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Distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda
Sem habitação digna, a doença está sempre mais próxima

Distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda<br />
Sem habitação digna, a doença está sempre mais próxima Infelizmente, há muitas “Jamaicas” na área metropolitana de Lisboa e no distrito de Setúbal, sobretudo em Almada e no Seixal. As carências habitacionais, tão marcadas na margem sul, são um problema de Direitos Humanos e de saúde pública. As autarquias e o Governo têm a
responsabilidade de resolver agora o que há muito prometem sem avanços visíveis.

Sem habitação digna, a doença está sempre mais próxima!

A pandemia provocada pelo Coronavírus veio relançar o debate sobre a importância da erradicação das carências habitacionais no nosso país. A revelação de novos focos de contágio em bairros degradados após o início do desconfinamento é apenas um exemplo da vulnerabilidade desta população, que começa na precariedade do emprego e acaba na precariedade da habitação. Para as famílias que vivem nestas condições, sem possibilidade de distanciamento social nem condições de higiene, a doença está sempre mais próxima.

Um dos bairros degradados recentemente identificado pelo aumento do número de casos foi Vale de Chícharos (Bairro da Jamaica), no Seixal. Por coincidência, este bairro foi também declarado pelo governo e pela autarquia como prioridade número um para realojamento
devido às condições sub humanas em que se encontravam os seus moradores.

Mais uma vez o Bairro da Jamaica voltou a ser notícia, por ter 16 infectados. Mais uma vez, sem escrúpulos, procura lançar-se o estigma sobre uma população que vive em condições degradantes. Estas pessoas não têm culpa de ser pobres e têm direito a viver como gente.
No dia 30 de Maio, o bairro foi ocupado por diversas carrinhas da polícia de choque e dezenas de agentes, num aparato com cobertura televisiva, para fechar e selar os cafés improvisados e principalmente intimidar os habitantes do bairro e lançar o anátema sobre gente pobre e maioritariamente trabalhadores e trabalhadoras precárias que ajudam a construir e limpam as habitações e empresas das nossas cidades. O Bloco de Esquerda repudia esta operação policial desproporcionada e intimidatória.

As autoridades de saúde devem fazer o que for necessário para proteger as pessoas e conter o vírus, incluindo a desinfecção, testagem e até encerramento temporário dos estabelecimentos.
Mas é preciso afirmar claramente que é ao governo e à Câmara do Seixal que cabem as principais responsabilidades pela existência do Bairro da Jamaica, porque ao longo de décadas não foram capazes de encontrar uma solução. Só em 2017, a Câmara e o Governo
estabeleceram um protocolo para realojar as famílias, que deveria estar concluído no final de 2021, o que não vai acontecer, a avaliar pelos atrasos.

Infelizmente, há muitas “Jamaicas” na área metropolitana de Lisboa e no distrito de Setúbal, sobretudo em Almada e no Seixal. As carências habitacionais, tão marcadas na margem sul, são um problema de Direitos Humanos e de saúde pública. As autarquias e o Governo têm a responsabilidade de resolver agora o que há muito prometem sem avanços visíveis.
Não podemos esperar mais uma década para cumprir o direito à habitação e erradicar os bairros de barracas. Para combater a doença nova, precisamos de resolver problemas antigos.
Agora vai ter mesmo de ser.
Habitação para todos/a,s Saúde para todos/as

A Coordenadora Distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda

02.06.2020 - 16:36

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