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Barreiro
Rui Quintas – “Rosto do Ano Teatro 2008”
“Trabalhamos para o público e é muito gratificante se o nosso trabalho é reconhecido”

Barreiro<br>
Rui Quintas – “Rosto do Ano Teatro 2008”<br>
“Trabalhamos para o público e é muito gratificante se o nosso trabalho é reconhecido”<br>
O gosto pelo teatro surgiu cedo na sua vida. Em criança, da varanda da sua casa, entretinha os amigos que estavam a brincar na rua. Hoje, com 37 anos, Rui Quintas, natural do Barreiro, tem já um currículo invejável na área do teatro e da televisão. Tendo no ano de 2008 estreado, pela ArteViva, três peças distintas: o espectáculo infantil “A Adivinha”, o poético “Antes que a noite venha” e o musical “A Grande Revista do Século XX”. Um ano que diz ter sido “em estado de graça e ao mesmo tempo uma loucura”.

Actualmente está a trabalhar na Direcção de Actores da novela “O mundo de Patty” na SIC e podemos ouvi-lo na locução de dois programas da RTP. Quanto à distinção “Rosto do Ano Teatro 2008”, reage: “Fico muito lisonjeado, não estava minimamente à espera. Mas fico muito contente que, de alguma forma, neste ano que passou, seja reconhecido e fico contente porque o esforço valeu a pena. Também estamos cá para isso, para trabalhar para o público e para a comunidade. E a ArteViva tem essa preocupação.”

Actor. Voz off. Encenador. Rui Quintas tem um currículo invejável na área do teatro e da televisão. Encenador na ArteViva – Companhia de Teatro do Barreiro, a sua formação profissional começou na área da representação, quando em 93 tirou o Curso de Actores no Instituto de Formação Investigação e Criação Teatral (IFICT). E o seu segundo espectáculo profissional foi no Barreiro, com a peça: “Textos Clássicos”, uma colagem de textos de Gil Vicente.

O primeiro espectáculo dirigido na ArteViva: “O Menino de Belém”

A propensão pela encenação surgiu em 96 no Brasil, quando fez uma leitura encenada com Textos de Mário de Sá Carneiro: “O Fim” e a partir desse espectáculo tomou-lhe o gosto e quando veio para Portugal foi dar aulas com a Companhia de Teatro “Os Satyros”, em Lisboa, e a primeira “incursão e aventura em tentar encenar algo”, como diz, foi através do texto: “Boda de Sangue”, de Frederico Garcia Lorca. E foi esse o primeiro espectáculo que trouxe ao Teatro Municipal do Barreiro. E depois surgiu o convite de Jorge Cardoso para que encenasse um espectáculo e surge o seu primeiro espectáculo dirigido na ArteViva: “O Menino de Belém”.

2008 - “Foi um ano em estado de graça e ao mesmo tempo uma loucura”

Sobre o ano de 2008, comenta: “Foi um ano em estado de graça e ao mesmo tempo uma loucura”. Um ano em que estreou três peças pelo ArteViva. Todas elas diferentes. O espectáculo infantil: “A Adivinha”, em que partilhou a encenação com Raquel Ferreira e com direcção musical de Gustavo Teixeira; o musical “A Grande Revista do Século XX”, de Fernando Arrabal e “Antes que a noite venha”, de Eduarda Dionísio. “Ao mesmo tempo que estava a fazer o espectáculo infantil, estava a encenar o “Antes que a noite venha”. E todos os espectáculos eram mesmo díspares, o “Antes que a noite venha” era um espectáculo poético, que compunha quatro monólogos com uma certa dificuldade de se conseguir um ritmo bom que aguentasse o espectáculo, que era de difícil leitura. O “A Grande Revista do Século XX” foi encenado numa altura muito complicada da minha vida, porque ao mesmo tempo estava a ensaiar o “Um Conto Americano”, enquanto actor, no Teatro Nacional D. Maria II, com a Maria Emília Correia. Mas foi assim uma aventura completamente de loucos que acabou por ser saborosa, até pelas palavras do próprio Fernando Arrabal, quando esteve em Portugal, que é um dos ícones da dramaturgia de teatro. Acabou por ser um ano muito gratificante.”

A experiência de estar nos dois lados, no palco e fora dele

E em 2009 na peça “Depois da Tempestade”, trabalhou simultaneamente como encenador e actor. Sobre essa experiência, comenta: “Quando estou a encenar, começo a ter uma vontade enorme de ir para palco e quando estou a actuar, tenho uma vontade enorme de estar de fora e trabalhar nesse lado. A experiência do espectáculo que tivemos este ano foi um pouco complicada, não sei se me apetece repetir, porque é muito inglório conseguir fazer as duas coisas, por mais que queiramos. É complicado porque uma pessoa está a trabalhar em palco as cenas enquanto actor e não deixa de ter uma visão de encenador.”

“ArteViva tem tido um caminho extremamente positivo e gratificante”

Sobre a ArteViva, comenta: “Tem tido um caminho extremamente positivo e gratificante também para quem está a trabalhar na companhia. E é positivo, porque temos o Jorge Cardoso, a Carina Silva, o Mário Rui e eu próprio. Portanto, temos um leque agradável de encenadores. E é muito positivo até para a leitura dos espectáculos do ArteViva que é diversificada, não tendo a leitura só de um encenador”.

“O mundo de Patty” – “Penso que é uma novela que vai ter bastante sucesso”

Actualmente está a trabalhar na Direcção de Actores, na dobragem de uma novela na SIC, “O mundo de Patty”, que é uma versão portuguesa, que estreou a 22 de Junho, da novela argentina “Patito Feo”. “Estamos a gravar sete dias por semana entre as 10 horas da manhã e a meia-noite e enquanto director de dobragem de actores tenho de estar presente o máximo de tempo com todos os actores. Mas por aquilo que consegui ver, estou bastante satisfeito e penso que é uma novela que vai ter bastante sucesso, principalmente na faixa infanto-juvenil. Porque a história é uma espécie de “Betty feia” infanto-juvenil e é uma novela que está construída como um musical e mais uma vez conto com a ajuda do Gustavo Teixeira e acho que as parcerias são muito positivas a partir do momento em que funcionam e que dão bons frutos.” Refere ainda que se trata de um projecto até Março de 2010 e por essa razão, realça: “até lá estou completamente impossibilitado de fazer qualquer outra coisa, no que diz respeito a teatro e dependendo ainda do sucesso que a novela possa ter ou não, uma vez que pode ter uma segunda temporada.” Para além da direcção de actores, encontra-se a fazer a locução de dois programas da RTP, na 2 o programa “INICIATIVA” e na RTP 1 o “destinos.pt”, com apresentação de Helena Coelho.

“Trabalhamos para o público e é muito gratificante se o nosso trabalho é reconhecido”

Quanto à distinção “Rosto do Ano Teatro 2008”, reage: “Fico muito lisonjeado, não estava minimamente à espera. Mas fico muito contente que, de alguma forma, neste ano que passou, seja reconhecido por algumas pessoas e fico contente porque o esforço valeu a pena. Também estamos cá para isso, para trabalhar para o público e para a comunidade. E a ArteViva tem essa preocupação e penso que, além de tudo, o mais importante é a nossa acção dentro da comunidade. Trabalhamos para o público e é muito gratificante se o nosso trabalho é reconhecido”

Andreia Catarina Lopes
Foto in http://star.sapo.pt

28.6.2009 - 17:02

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