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Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro
Vala em Sete Portais - ao contrário de si não acredito que seja a «melhor solução para o espaço»

Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro<br />
Vala em Sete Portais - ao contrário de si não acredito que seja a «melhor solução para o espaço» Pergunto também o porquê de chamarem a isto “espaço azul” e como é isto vai “promover a amenização da temperatura” quando o que vamos ter e ver praticamente todos os dias do ano são toneladas de pedra calcaria a rasgar um jardim?

O meu nome é Hugo Martins e escrevo na qualidade de morador na urbanização de Sete Portais, onde, como sabe, está a ser construída uma vala para drenagem de águas pluviais. Chamo-o, como responsável para obter resposta para as minhas perguntas, pois ao contrário de si eu não acredito que esta seja a “melhor solução para o espaço”, muito menos acho que o processo esteja a ser feito com respeito pelos moradores, muito pelo contrário.

Ora vejamos:

A obra começou a 26 de setembro, quando simplesmente apareceu uma escavadora de lagartas mais um camião no Jardim e sem que ninguém tivesse noção do que se estava a passar começaram a esburacar.
Começaram num sábado depois voltaram no próximo fim de semana, os buracos foram aumentando, mas as informações, fiscalização e segurança continuavam nulas.

Só no dia 22 de outubro e depois de alguns moradores terem estado presentes em reunião de câmara de 07 de outubro a pedir explicações, foi disponibilizado no site uma informação sobre a obra. Um documento (com o título: “Drenagem Pluvial, Vala e Bacia de Retenção no Parque da Urbanização de Sete Portais”, este documento o mais técnico que tem é a maquete e o texto é em grande parte uma ilusão, chegando em algumas partes a ser uma grande treta. E porquê?

Porque fala na obra como se de um simples melhoramento se tratasse, como se alguém afirmasse: só porque têm sido massacrados com obras, vamos fazer aí uma coisa gira no jardim da vossa urbanização, falando em “espaço verde renovado”, “renaturalização do ciclo urbano da água”, “espaço paisagisticamente interessante” verde e azul em “perfeita harmonia” etc. etc. Quando na realidade estamos perante uma necessidade de drenar as águas pluviais de uma grande área impermeabilizada e a impermeabilizar, e essa necessidade é o único motivo da realização desta obra, sejamos claros e honestos por favor.

Posto isto, a solução técnica possível no papel foi esta, e que se traduz em rasgar o jardim, de uma ponta á outra, com uma “pequena linha de água”, na realidade uma vala que chega a ter 4 a 5 metros de largura e 2 a 3 metros de profundidade e “um pequeno lago”, que é uma bacia gigante com cerca de 10 metros de diâmetro e 5 a 6 metros de profundidade, que vai fazer ligação ao encanamento já existente até ao rio, como este encanamento não está dimensionado para a enorme quantidade de água que lhe vão dirigir, somos obrigados a ter a chamada bacia de retenção a fazer o trabalho de funil, para que a coisa funcione.

Mais, nos 100 metros do jardim é importantíssimo a “naturalização” e o “adequado escoamento hidráulico”, mas depois nos restantes 500 ou 600 metros até ao rio pode continuar como está, encanado. Primeira pergunta: Consegue explicar porquê?
Segunda pergunta: qual a efetivamente a área que vai ser drenada para este sistema?

Pela resposta da
técnica responsável no dia 4 de novembro, fiquei com a ideia de ser aproximadamente a delimitada pela linha vermelha na Figura I, e aqui se perde o conceito de “recuperação da função natural deste espaço”, pois isso seria verdade se por ele fossem drenadas as águas que naturalmente lhe pertencem, mas podemos ver que é muito mais que isso.
Na figura I, marquei uma linha azul, que identifica uma linha natural de água (vale Romão), a meu ver seria um ótimo local para fazer escoamento de grande parte da água que está a ser encaminhada para o nosso jardim. Terceira pergunta: foi equacionado? Porque não esta solução?

No dia 04 de novembro, também tive a oportunidade de perguntar se há algum sítio com este enquadramento urbano, onde esteja previsto fazer este tipo de obra. A resposta foi na Quinta da Mina, eu achei que não era bem a mesma coisa, até porque já lá existe uma vala, mas a Sra. Eng.ª insistiu que era. Com base no que conhece dos espaços e nas imagens da Figura II e Figura III concorda que é comparável? (lá o edifício mais perto é a estação elevatória de águas residuais).

Ainda nesse dia 04 de novembro, tentei realçar que se estavam a colocar perigos onde não existiam e que essa era a minha maior preocupação, pois a livre fruição do espaço por crianças mais pequenas fica comprometida, mais uma vez eu a Sra. Eng.ª não chegámos a consenso.
Por isso pergunto com base no que viu e nas imagens que junto, deixaria crianças pequenas usufruírem do espaço como dantes? Ou realmente concorda que haverá mais perigos a considerar?

Pergunto também o porquê de chamarem a isto “espaço azul” e como é isto vai “promover a amenização da temperatura” quando o que vamos ter e ver praticamente todos os dias do ano são toneladas de pedra calcaria a rasgar um jardim?

Na última reunião de câmara a 18 de novembro, referiu varias vezes “acredito que esta é a melhor solução para o espaço”, “tecnicamente”, mas no meu ver as soluções são para os problemas, e este espaço não tinha problemas, tecnicamente o problema foi criado pela decisão de drenar por aqui as águas de mais espaço que lhe pertence. E agora sim temos um enorme problema, opinião subscrita por aproximadamente 75% dos moradores, oficializada no abaixo assinado entregue ao Sr. º presidente em reunião de câmara.

E ainda acha que esta é a melhor solução? uma solução sem alternativas, que consideram que é melhor porque foi a que fizeram. Num estilo tá aí agora aguentem, como têm aguentado os longos meses de obras nas imediações, com cortes de água sistemáticos, sem uma solução para sair da urbanização sem passar por caminhos esburacados seja de carro ou a pé, como aguentam a sujidade nas casas e nos carros. Isso tudo temos aguentado, mas esta vala como foi e está a ser feita, considero desrespeitoso, desde a falta de discussão e de informação prévia, como toda a areia que nos têm mandado para olhos.

Ainda á tempo para rever, peço que não me imponha esta coisa mo jardim da minha urbanização.

Fico a aguardar resposta ás questões, obrigado,
Hugo Martins

20.11.2020 - 16:11

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