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INFERÊNCIAS
Horóscopos Diários
Dia 19 de Outubro 2017
Por Maria Helena


A(nota)mentos
Kira – um artista com o Barreiro escrito no seu sangue


Rosto da Semana – Barreiro
Augusto Sousa – um exemplo do fazer cidadania


Por dentro dos dias - Barreiro
“Felizmente há luar”!


Inferências - Barreiro
A afirmação do «bloco central» da região de Setúbal


COLUNISTAS
Vigiar e intervir antes de ser tarde demais!
Por Nuno Banza
Barreiro


Coerências
Por Nuno Santa Clara
Barreiro


AUTARQUIAS e CONTABILIDADE DE CUSTOS
por José Caria
Montijo


Sobre maiorias e nem tanto
Por Carlos Alberto Correia
Barreiro


Notas soltas
Por Jorge Fagundes
Barreiro


Baixa da Banheira, uma questão de memória
Por Nuno Miguel Fialho Cavaco
Moita


BASTIDORES
Almada - Europa Social debatida na Costa de Caparica
Seminário internacional reúne dezenas de sindicalistas de vários países da Europa


Social-democratas na reunião da Assembleia Distrital de Setúbal
Analisam Fogos florestais e constrangimentos da Soflusa


Eduardo Cabrita do Barreiro
Vai ser o novo Ministro da Administação Interna


PSD Barreiro
Retira propaganda eleitoral


Continuar a intervir pelas aspirações dos trabalhadores e do povo do Barreiro
Resultados eleitorais verificados não reduzem a determinação do P


CDU vence as eleições autárquicas em todas as autarquias do Concelho da Moita
Merecendo uma vez mais a confiança do povo do nosso concelho


Situação da EMEF no Barreiro
PCP questionou Governo


Bloco de Esquerda nas Autárquicas no Concelho da Moita
Aumentou número de votos em todos os órgãos autárquicos e autarcas eleitos


Concelhia do Barreiro do Bloco de Esquerda
«Subiu a votação quer em número de votos, quer em termos percentuais»


Construir um melhor Barreiro em conjunto com todos quantos queiram colaborar neste objetivo.
Move-nos a ambição de dar futuro à terra que amamo


Com a vitória do PS o distrito de Setúbal
Ganhou condições para afirmar-se como um distrito moderno e cosmopolita


CDU é a força mais votada na Região de Setúbal
sublinha a Organização Regional de Setúbal do PCP


CDS Barreiro apela ao entendimento no futuro executivo camarário
De forma à obtenção de uma solução estável e promotora do crescimento


ENTREVISTA
Dois jovens de Huelva para o Barreiro
«Nós nos enamorámos pelo Barreiro»



AS EMPRESAS
Palmela - Porto de Setúbal já exporta novo modelo da Volkswagen
1800 T – ROC tiveram primeiro embarque


DESPORTO
Barreiro - Jornada Campeonato Nacional Veteranos Badminton
Cidade do Barreiro no mapa do Badminton Nacional.


Moita - 1º Passeio de BTT CRI/abreOLHOS
Inscrições estão abertas


Um regresso de equipas do Barreiro a competições internacionais
GDESSA nas competições europeias de clubes


A 1ª Regata de Remo de Mar no Barreiro no Clube Naval Barreirense
4ª Etapa do Circuito Nacional de Remo de Mar - Fundação do Desporto - 2017


Clube de Vela do Barreiro
Maria Tavares termina no 4º lugar da geral (3º feminino) no Nacional de Iniciados


PERSONALIDADES
Barreiro – Faleceu Amândio Vicente
Sócio de Mérito da SFAL


»Regina Janeiro - Aprendi tanto que o Barreiro tinha para me ensinar»
Esta Terra também me marcou e passou a fazer parte da minha vida


AS ESCOLAS
Barreiro - Um ano de intensa atividade formativa em diversos países europeus
Atividades em países com vasta experiência em ensino bilingue


MagicBit, start-up de jogos digitais foi criada por dois diplomados do Politécnico de Setúbal
Incubadora de negócios IPStartUp lança primeira


IPS divulga oferta formativa e incubadora de negócios no Alegro Setúbal
Mostra de Oportunidades de Emprego decorre entre 20 e 21 de outubro


Na Escola Superior de Educação de Setúbal
Orquestra Académica Metropolitana em concerto no IPS


Barreiro - Duas turmas do 2º ano da Escola Básica Telha Nova 1 colocaram a ‘mão na massa’
«Cozinhar a Brincar» na Escola


Barreiro - «A Escola Somos Todos Nós 2017/18»
Subordinada ao tema «Os Nossos Moinhos»


Semana dedicada ao empreendedorismo no Politécnico de Setúbal
Turismo e novas tecnologias debatidos na 12.ª Business Week


Divulgação dos recursos educativos disponibilizados pelo Município da Moita
Quinzena da Educação marca arranque do ano letivo no concelho


REPORTAGEM
«Obrigado, por tudo o que fez pelo Barreiro»
palavras do Chefe do Estado Maior da Armada.


Doação do Espólio de Augusto Valegas
Honrado por ser um dos meus últimos actos com Presidente da CM do Barreiro


Barreiro - No ano dos 150 anos da velhinha lavradiense
O «Hino da SFAL» tocado por três bandas foi vivido com muita emoção


Barreiro - Concurso de Fotografia
António Mendes Rosa foi o vencedor
. Premiados Filipe Cardeira e Joaquina Coelho Bernardo


MOLDURA
Encontro Nacional de Unidades de Saúde Pública da Península de Setúbal
Poster da Palmela Desporto foi vencedor


Em Setúbal apreendidas 2326 doses de Cocaína e 342 doses de Heroína
No Seixal detido individuo pelo crime de violência doméstica


Em Palmela
Apreensão de armas


No Grupo Desportivo «O Independente» em Setúbal
Juntos pelo Autismo - Concerto Solidário


Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro em reunião com administração do grupo Transtejo
Próximas semanas melhorias ao nível da limpeza dos na


Barreiro - ADAO – Associação Desenvolvimento Artes e Ofícios
Apresentação do Projeto «Love Music»


Barreiro - OUT.RA - Associação Cultural
Retorna com uma das verdadeiras lendas vivas do jazz mundial


Barreiro - Salão de Arte Postal
Promover uma cultura para a paz


Barreiro Rocks
Dias 3 e 4 de novembro


Barreiro - Auditório Municipal Augusto Cabrita recebe
Fado enCante – Mestre António Chainho & Monda


Barreiro - Auditório Municipal Augusto Cabrita
Concerto com João Pedro Pais


Barreiro, Moita, Montijo, Seixal
OesteSustentável – Inscrições abertas para a competição interescolar
«Ventos de Poupança 2: Energia +


AUTARQUIAS
Barreiro - União de Freguesias de Alto do Seixalinho, Santo André e Verderena
Tomada de Posse


Moita - União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira
Tomada de Posse dos Órgãos Autárquicos


Moita
Instalação dos Novos Órgãos Autárquicos


Montijo - Tomada de Posse dos Titulares dos Órgãos Autárquicos
Dia 20 de outubro no Salão Nobre dos Paços do Concelho.


No AMAC – Auditório Municipal Augusto Cabrita - Barreiro
Vai decorrer a tomada de posse do novo executivo Municipal


OPINIÃO
D. Manuel Martins fez-me «nascer de novo».
Por Eugénio Fonseca
Setúbal


Sobre o processo Autoeuropa Volkswagen
O antes e o agora, falta o depois!
Por Fernando Sequeira
Palmela


DIREITOS GARANTIDOS E NÃO TEMPORÁRIOS
Por Francisco Oliveira
Barreiro


ACÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL E O OSTOMIZADO, INTERNACIONALIZAR O NOSSO CONHECIMENTO
Potr Vitor Bento Munhão
Barreiro


ASSOCIATIVISMO
Moita / Barreiro - NO Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira
Isabel Angelino apresenta «Cante P’ra NÓS» a 21 de outubro


Barreiro – Na SFAL Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense
Noite de Fados dia 28 de Outubro


Barreiro - Marcha Solidária da Associação de Mulheres com Patologia Mamária
Vai «pintar» o Barreiro de verde no dia 22 de Outubro


POSTAIS
Barreiro – Ardeu autocarro dos TCB
Estava parado e sem passageiros


Barreiro - Um abraço a Augusto Sousa na hora da despedida
Porque a vida é sempre...uma aprendizagem em todo o tempo que vivemos


Barreiro - Associação Vem Vencer
A nova carrinha já está ao serviço da comunidade


«Aqui na margem sul - no Barreiro - encontrei um grande Mestre»
Salientou Sei Miguel na abertura do segundo espectáculo do OUT.FEST


ARTES
Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro
Concerto de Canto e Órgão


TAS - Teatro Animação de Setúbal
«A Noite dos Poetas»


AGENDA
FORUM BARREIRO
Castello Lopes Cinemas
Programação Semanal


No Auditório Municipal Augusto Cabrita - Barreiro
AMAC Júnior


EUROPA
Rede Europeia de Cidades do Vinho
Vai promover o Dia Europeu do Enoturismo


colunistas rostos.pt - o seu diário digital

A IGNORÂNCIA
Por José Caria
Montijo

A IGNORÂNCIA<br />
Por José Caria<br />
MontijoEntre os temas tabu dos nossos dias está a ignorância. Parece que falar da ignorância coloca logo quem o faz numa situação de arrogância intelectual, o que inibe muita gente de a nomear. Mas não há muita razão para se enfiar essa carapuça.
O problema é enorme e está agravar-se e a assumir novas formas, socialmente agressivas.

Acompanha outro tipo de fenómenos como o populismo, a chamada “pós-verdade”, a circulação indiferenciada de notícias falsas, e, o que é mais grave, a indiferença sobre a sua verificação. Não explica, nem é a causa de nenhum destes fenómenos, mas é sua parente próxima e faz parte da mesma família. É como se de repente se deixasse de ir ao médico, e se passasse a ir ao curandeiro.

Uso aqui uma noção utilitária de ignorância que pode ser simplista, mas que serve. Ser ignorante é não ter os instrumentos para se mover no mundo que nos rodeia, ser sujeito mais do que ser actor, não conseguir atingir o empowerment que é suposto se poder ter para se actuar conforme as circunstâncias, de modo a crescer, ser capaz, viver uma vida qualificada e tirar dela uma experiência enriquecedora, controlando-se a si próprio tanto quanto é possível, e não menosprezando as condições para se ser feliz, “habitualmente” feliz. Isto é muito Dale Carnegie, mas serve, não é preciso complicar à partida.

Percebe-se, usando esta definição, que a ignorância pode ser descrita como a pobreza, cujos efeitos e condições de superação são exactamente do mesmo tipo. A ignorância é uma forma de pobreza e o seu crescimento acentua a pobreza em geral e, mais do que a pobreza, a exclusão e a diferenciação social. É até um dos mecanismos mais eficazes para aumentar a distância entre pobres e ricos, e para estabilizar um status quo nos pobres, que, como a droga, tem efeitos de satisfação instantânea, de paraíso artificial, ou, se se quiser de “ópio do povo”.

Faço uma distinção entre aquilo a que chamo “a antiga ignorância” e “a nova”. A antiga tem muito que ver com a baixa qualificação profissional, com a insuficiente escolaridade, com a má qualidade de muitas escolas, sem meios, sem professores preparados, com o analfabetismo funcional. É um factor do nosso atraso e ajuda a potenciar os efeitos
perversos da nova ignorância, mas não a explica por si só.

Contentamo-nos muito com a diminuição estatística da antiga ignorância e isso em Portugal é mais do que compreensível. O sucesso da escola, e da escolarização, o ensino para adultos, as melhorias verificadas em disciplinas como Português e Matemática são instrumentos fundamentais, entre outras coisas, para a mobilidade social, mas, mesmo que tenhamos, como agora se diz, as gerações mais qualificadas, estamos cegos quanto ao crescimento da nova ignorância, não só em aliança e em tandem com a antiga, mas assumindo novas formas e efeitos.

O facto de haver um modismo tecnológico e se confundir a utilização de gadgets, aliás bastante rudimentar, com um novo saber, que implica novas competências, esconde essa regra básica de que as literacias para os usar vêm do sistema escolar a montante e a possibilidade de os usar para uma melhoria social só existe a jusante se acompanhar uma evolução social que não se está a verificar. Mais do que uma evolução, há uma involução.

A antiga ignorância assentava numa carência, numa falta, a nova assenta numa ilusão. É por isso que a antiga ignorância era vista como um problema da sociedade e a nova é vista como um “progresso”, ou como uma tendência contra a qual é inútil lutar. Isso tem muito que ver com uma ideologia corrente face às novas tecnologias, em particular aquelas que têm imediatos efeitos sociais como os telemóveis, as redes sociais, e certos modos de usar os videojogos, a realidade virtual e mesmo o computador e a televisão.

O primeiro efeito nefasto dessa ideologia é a crença de que são as novas tecnologias que estão a mudar a sociedade. É o contrário. É a mudança da sociedade que potencia o uso de determinadas tecnologias, que depois acentuam os efeitos de partida. Muitas tecnologias de “contacto” — como programas de “presentificação”, que fazem as pessoas olharem para os seus telemóveis centenas de vezes por dia, e os adolescentes, na vanguarda desta nova ignorância juntamente com os seus jovens pais adultos, passarem o dia a enviarem mensagens sem qualquer conteúdo — só têm sucesso porque se deu uma deterioração acentuada das formas de sociabilidade interpessoais, substituídas por um Ersatz de presença e companhia tão efémero que tem de estar sempre a ser repetido.

Sociedades sem relações humanas de vizinhança, de companhia e amizade, sem interacções de grupo, sem movimentos colectivos de interesse comum dependem de formas artificiais e, insisto, pobres, de relacionamento que se tornam adictivas como a droga. Não há maior punição para um adolescente do que se lhe tirar o telemóvel, e alguns dos conflitos mais graves que ocorrem hoje nas escolas estão ligados ao telemóvel que funciona como uma linha de vida.

Nada é mais significativo e deprimente do que ver numa entrada de uma escola, ou num restaurante popular, ou na rua, pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel, mandando mensagens, enviando fotografias, vendo a sua página de Facebook, centenas de vezes por dia. Que vida pode sobrar?

Ainda há-de alguém convencer-me que este comportamento lá por usar tecnologias modernas representa uma vantagem e não uma patologia. Faz parte de sociedades em que deixou de haver silêncio, tempo para pensar, curiosidade de olhar para fora, gosto por actividades lentas como ler, ou ver com olhos de ver. E se olharmos para os produtos de tanta página de Facebook, de tanta mensagem, de tanto comentário não editado, de tanta “opinião” sobre tudo e todos, escritas num português macarrónico e cheio de erros, encontramos fenómenos de acantonamento, de tribalização, de radicalização, de cobardia anónima, de ajustes de contas, de bullying num mundo que tem de ser sempre excitado,
assertivo e taxativo.

Um dos maiores riscos para o mundo é ter um presidente dos EUA que governa pelo Twitter como um adolescente, com mensagens curtas, sem argumentação, que, para terem efeito, têm de ser excessivas e taxativas.
Não é por acaso que o grande reservatório do populismo político e social nas sociedades ocidentais são as redes sociais, que, não sendo a causa do populismo, são um seu grande factor de crescimento e consolidação. São como as poças de água estagnada para os mosquitos.

Funcionam como o lubrificante do populismo em momentos cruciais, dando-lhe uma rapidez de resposta aos eventos e condicionando o mundo exterior, com jornalistas que “emprenham” pelas redes, tanto mais quanto já não ouvem ou vêem nada fora do seu pequeno ecrã.
A crise das mediações profissionais — que retirou aos jornalistas e aos profissionais da comunicação o papel de transformarem qualitativamente os eventos em notícias, muito, aliás, por culpa própria desde a treta do “jornalismo dos cidadãos” até à divulgação não mediada de tweets e comentários — acompanha um dos aspectos mais agressivos desta nova ignorância: o ataque ao saber, ao conhecimento certificado, em nome de um igualitarismo da ignorância.

O facto de poderem escrever potencialmente para todos não significa que as suas “opiniões” — tanto mais quando pretendem ter um estatuto de idêntica qualidade ao de quem conhece as matérias sobre as quais opina, ou tem uma criatividade evidente — têm um efeito de rasoira por baixo, que se reproduzem sem qualquer verificação. Se
acrescentarmos que muitos consumidores das redes sociais obtêm aí quase toda a sua informação, percebe-se os efeitos devastadores no debate público e como servem para a indústria das notícias falsas e para alicerçarem o populismo com boatos, afirmações infundadas, presunções, invenções.

Como, na nova ignorância, se trata de uma atitude hostil ao saber e ao seu esforço, mais do que um efeito de fonte única, há uma guetização da opinião, com arregimentação entre os próximos e a diabolização dos “outros”. Ler só aquilo com que concordamos pode ser satisfatório psicologicamente, mas destrói o debate público fundamental numa sociedade democrática.

José Caria

01.08.2017 - 15:41
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