entrevista

PALMELA - ATA – Associação de Teatro Artimanha
Um grupo de teatro local leva cultura onde as pessoas estão e combate a desertificação cultural

PALMELA - ATA – Associação de Teatro Artimanha<br />
Um grupo de teatro local leva cultura onde as pessoas estão e combate a desertificação cultural A ATA – Associação de Teatro Artimanha, com sede no Pinhal Novo, concelho de Palmela, assinala 43 anos de vida no próximo dia 28 de junho, a propósito desta efeméride, Ana Guerreiro, presidente da ATA, em nome do grupo, prestou declarações ao jornal Rostos, sublinhando que «num tempo acelerado onde o digital é rei, o teatro devolve-nos a presença e a escuta.»

As palavras de Ana Guerreiro, presidente da ATA - Associação de Teatro Artimanha, que dá voz ao grupo, contribuem para conhecer os sonhos, as m memórias e a importância de um grupo de teatro na vida da comunidade.

Crescemos com a nossa comunidade

Como olham para trás e sentem esta vivência de 43 anos dedicados ao teatro?
«Olhamos estes 43 anos com orgulho, respeito e gratidão por todos aqueles que passaram pelo Artimanha, e sobretudo estamos muito gratos ao nosso público. Crescemos com a nossa comunidade, errando muitas vezes, mas essencialmente aprendendo e criando novos espectáculos. O que fica é a rede de pessoas que nos sustentou e sustenta: artistas, técnicos, público e parceiros, a nossa comunidade. Temos uma certeza, a de que o palco foi e será sempre a nossa forma de conversar com o mundo.»

Continuamos a trabalhar sempre em busca de novos públicos

Que papel tem desempenhado o Artimanha ao longo dos anos na formação de actores e actrizes e público?
«Pensamos que temos desempenhado um papel crucial na formação dos indivíduos que têm passado pelo Artimanha e também no público que nos vê. Fomos e somos escola e palco. Acolhemos quem dá os primeiros passos e ajudamo-los a questionarem-se e interrogarem-se sobre o seu papel na sociedade e sobretudo nesta comunidade. Tentamos, através das várias classes que temos, Infantil, Juvenil e Adultos, passar, através de experimentações, toda a importância que as artes têm no desenvolvimento e vida dos indivíduos, nomeadamente o Teatro. Claro que continuamos a trabalhar sempre em busca de novos públicos e a questionar e colocar em dúvida certezas adquiridas.»

Combate a desertificação cultural

Qual a importância de um Grupo de Teatro nas comunidades locais?
«Haver um grupo de teatro, e no caso do Pinhal Novo há quatro grupos de teatro de Amadores, é sempre excelente para a comunidade. Um grupo de teatro local reflecte os temas do território e cria lugares de encontro. Leva cultura onde as pessoas estão, combate a desertificação cultural e ajuda a pensar em conjunto. É também uma âncora de identidade e de pertença. Afinal o Teatro é a arte de contar histórias, e os seres humanos fazem-no desde sempre e em comunidade.»

Equilibramos criação com formação

Como tem sido possível manter a vossa actividade permanente?
«Fácil não tem sido. Mas isto é como tudo, quando se gosta muito, abdica-se de algumas coisas para poder seguir em frente com este projecto lindo que é o Artimanha. Equilibramos criação com formação, circulação de espectáculos e parcerias. Temos o apoio do Município e Junta de Freguesia, bilheteira, parceiros e realização de eventos públicos. Ajuda muito estarmos inseridos numa comunidade activa como é o Pinhal Novo.»

Não podemos deixar de destacar o Rui Guerreiro

Querem destacar algum elemento que seja de importância central na vossa história?
«Não podemos deixar de destacar o Rui Guerreiro, fundador e o maior entusiasta e apaixonado do Artimanha. A sua visão crítica e o seu pensamento livre e sem amarras, fez com que o grupo construísse e preservasse uma identidade forte que ainda hoje tem. O grupo sentiu muito a sua morte (2020), mas unimo-nos e sobretudo por ele, levamos o “barco a bom porto”. Acho que ele estaria muito orgulhoso do nosso trabalho.»

Teatro devolve-nos a presença e a escuta.

Com sentem a importância do teatro no mundo de hoje?
«Num tempo acelerado onde o digital é rei, o teatro devolve-nos a presença e a escuta. Ajuda-nos a pensar criticamente, a discordar/concordar e a imaginar a construção de futuros possíveis. O Teatro continua a ser um lugar raro onde a comunidade respira junta.»

Queremos mesmo é continuar a fazer teatro

Como olham para o vosso futuro?
«Vemos um futuro de continuidade e renovação: fortalecer equipas, trabalhar acessibilidades e literacia artística. Trabalhar com as comunidades locais sobre temas que os inquietem e assim terem visibilidade. Queremos continuar aqui com as nossas gentes, manter a raiz local e também abarcar e experimentar novos horizontes. O que realmente queremos mesmo é continuar a fazer teatro.»

Agradecemos às instituições e parceiros

O que gostavam de acrescentar…
«O teatro só existe com pessoas. Fica o convite: venham ver, opinar, participar. Agradecemos às instituições e parceiros que acreditam no nosso trabalho e ao público que nos vê. Tal como afirmou Augusto Boal “Actores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma” Contamos convosco nos próximos 43 anos.»

S.P.

23.06.2026 - 12:51

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2026 Todos os direitos reservados.