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Luísa de Jesus – A ultima mulher enforcada em Portugal
Por João Naia da Silva
Barreiro

Luísa de Jesus – A ultima mulher enforcada em Portugal<br />
Por João Naia da Silva<br />
Barreiro A sua ocupação era ir à Roda de Coimbra buscar bebés para receber os 600 réis e o enxoval que eram oferecidos, depois sufocava e enterrava os “filhos” no alto de um monte. Esta é a historia de Luísa de Jesus, que foi acusada e condenada à morte por matar 34 bebés.

Podia simplesmente ser mais um episódio de uma serie norte americana de investigação criminal mas a verdade é que foi real, e aconteceu em Portugal no ano de 1772.

Luísa de Jesus, nasceu a 10 de dezembro de 1748 em Figueira do Lorvão, freguesia do concelho de Penacova. Filha de Manoel Rodrigues e Marianna Rodrigues, tinha como oficio recoveira (transportava mercadorias a pedido de quem bem lhe pagasse). E foi com esse trabalho que começou por ir buscar bebés à Casa da Roda de Coimbra, uma instituição onde eram deixados exposto que não podiam ser cuidados pelas mães biológicas, e assim eram dados para a adoção e criados pelas freiras que lá trabalhavam.
Luísa de Jesus dava nomes de pessoas que conhecia, ou nomes fictícios, e na qualidade de recoveira, alegava ir buscar um bebé para essa pessoa. A Casa da Roda de Coimbra oferecia-lhe então 600 Réis e um enxoval, como era costume para quem adotasse uma criança. Assim que se encontrava sozinha com o bebé, asfixiava-o e depois ia até ao cimo do Monte-Arroio, situado perto da própria Casa da Roda de Coimbra, e ali os enterrava.

Por ser conhecida de uma ama e de quem dirigia a Roda, nunca dela desconfiaram mesmo quando já começava a ser elevado o numero de vezes que fazia isso.
Até ao dia 1 de abril de 1772 em que Angélica Maria, trabalhadora na Roda, encontra um cadáver de um bebé ainda com marcas de estrangulamento que estava mal enterrado no tal Monte-Arroio e aí começa a descoberta macabra.
O bebé tinha ainda traços e vestes iguais ao que teria sido levantado dias antes por Luísa de Jesus.
Uma vez informadas, as autoridades começam a investigar e nos dias seguintes vão sendo encontrados mais bebés enterrados no mesmo local.
No dia 19 de Abril desse mesmo ano, e com 15 bebés encontrados, Luísa de Jesus confessa ter assassinado 9 deles mas continua a negar os outros 6.

Nessa altura, já a ama e a mulher que dirige a roda teriam sido presas por terem supostamente permitido que Luísa de Jesus fosse buscar bebés a mando de outras pessoas sem nunca se terem preocupado com a veracidade das moradas e nomes que ela lhes dava.

Com a continuação das investigações, todas as duvidas são dissipadas quando os Juízes ordenam que sejam feitas buscas à casa de Luísa de Jesus e são encontrados ao todo mais 18 corpos de bebés, muitos deles em avançado estado de decomposição.
Luísa de Jesus teria tido o trabalho de enterrar 10 deles por baixo da sua casa, mas os outros 8 apenas os teria desmembrado e escondido em potes de barro e noutras zonas da casa.
Feitas as contas, as autoridades teriam descoberto 33 cadáveres, mas Luísa de Jesus apenas confessara que matara 28. E para ajudar à confusão, na Casa da Roda de Coimbra existiam 34 registos de Bebés levantados por Luísa de Jesus.
Nunca terá sido encontrado o 34º cadáver, e Luísa de Jesus nunca terá confessado a autoria do assassínio dos outros 5 bebés desenterrados no Monte-Arroio.

A defesa de Luísa de Jesus ainda tentaria jogar com a sua idade tentando assim que não fosse responsabilizada, por ainda ser menor, pois na altura as mulheres só eram maiores a partir dos 25 anos, mas os juízes acharam que se teria idade suficiente para cometer tais crimes, também teria idade para por eles ser julgada, e no dia 1 de julho de 1772, Luísa de Jesus é condenada “a que com baraço e pregao pelas ruas públicas, e costumadas, seja atenazada, e levada ao lugar da forca; e nelle lhe sejão decepadas suas mãos: Depois do que, morra morte natural de garrote: E dado este, seja o seu corpo queimado, e reduzido a cinzas, para que nunca mais haja memoria de semelhante Monstro…”. Teria sido ainda condenada a pagar 50 mil réis “para as despesas da relação”, valor muito superior aos cerca de 20 mil réis que embolsou com a adoção dos 34 bebés.

Luísa de Jesus terá sido assim, a ultima mulher a morrer na forca em Portugal, 95 anos antes de ser abolida a pena de morte no nosso país.

João Naia da Silva

18.01.2017 - 19:49

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