entrevista

Tânia Soares, Presidente Conselho de Enfermagem Regional
Carência de enfermeiros é problema transversal aos serviços

Tânia Soares, Presidente Conselho de Enfermagem Regional<br />
Carência de enfermeiros é problema transversal aos serviços . Enfermeiros - Portugal continua abaixo da média da OCDE, sendo ultrapassado por países como a Roménia, Lituânia e Malta.

“Há um reconhecimento social generalizado do contributo dos Enfermeiros para a saúde pública”, refere Tânia Soares, Presidente Conselho de Enfermagem Regional, e, sublinha que o Serviço Nacional de Saúde tem um “papel essencial na dignificação da qualidade de vida”,

Tânia Filomena Fragoso Vieira Soares, é Filha de pai Barreirense e mãe alentejana, vive desde que nasceu no Barreiro, tem 45 anos, é Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área do Bloco Operatório. Exerce a sua profissão há 24 anos, 19 deles no Hospital do Barreiro.
Actualmente exerce o cargo do Presidente Conselho de Enfermagem Regional, organismo que dá resposta a 32 646 membros e tem a maior área de abrangência a nível nacional, constituída por sete distritos: Lisboa, Santarém, Setúbal, Portalegre, Beja, Évora e Faro.
Em entrevista ao jornal Rostos, proporciona uma visão sobre as condições de trabalho para exercer a profissão, a sua visão sobre o Serviço Nacional de Saúde e expressa o seu amor à profissão que reconhece continua a ser cativante para as novas gerações.

Certificação individual de competências

Qual o papel do Conselho de Enfermagem Regional na região, e qual é a sua área de abrangência?
“O Conselho de Enfermagem é o órgão regional científico e profissional da Secção Regional do Sul (SRSul) da Ordem dos Enfermeiros (OE), constituído por um presidente e quatro vogais. Dá resposta a 32 646 membros e temos a maior área de abrangência a nível nacional, constituída por sete distritos: Lisboa, Santarém, Setúbal, Portalegre, Beja, Évora e Faro.
As suas competências estão delineadas no Estatuto da Ordem dos Enfermeiros e focam-se na esfera científica, onde o órgão é responsável por contribuir para o progresso e a valorização científica, técnica e cultural dos membros, através da promoção da formação, da investigação e do acompanhamento do processo de certificação individual de competências.
Mas também na esfera profissional, através do acompanhamento do exercício profissional e pelo zelo dos padrões de qualidade dos Cuidados de Enfermagem na área da respetiva secção regional. Os padrões de qualidade são o quadro de referência para o exercício profissional de Enfermagem e estabelecem a padronização da qualidade dos cuidados, que todos os enfermeiros devem respeitar, no exercício da sua profissão.
Estes foram estabelecidos pelo Conselho de Enfermagem Nacional e são os referenciais que apoiam o processo de reflexão, tomada de decisão e desenvolvimento do seu exercício profissional dos enfermeiros, conducente à melhoria contínua dos cuidados prestados à população.
O Conselho de Enfermagem Regional encontra-se em sintonia com as diretrizes nacionais da OE em 2024, trabalhando para o aperfeiçoamento da prática profissional; para promoção dos padrões de excelência na Enfermagem e para a melhoria da qualidade e da segurança dos cuidados de enfermagem.”

Reconhecimento do contributo dos Enfermeiros para a saúde pública

Como caracteriza o exercício da profissão na atualidade?
“Existem três palavras que definem a Enfermagem para mim atualmente: Empenho, Visibilidade, Desafio.
Os enfermeiros enfrentaram recentemente um dos grandes desafios na Saúde Pública, estiveram na linha de frente de uma pandemia, desempenhando um papel crucial na prevenção, deteção e resposta a este tipo eventos. Nomeadamente na criação e colocação em prática de planos de contingência atempados e rapidamente modificáveis; auxílio à organização para superar circunstâncias imprevisíveis e, ao mesmo tempo, identificação de novas oportunidades; a criação de centro de comando centralizados para resposta à COVID-19 a longo prazo; a prestação de cuidados em tempos incertos, em que a dúvida de colocar em risco a sua própria segurança, era uma incógnita; assegurar a estratégia de vacinação garantindo o seu êxito, através da administração e da vigilância de reações adversas, realização do registo eletrónico e respetivos ensinos.
Há um reconhecimento social generalizado do contributo dos Enfermeiros para a saúde pública, com destaque para o papel da Ordem dos Enfermeiros em dar voz à profissão.
No entanto, esta enfrenta diversos desafios que moldam o ambiente de trabalho em diversas áreas, especialmente a insuficiência de enfermeiros nos locais de trabalho, o que compromete a qualidade dos cuidados e a segurança das pessoas doentes, mas também os próprios profissionais. A carência destes profissionais resulta em sobrecarga de trabalho, aumentando o risco de erros e lesões ocupacionais, além de prejudicar a capacidade de fornecer cuidados individualizados e educação ás pessoas que deles necessitam. Para superar este problema é fundamental que os governos e instituições de saúde invistam na formação e recrutamento de mais enfermeiros, mas também colaborem na implementação de políticas que promovam um ambiente de trabalho seguro, incentivador e sustentável, incluindo melhorias salariais e benefícios, condições de trabalho adequadas e apoio emocional.”

Carência de enfermeiros é problema transversal aos serviços

Quais a principais reivindicações que se colocam na vida quotidiana dos profissionais de enfermagem?
“A Ordem dos Enfermeiros tem concentrado esforços no desenvolvimento profissional dos enfermeiros, reconhecendo a procura constante por oportunidades de formação.
Estas oportunidades são oferecidas gratuitamente, tanto em eventos científicos quanto em Webinar. Mas em termos de formação pós-graduada, a OE tem vindo a revindicar junto do governo melhorias das condições, nesse sentido, negociou com o governo a implementação do internato de Enfermagem, visando a obtenção do título de enfermeiro especialista, até aqui assegurado financeiramente por cada enfermeiro.
Esta situação permitiu o reconhecimento do papel crucial destes profissionais na prestação de cuidados no SNS, tendo já sido estabelecido um grupo de trabalho para desenvolver um modelo de internato para a especialização em Enfermagem.
A carência de enfermeiros é um problema transversal aos serviços de saúde, tornando difícil alcançar dotações seguras. Isso significa ter o número adequado de enfermeiros, com qualificações e competências necessárias para garantir a segurança e a qualidade dos cuidados de saúde. A OE estabeleceu normas técnicas para calcular essas dotações, vinculando todos os enfermeiros que exercem a profissão.
Um outro tema muito relevante é a reclamação por redução da carga horária, devido à realização excessiva de turnos extraordinários para cobrir a escassez de profissionais. É amplamente reconhecido que, caso os enfermeiros não realizem turnos extraordinários para compensar a falta destes profissionais, muitos serviços de saúde seriam forçados a fechar suas portas.
A falta de segurança no local de trabalho é outra preocupação, existindo um elevado número de enfermeiros frequentemente expostos à violência. Medidas de proteção, como a presença policial por 24 horas em serviços de urgência e sistemas de vigilância inteligentes, são reivindicadas para garantir a segurança desses profissionais.
Depois existem revindicações que são de caracter sindical, referindo apenas alguns dos temas que merecem reflexão e atenção, como o aumento salarial, a precariedade, o reconhecimento da Enfermagem como profissão de alto risco e de desgaste rápido, a progressão na carreira, a idade de reforma, entre muitos outros.”

SNS papel essencial na dignificação da qualidade de vida

Num tempo que existe uma grande pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde, quer devido ao envelhecimento da população, quer pelas crises como a Pandemia do COVID, ou as dificuldades económicas, como perspetiva o papel do SNS, na dignificação da qualidade de vida das populações?
“O SNS desempenha um papel essencial na dignificação da qualidade de vida das populações, especialmente em tempos de grande pressão. É através da sua existência que se mantém a garantia de acesso universal à saúde, ou seja, independentemente da sua condição socioeconómica, todas as pessoas têm acesso aos cuidados de saúde que necessitam, contribuindo para a dignidade da qualidade de vida das populações, pois ninguém é deixado para trás.
O SNS desempenha um contributo crucial na promoção de hábitos saudáveis e na prevenção de doenças. Incluindo programas de vacinação, rastreios de saúde, campanhas de sensibilização e literacia na saúde. Ao focar na prevenção, o SNS contribui para melhorar a qualidade de vida das populações, reduzindo o impacto das doenças e melhorando a saúde geral.
É também através do SNS, que é possível dar resposta a emergências e crises de saúde, como pandemias. Só assim foi possível uma resposta rápida e eficaz para proteger a saúde pública, nomeadamente, a mobilização de recursos, a coordenação de esforços de saúde pública, a prestação de cuidados de saúde e a disseminação de informações precisas e atualizadas para o público. Uma resposta eficaz do SNS pode salvar vidas e minimizar o impacto negativo na qualidade de vida das populações afetadas.
O SNS tem ainda potencial para oferecer cuidados de saúde integrados, coordenados, e com colaboração interdisciplinar que abordam as necessidades físicas, mentais e sociais das pessoas. O que pode permitir a integração de serviços de saúde mental, cuidados domiciliares, cuidados de longo prazo e apoio social. Ao fornecer uma abordagem holística aos cuidados de saúde, o SNS pode melhorar significativamente a qualidade de vida das populações, especialmente em tempos de dificuldade económica e envelhecimento da população.
Em conclusão, ao garantir acesso universal à saúde, promove-se a saúde pública e responde-se eficazmente a crises de saúde através de cuidados integrados e coordenados. Assim, o SNS pode contribuir significativamente para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar das populações em momentos desafiadores.
5Exercer a profissão de enfermagem, nos dias de hoje, é uma opção vocacional, um sentido de missão comunitária, ou apenas um estatuto?
É importante reconhecer que diferentes enfermeiros podem ter diferentes motivações para entrar na profissão, essas motivações podem evoluir ao longo do tempo e serem estimuladas de maneira diferente em gerações diferentes. Por isso é pertinente reconhecer que as atitudes em relação ao trabalho e à carreira podem ser influenciadas por uma série de fatores, incluindo valores culturais, experiências de vida, contexto socioeconómico e aspirações pessoais.
O interesse pela temática da saúde e a vocação para cuidar são normalmente as motivações mais significativas para muitos enfermeiros, tal como reconhecimento pelos seus próprios valores pessoais, como empatia, compaixão, respeito pela dignidade humana e desejo de ajudar os outros em momentos de vulnerabilidade, procurando uma profissão com um acentuado cariz social. Contudo, esta ênfase pode ser mais proeminente em algumas gerações do que em outras, onde a flexibilidade da profissão pode ser uma das motivações nas gerações mais novas, relacionado com a pouca rigidez em termos de horários de trabalho, permitindo que os profissionais conciliem o trabalho com outras responsabilidades pessoais e familiares.
A possibilidade de explorar diferentes áreas na prática de enfermagem pode atrair os futuros profissionais, permitindo a diversidade de oportunidades de carreira em diferentes áreas de especialização, incluindo cuidados agudos, cuidados críticos, saúde mental, cuidados domiciliares, saúde pública, gestão, formação, investigação.”

Enfermagem - Mantenho o pensamento que ainda é cativante

Optar pela profissão de enfermagem nos tempos atuais é cativante para os jovens?
“Encontrámo-nos em tempos difíceis pelas revindicações do aumento salarial, a precariedade, o reconhecimento da Enfermagem como profissão de alto risco e de desgaste rápido, a progressão na carreira, a idade de reforma. Mas que também existem noutras profissões. Mantenho o pensamento que ainda é cativante, porque é uma profissão que consegue dar resposta a características relevantes para as novas gerações. Uma vez que são gerações com características e expectativas únicas em relação ao trabalho, semelhantes em alguns aspetos, mas cada uma com as suas próprias distinções.
A enfermagem é uma profissão com características que podem dar resposta às exigências desta geração, oferendo propósito, flexibilidade, desenvolvimento profissional, um ambiente de trabalho colaborativo e inclusivo, diversidade e multiculturalidade, tecnologia e inovação.”

Investir em estratégias que apoiem o bem-estar

Como avalia as situações de Burnout que, estudos referem afetam com intensidade os profissionais na área da saúde?
“A síndrome de Burnout é resultante de uma interação complexa entre fatores organizacionais, individuais e sociais, dificultando a capacidade do indivíduo de lidar com o stress laboral e que envolve o aparecimento dos fatores tridimensionais da síndrome: exaustão emocional, despersonalização e ineficácia. Este problema é considerado epidémico e é mais prevalente em certos grupos profissionais, como os profissionais de saúde. Os enfermeiros e outras classes de profissionais de saúde são particularmente vulneráveis, devido ao contato diário com pessoas em sofrimento, relações interpessoais tensas e horários de trabalho desafiadores, como turnos noturnos. Estes fatores contribuem para a sobrecarga física, cognitiva e emocional, tornando o Burnout uma das principais preocupações de saúde mental nesses profissionais (Marôco et al., 2016).
Vários estudos têm explorado essa questão, as suas causas, impactos e possíveis estratégias de mitigação. Contudo são transversais na identificação dos enfermeiros, como os profissionais de saúde mais afetados com esta síndrome. A Health Education Authority classifica a profissão de enfermagem como a quarta profissão mais stressante no setor público. Assim assume-se uma preocupação significativa sobre o desenvolvimento de Burnout na Enfermagem, associado às exigências físicas, emocionais e mentais da profissão.
Borges et al. (2021) no seu estudo comparativo, identifica e compara os níveis de Burnout entre enfermeiros portugueses, espanhóis e brasileiros, identificando aproximadamente 42% dos enfermeiros com níveis moderados/altos de Burnout, não sendo encontradas diferenças entre os países, sugerindo ser um fenómeno global.
O estudo nacional desenvolvido numa parceria entre a universidade Nova, o Instituto Superior Técnico e o Observatório para as Condições de Vida e Trabalho, para a Ordem dos Enfermeiros, onde foi avaliada a evolução da condição da Enfermagem em Portugal e que envolveu mais de sete mil enfermeiros, demonstrou uma “realidade de sobrecarga de trabalho que é transversal a todo o país, sendo identificado 60% dos enfermeiros a trabalhar entre as 40 e as 70 horas por semana (…)” e “o risco que as condições de trabalho representam para a saúde dos profissionais e para o exercício da profissão”, potenciadora de erros (…)”. Os resultados mencionados estão alinhados com os estudos anteriores sobre o Burnout na Enfermagem. A ligação significativa dos enfermeiros à sua profissão é frequentemente citada como um fator importante que os motiva a enfrentar as difíceis condições de trabalho. Esse comprometimento com a profissão pode servir como uma força impulsionadora para superar os desafios e stresses associados aos cuidados prestados.
Os insights fornecidos por esses estudos são cruciais para entender melhor o fenómeno do Burnout na Enfermagem e destacam a urgência de implementar intervenções eficazes para prevenir e reduzir esse problema. Ao promover o bem-estar dos enfermeiros, tais intervenções não beneficiam apenas os próprios enfermeiros, mas também contribuem para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados. Portanto, é essencial continuar a investir em estratégias que apoiem o bem-estar desses profissionais e garantir ambientes de trabalho saudáveis e sustentáveis.”

Enfermagem é uma profissão muito bonita

Como profissional de enfermagem, sente-se feliz pela sua escolha de vida? Ou voltava atrás? Porquê?
“Desde cedo que sempre senti motivação para trabalhar na área da saúde, e ao longo do tempo, as minhas experiências e encontros com diversas situações na prática clínica apenas solidificaram essa decisão. Contudo, só mais tarde é que compreendi de forma racional e emocional, o que era a Enfermagem. Lembro-me perfeitamente do inicio dessa jornada e da existência de vários momentos significativos, desde os primeiros estágios em contexto académico, nomeadamente no Hospital de São José. Até à entrada no concurso público do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, posteriormente o início de funções no bloco operatório, onde permaneci durante 19 anos e agora a possibilidade de integrar a Ordem dos Enfermeiros.
A Enfermagem é uma profissão muito bonita, com a qual admito uma profunda conexão profissional e dedicação. É verdade que é uma profissão exigente, mas ao mesmo tempo incrivelmente gratificante, especialmente para aqueles que têm uma paixão genuína por cuidar dos outros e estão dispostos a investir no seu desenvolvimento contínuo. Cada experiência que tive em contextos e ambientes diferentes parece ter contribuído para fortalecer ainda mais a convicção de que a Enfermagem é a minha vocação, esperando fazer a diferença significativa na vida das pessoas que cuido.
Por isso assumo a minha dedicação e compromisso com a profissão e não voltaria atrás na minha decisão.

Cuidados de Enfermagem se encontram comprometidos

Há falta de profissionais de enfermagem na nossa região?
“O relatório da OCDE e da Comissão Europeia de 2022, mostra que o rácio de Enfermeiros por mil habitantes em Portugal não vai além de 7,3 por mil habitantes, enquanto que a média dos países da UE é de de 8.3 Enfermeiros por mil habitantes.
Num país em que o número de enfermeiros mais do que duplicou nos últimos 20 anos, continua abaixo da média da OCDE, sendo ultrapassado por países como a Roménia, Lituânia e Malta.
Como é possível perceber, os números falam por si e não é diferente na região sul, onde pelas visitas de acompanhamento que a seção regional tem realizado é possível constatar esta realidade. Estas visitas são estratégias delineadas pela OE, de forma a dar resposta ao pedido de escusas de responsabilidade por parte dos profissionais. Estes tem surgido de forma generalizada e associada a questões de dotações abaixo do mínimo exigido, sobrelotação dos serviços, sobrecarga nos enfermeiros, o que significa que a qualidade e segurança dos cuidados de Enfermagem se encontram comprometidos.
Estes pedidos de escusa são pedido de ajuda por parte dos enfermeiros, na tentativa de se fazerem ouvir pelos conselhos de administração e pelos responsáveis políticos. Apesar de tudo, após dialogo com alguns dos diretores de Enfermagem de hospitais públicos, verifica-se que o seu reconhecimento para a contratação de mais enfermeiros, mas que são poucos os que se encontram disponíveis para ingressar no mercado público.
Apesar da existência de várias escolas na contribuição da formação de enfermeiros, existem muitos que optam por emigrar e outros tantos que preferem trabalhar em instituições privadas. É, portanto, um tema que deixo para a classe política refletir, mas que implica um trabalho conjunto sobre os motivos desta problemática.”

IPS é referência na região

O Politécnico de Setúbal, com a sua Escola Superior de Saúde, tem sido um contributo positivo para valorizar a profissão de enfermagem?
“O Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) tem vindo a promover um contributo crucial no desenvolvimento da região, fornecendo educação e formação profissional, realizando pesquisa e inovação, estabelecendo parcerias com a indústria e a comunidade, oferecendo serviços à comunidade e atraindo talentos e investimentos. Essas contribuições ajudam a fortalecer a economia local, a promover o progresso social e cultural e a melhorar a qualidade de vida dos residentes.
O IPS é uma instituição de ensino superior público de referência na região, com polos nas cidades de Setúbal e Barreiro. Tem a possibilidade de oferecer uma ampla gama de cursos e programas de educação superior em diversas áreas, incluindo na saúde, como é o caso da Escola Superior de Saúde. Esta, em conjunto com outras escolas superiores de saúde da região sul, têm um contributo muito importante na valorização da profissão de Enfermagem, por serem um dos grandes responsáveis pela formação de qualidade dos nossos futuros Enfermeiros.”

Enfermagem um papel crucial na recuperação das pessoas

Que notas finais gostaria de acrescentar nesta nossa entrevista?
“A Enfermagem é uma profissão que pode acrescentar valor de diversas maneiras, vários estudos assim o demonstram, um deste destes estudos foi realizado pela Universidade de Antuérpia, Bélgica, onde é estabelecida uma relação direta entre a falta de Enfermeiros e o aumento da mortalidade nos Hospitais.
A enfermagem desempenha um papel crucial na recuperação das pessoas e na redução do tempo de permanência hospitalar, isto porque os enfermeiros oferecem uma vigilância constante e intervenção precoce, identificando problemas de saúde antes que se tornem graves. São os enfermeiros que garantem uma gestão eficaz dos cuidados, intervindo de forma oportuna para acelerar a recuperação. Além disso, educam as pessoas para o autocuidado após a alta hospitalar, reduzindo a possibilidade de readmissões. Os enfermeiros implementam medidas preventivas para evitar o risco de complicações durante a hospitalização, como as quedas, as úlceras por pressão e as infeções hospitalares. Através destas intervenções os enfermeiros podem ajudar a acelerar a recuperação das pessoas doentes, reduzir a necessidade de permanência no hospital, facilitar uma alta hospitalar mais precoce, diminuir as readmissões e consumir menos recursos. Em conclusão são intervenções que ajudam a melhorar os resultados das pessoas, mas também a promover uma utilização mais eficiente dos recursos de saúde.
Valorizar essas contribuições é crucial para um sistema de saúde eficaz, seguro e centrado nas pessoas. Reconhecer a importância da enfermagem e investir no seu desenvolvimento profissional fortalece todo o sistema de saúde, contribuindo para uma utilização mais eficiente dos recursos e construindo uma base mais resiliente para o futuro. Por isso em tempos de desafios económicos e demográficos, é fundamental que o novo governo reconheça e apoie a Enfermagem como uma parte essencial e valiosa do sistema de saúde. Isso não apenas beneficiará as pessoas que necessitam de cuidados de saúde, como a sociedade como um todo, mas também auxilia à construção de sistemas de saúde mais resilientes e sustentáveis para o futuro.
Contudo o relatório Health at a Glance 2022, da OCDE e da Comissão Europeia, mostra que os “Enfermeiros portugueses continuam a ser dos mais mal pagos da Europa, bem como o rácio destes profissionais continua a ser inferior à média europeia”

António Sousa Pereira
TE – 180
Equiparado a Jornalista




15.03.2024 - 00:25

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