bastidores
Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP
A vitória dos trabalhadores com a derrota do Pacote Laboral marca a situação na região.
A DORS do PCP alerta vivamente para a degradação da situação económica e social e para o aumento das dificuldades das populações da região, em resultado da acção e das opções do Governo PSD/CDS ao serviço do capital.
A Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP reuniu para debater os desenvolvimentos da situação política e social, designadamente as que resultam da rejeição do pacote laboral, avaliar a intervenção do Partido e traçar as linhas de trabalho e resposta para os próximos meses.
I
Vale a pena Lutar! Os trabalhadores derrotaram o Pacote Laboral
A vitória dos trabalhadores com a derrota do Pacote Laboral marca a situação na região.
Uma vitória de grande significado, pelas medidas em concreto que travou, pelo isolamento a que levou do Governo PSD/CDS, mas também do Chega e da IL, que desde a primeira hora estiveram com este ataque.
Uma vitória que desmentiu a narrativa do capital e dos que se colocam ao seu serviço e confirmou a força organizada dos trabalhadores.
Uma grande vitória dos trabalhadores, uma grande vitória da CGTP-IN, de todas as estruturas sindicais e organizações de trabalhadores que de facto assumiram esta luta, de todos os que com ela foram solidários.
Uma grande vitória que contou com a intervenção determinada dos comunistas e do seu Partido.
O Pacote Laboral caiu em todos e em cada um dos 330 dias de uma mobilização e luta que se desenvolveu ao longo do último ano, com destaque para as greves gerais de 11 de dezembro e 3 de junho.
A Greve Geral, realizada no passado dia 3 de junho, foi um extraordinário êxito. Na Península de Setúbal, a Greve Geral teve impactos muito significativos traduzidos numa actividade económica que se ficou por níveis inexpressivos, a partir de uma adesão massiva dos trabalhadores dos sectores público e privado, em todos os concelhos.
Uma Greve Geral que teve expressão em todas as áreas de actividade: dos transportes (com a paralisação quase total dos transportes públicos rodoviários - Alsa Todi, TST, SMTCB, funcionando apenas os serviços mínimos que foram impostos aos trabalhadores dos transportes ferroviários - CP, Medway); às IPSSs (com inúmeras creches e jardins de infância encerrados e lares com o funcionamento nos mínimos); na indústria (com adesões muito significativas, em que se destacam as empresas do Parque Industrial da Autoeuropa como S.M.P., Teijin e Forvia, e em outra empresas como na Sovena, na Silotagus, Visteon, Hanon, Ascenza, Simarsul, Viroc, Autoneum, ...); nas actividades marítimas e portuárias (com as diversas unidades da Docapesca encerradas e sem a entrada de navios na barra de Setúbal); na Administração Pública Central (com inúmeras repartições encerradas ou sem capacidade de funcionamento, a maioria das escolas encerradas e adesões massivas nos hospitais e centros de saúde); no comércio (com várias lojas encerradas e forte adesão nos centros de logística situados na região); na Administração Local (com uma adesão acima dos
90% no conjunto dos 9 concelhos e impactos muito significativos e visíveis na recolha de resíduos); na banca (com balcões encerrados ou a funcionar a meio gás). A Greve Geral, que incluiu ainda a expressão pública em centenas de piquetes, em que os trabalhadores ganharam muitos outros para aderir a esta jornada de luta, e memoráveis manifestações em Setúbal, no Seixal e no Barreiro, foi
uma poderosa demonstração de força e unidade dos trabalhadores, que fizeram ouvir o seu protesto, indignação e confronto com o modelo de exploração e de injustiça a que são sujeitos, de baixos salários, de precariedade, de desregulação dos horários, de condições e ritmos de trabalho insuportáveis, de atropelo aos seus direitos.
A derrota do Pacote Laboral demonstra que vale a pena Lutar. A luta dos trabalhadores impôs ao Governo maiores dificuldades para levar por diante os muitos compromissos que tem com o grupos económicos. Agora é tempo da força imensa dos trabalhadores trilhar o caminho que se impõe.
Durante os últimos dois meses, valoriza-se ainda a participação dos trabalhadores e das populações nas comemorações do 25 de Abril, na jornada de luta do 1º de Maio, nomeadamente em Setúbal promovida pela União dos Sindicatos de Setúbal da CGTP/IN, no dia 21 de maio, dia de Indignação e Protesto, pelo aumento intercalar das pensões, Junto à assembleia da Republica, dinamizada na
região pela Federação distrital do MURPI, no dia 2 de junho dos enfermeiros da ULS Arrábida, no dia 19 de junho na greve nacional dos trabalhadores da saúde da Federação dos Sindicatos da Função Pública e no dia 25 de junho a luta dos trabalhadores do Arsenal do Alfeite, entre outras.
Num momento em que são claros os lucros fabulosos das principais empresas da região, o PCP apela ao prosseguimento da luta por aumentos de salários e das pensões que atenuem o continuado aumento do custo de vida.
A DORS do PCP alerta vivamente para a degradação da situação económica e social e para o aumento das dificuldades das populações da região, em resultado da acção e das opções do Governo PSD/CDS ao serviço do capital.
O ataque ao Serviço Nacional de Saúde, para favorecer os grupos privados, redunda em dificuldades crescentes no acesso à Saúde, com 260 614 utentes sem médico de família (Maio de 2026, Portal da Saúde), correspondendo a um aumento de 5% face há um ano atrás, enquanto diminuem as ofertas nos Hospitais da Região e continua por cumprir a construção do Hospital no Seixal.
As dificuldades na mobilidade prosseguem, com o favorecimento da Fertagus e dos seus lucros, relativamente à qual o PCP tem a decorrer um abaixo assinado, face aos interesses dos trabalhadores e do povo, e com a falta de respostas robustas no transporte ferroviário e rodoviário.
A DORS chama a atenção para que as recentes declarações sobre a integração da travessia para Troia nada resolvem, sendo necessário, isso sim, integra-la em definitivo no passe social intermodal, bem como da urgente finalização da rede do metro ligeiro de superfície e da construção da terceira travessia do Tejo.
A escola pública continua a ser posta em causa. Faltam professores, auxiliares e outros profissionais. O Ministério da Educação continua sem avançar com as obras necessárias ou a garantia às autarquias dos meios para tal, na Escola Secundária António Gedeão, na Cova da Piedade, em Almada, Escola Básica e Secundária de Santo António, no Barreiro, na Escola Secundária Dr. José Afonso, Arrentela, Seixal, na Escola Básica e Secundária Michel Giacometti, Quinta do Conde, em Sesimbra ou na Escola Secundária du Bocage, em Setúbal, referindo apenas as consideradas muito urgentes pelo próprio Governo.
O direito à habitação é cada vez mais posto em causa pelos valores absurdos dos preços das casas (de acordo com o INE, na Península de Setúbal o valor mediano é de 2 596 €/m2, um valor superior à média nacional) e das rendas, que aumentaram 11,35%, o terceiro maior do País.
Acresce o distanciamento do Governo e da respectiva autarquia perante as tentativas de apropriação privada das praias de Setúbal. O PCP que já propôs o envolvimento da Câmara Municipal de Setúbal na defesa da titularidade pública das praias e questionou o Governo sobre a sua intervenção, para além de realizar uma tribuna pública sobre a matéria, prosseguirá a sua intervenção para
impedir este roubo a Setúbal e aos Setubalenses.
A DORS do PCP sublinha que o Projecto de Desenvolvimento da Região plasmado no PEDEPPS, que tem tido a participação e o respaldo do conjunto das organizações da Península de Setúbal, deve continuar a constituir a base para a concretização de todas e cada uma das medidas ali inscritas, visando a resolução dos problemas com que as populações se confrontam.
Um PCP mais forte. É preciso! É possível!
Agimos numa situação internacional em que o capitalismo evidencia a sua natureza, incrementa a sua violenta acção imperialista, comportando ameaças e perigos e confirma a necessidade de um outro rumo de paz e progresso social para a Humanidade. No plano nacional agimos e lutamos num quadro marcado por uma intensa luta de classes, por um aberto conflito entre os que ambicionam
concluir o processo contra-revolucionário, em confronto com a Constituição da República, e as forças que lhe resistem. Conflito que expõe a contradição insanável entre os interesses e o domínio da burguesia monopolista e os da imensa maioria que com a sua luta se lhes opõem: os trabalhadores, a juventude, o povo, sujeitos cada vez mais à exploração e às injustiças. É neste quadro, predominantemente de resistência, mas também de iniciativa, que o Partido é chamado a intervir.
É neste contexto que se coloca ao Partido a necessidade da concretização das orientações do XXII Congresso. A necessidade de tomar a iniciativa sobre os problemas dos trabalhadores, da juventude, do povo, agora sob o lema “Luta, caminho da Vitória. Salários, pensões, serviços públicos. Novo rumo para Portugal”, na afirmação da ruptura com a política de direita e por uma alternativa
patriótica e de esquerda, na concretização do seu Programa e projecto de democracia e socialismo.
A necessidade de uma intervenção que promova a luta, a força organizada e a acção unitária visando: desenvolver e intensificar a luta dos trabalhadores e das massas populares; desenvolver o fortalecimento das organizações e movimentos unitários de massas; desenvolver a ligação e o trabalho com outros democratas e patriotas. O reforço do Partido é não só uma necessidade, mas
principalmente um elemento decisivo para os trabalhadores, o povo e o País.
Neste quadro, a DORS do PCP saúda e valoriza a realização do Encontro Regional da JCP, pela participação de dezenas de jovens revelador de uma crescente influência na região da organização juvenil do PCP.
Tem neste contexto particular importância a projecção da 50ª edição da Festa do Avante!, com a afirmação das suas características próprias e a sua dinamização como grande iniciativa política e cultural sem paralelo no nosso País, promovendo a sua divulgação, alargando a venda da Entrada Permanente (EP), potenciando a sua capacidade de envolvimento, responsabilização, atracção e
alargamento da participação.
A DORS do PCP sublinha a realização das Assembleias das Organizações Concelhias de Palmela, Setúbal, Barreiro, Sesimbra, Montijo e Alcochete, no passados meses de Maio e Junho, bem como as Assembleias Concelhias da Moita e do Seixal, a realizar em 21 e 29 de Novembro.
A DORS do PCP
1 de Julho de 202
02.07.2026 - 14:24
imprimir
PUB.
Pesquisar outras notícias no Google
A cópia, reprodução e redistribuição deste website para qualquer servidor que não seja o escolhido pelo seu propietário é expressamente proibida.
Fotografia e Textos: Jornal Rostos.
Copyright © 2002-2026 Todos os direitos reservados.
RSS
TWITTER
FACEBOOK