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carta ao director

Carta ao Director - Barreiro
Utentes da SOFLUSA sentem-se lesados
.Estigmatização crescente para quem procura trabalho em Lisboa

Carta ao Director - Barreiro<br />
Utentes da SOFLUSA sentem-se lesados <br />
.Estigmatização crescente para quem procura trabalho em Lisboa Em virtude de considerar que o problema da Soflusa está longe de estar resolvido, como o provam as crises cíclicas recentes e as que seguramente se avizinham, um leitor do jornal Rostos, enviou-nos o texto que editamos integralmente, que endereçou para diversos órgãos de soberania ao nível central e ao nível local, bem como para a AMT.

Exmos. Senhores

Presidente da República de Portugal
Primeiro-Ministro de Portugal
Ministro das Finanças
Ministro do Ambiente e da Transição Energética

Presidente da Câmara Municipal do Barreiro
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Grupos Parlamentares

Partido Socialista
Partido Social Democrata
Bloco de Esquerda
Centro Democrático Social-Partido Popular
Partido Comunista Português
Iniciativa Liberal
Livre
CHEGA
PAN – Pessoas–Animais-Natureza

Conselho de Administração da SOFLUSA
AMT – Autoridade da Mobilidade e dos Transportes

Venho por este meio, como utilizador regular do serviço de transporte fluvial prestado pela Soflusa, manifestar o meu profundo desagrado e estado de revolta em que me encontro, devido ao facto de me sentir “abandonado” pelo Estado no que à sua responsabilidade de garantia do direito ao transporte público fluvial diz respeito.

Entendo que o Estado deve manter e operacionalizar todos os transportes públicos sob a sua esfera de responsabilidade, como é o caso da Soflusa. Assim sendo o Estado no que diz respeito a esta empresa, deveria no mínimo garantir os seguintes serviços e obrigações aos seus contribuintes e utentes desta empresa:

- Cumprimento escrupuloso dos horários publicados até 31-12-2016 e a reposição dos mesmos. Todos os novos horários publicados a posteriori, trataram-se de meras supressões e que vão contra o aumento da procura e consequente exigência de novas carreiras e não de supressões;

- Os utentes não têm culpa da incúria a que foi votada esta empresa de há uns anos a esta parte, nomeadamente no que diz respeito à não renovação dos recursos humanos perdidos devido a aposentações entre outros motivos. E também no que diz respeito à não implementação do plano de manutenção requerido pelas embarcações no sentido de lhes minimizar a possibilidade de contraírem avarias inesperadas e a inerente perda de anos de vida útil;

- Assim, os utentes da Soflusa em geral, sentem-se abandonados pelo Estado, injustiçados devido a que se veem diariamente sujeitos a supressões e incumprimentos de carreiras que os levam a não conseguir cumprir com os seus horários e deveres pessoais e profissionais, e por verificarem que por mais que se manifestem, mediatizem e reclamem, a situação só tem piorado não obstante, à medida que o tempo passa;

- Temos utentes que vivem no Barreiro a escassos minutos a pé do terminal fluvial e que agora se veem obrigados a usar viatura particular para se deslocarem a Coina ou à Penalva para apanharem o comboio da Fertagus. Esta situação é de todo inaceitável quer do ponto de vista pessoal e humano das pessoas afetadas, bem como do ponto de vista económico com a importação acrescida de combustíveis fósseis empobrecendo ainda mais o País, e por último, dadas as obrigações do nosso País no que diz respeito ao compromisso de diminuir as suas emissões de Co2 e se veja assim constrangido a aumentá-las, dada a inadequada rede de transportes que servem os seus cidadãos, e em particular para quem deseja e quer usar transportes públicos e que more nos concelhos do Barreiro, Moita, Seixal e Montijo:

Assim, solicito os seus melhores esforços para o cumprimento e satisfação dos pontos abaixo, sff:

- Regresso aos horários em vigor a 31-12-2016, com revisão da necessidade de reforço à luz da entrada em vigor do passe único e inerente incremento da procura;

- Necessidade de aquisição de uma ou duas embarcações, dada a infeliz venda de uma embarcação em Setembro de 2015 contra toda a lógica do bom senso;

- Substituição imediata e atempada de funcionários da Soflusa que se aposentem e cuja substituição seja vital para manter o normal funcionamento das carreiras, doravante, para que não mais se volte à situação caótica presente (desde pelo menos 2015);

- Implementação de plano de manutenção adequado e recomendado pelo fabricante dos Barcos e da limpeza interna (acomodações e Casas de banho para os utentes) e externa, como dos cascos dos navios com a remoção de limos e outros detritos que dificultam a navegação, esforçando os motores e aumentando o consumo de combustível;

- Regresso às viagens de 15 minutos. 24Hx7x365. As nossas vidas pessoais e profissionais não se compadecem com cruzeiros diários forçados no Rio Tejo diariamente e que nos fazem perder tempo precioso. Não somos eternos e exigimos respeito pelo nosso tempo de vida assim desperdiçado inutilmente. Quem trabalha por turnos não tem que ser penalizado por viagens de 25 minutos em ambos os sentidos. Afinal não pagam o mesmo preço do passe e de bilhetes de quem utiliza o transporte fluvial em horas de ponta!?

- Dadas as graves limitações de Mobilidade que os moradores do Barreiro e zonas limítrofes sofrem, ao ponto de que já se chama comummente ao Barreiro de ILHA...exige-se que se retome a expansão do MST até ao Barreiro e de acordo com o plano original até ao Montijo;

- Exige-se também que no âmbito do ponto supra, se faça o mais rapidamente possível a ponte rodo-ferrovária-pedonal entre o Barreiro e o Seixal. Quem se desloca do Barreiro ao Seixal e vice versa tem de fazer cerca de 35 quilómetros diariamente, quando a distância física entre estas localidades ronda as poucas centenas de metros;

- Exige-se que se retome o projeto da ponte rodo-ferroviária Barreiro-Chelas. A sua ausência é de todo injustificada, dada a tremenda necessidade de mobilidade entre o concelho do Barreiro e concelhos limítrofes e Lisboa. Esta ponte é essencial para se fechar e interligar a malha ferroviária a norte e a sul do Tejo e na poupança de milhões de quilómetros expelidos em milhões de toneladas de Co2 para a atmosfera inutilmente com as consequências que se conhecem a nível climático e económico. Bem como é importante devido ao facto da ponte 25 de Abril se encontrar permanentemente congestionada e servirá também para ligação do Shuttle ferroviário que vai ligar ao NAL em Alcochete. E não, o aeroborto do Montijo não pode ser construído, por inúmeros motivos de índole ambiental, económica e securitária, bem como e principalmente que o NAL tem de ser servido obrigatoriamente por ferrovia e ser expansível.

Por último, apelo ao Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que reforce substancialmente a oferta da carreira 6 com destino à Estação de Coina, no muito curto prazo, por forma a contornar a cíclica e grave incapacidade presente da Soflusa em suprir a procura, como tem ocorrido desde 2016.

Solicito ainda a completa reformulação das carreiras da TCB por forma a serem encaminhadas para os destinos do Terminal da Soflusa e da estação de Coina equitativamente, para evitar por um lado eventuais constrangimentos actuais e futuros da Soflusa, e por outro, porque é mais uma alternativa de mobilidade para os utentes e por existirem muitos que preferem utilizar a Fertagus, quer por questões geográficas quer pessoais.

Se estes pontos que elenquei supra se vierem a concretizar, seria um enorme passo no desenvolvimento económico, social e ambiental do País e não somente da margem sul.

Cumprimentos,
Humberto Andrade

20.07.2022 - 19:50

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