando se encontram com ela na rua, comentam, o facto de quando chegaram ao Barreiro, não conheciam ninguém e, era, na farmácia, através da Drª Lisete que encontravam o apoio, para efectuar arrendamentos, ou fazer os contratos de electricidade, dado que naquela época para estes actos careciam de um fiador – “estabelecia-se com as pessoas uma relação de muita confiança e amizade”, refere.

Adaptar aos tempos da era digital

Ao longo dos anos a Farmácia Santa Marta afirmou-se na comunidade, ligou-se à população, é, sem dúvida um ícone do Alto do Seixalinho.
Na conversa agradável, que mantivemos com a Drª Lisete, esta transformou-se numa conversa feita de estórias e memórias, recordaram-se pessoas, recordaram-se situações.
Perguntámos: porque razão continua a exercer a sua actividade profissional ?
– “Porque gosto de fazer coisas, porque gosto de puxar pela cabeça, porque gosto de estar actualizada, ainda faço muita coisa no computador”, sublinha, acrescentado que devido aos dias da pandemia, teve que trabalhar a partir de sua residência. Foi uma experiência importantes, que lhe permite, ainda nos dias de hoje exercer trabalho em casa, por via digital.

Uma fã de palavras cruzadas.

Mas, a Drª Lisete, nos seus 86 anos, continua diariamente na farmácia, hoje, mais nos bastidores, afastada do balcão, no entanto, cumprindo um horário, de manhã à tarde, integrando a equipa da farmácia – “nós temos uma boa equipa, uma equipa coesa e com ideias”, comenta.
Mas, para além de tudo isso, não abdica de viver o seu tempo, quotidiano, fazendo coisas que gosta, tais como, ler, cozinhar, e, como nota recorda que, todos os dias faz um exercício mental, pois é uma fã de palavras cruzadas.
Na nossa conversa, a Drª Lisete, afirma-se Católica, sublinhando: “Sinto-me realizada, tenho que agradecer a Deus, ter três filhos e oito netos. Sabe ter fé ajuda.”

Alto do Seixalinho está no meu coração.

“Quando vim para aqui, não vim satisfeita para o Alto do Seixalinho, mas, ao longo dos anos, o que posso dizer é que o Alto do Seixalinho está no meu coração. Aqui, acompanhei três gerações de pessoas com os seus problemas, com as suas vidas, procurei sempre solucionar algumas coisas, dentro das minhas possibilidades, hoje, sou amiga de muita gente e muita gente é minha amiga.
Há pessoas que ficam satisfeitas quando me vêem, abraçam-me e acarinham, sinto que as pessoas gostam de me ver, aqui, na farmácia e conversar comigo.”, refere D. Isilda, sentindo-se a emoção nos seus olhos.

Um legado de três gerações

Aqui fica este registo, hoje, dia 23 de outubro, data que assinala 62 anos da Farmácia Santa Marta.
Uma Farmácia que serviu e serve a população do Alto do Seixalinho. Uma população que ao longo dos anos abraçou a farmácia e sente-a como um legado que está inscrito na vida de três gerações.

António Sousa Pereira

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23.10.2023 - 00:16

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