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O Barreiro está um pouco mais pobre!
Por Nuno Banza
Barreiro

O Barreiro está um pouco mais pobre!<br />
Por Nuno Banza<br />
BarreiroFaleceu ontem um cidadão barreirense, talvez anónimo para quem não fizesse parte do seu círculo de amigos ou familiares, de seu nome José Carreira, mas a quem aprendi há mais de 20 anos a tratar por Eng.º Carreira e que merece que eu não deixe de trazer a público uma pequena, mas para mim, importante parte da sua história.

Há uma diferença que deve ser pública, entre quem apenas repete o que vê os outros fazerem e quem ousa fazer diferente! E essa diferença merece ser reconhecida e lembrada!

Faleceu ontem um cidadão barreirense, talvez anónimo para quem não fizesse parte do seu círculo de amigos ou familiares, de seu nome José Carreira, mas a quem aprendi há mais de 20 anos a tratar por Eng.º Carreira e que merece que eu não deixe de trazer a público uma pequena, mas para mim, importante parte da sua história.
A sua morte trouxe-me à memória as circunstâncias em que nos conhecemos e a grande admiração que desde logo aprendi a ter pelo seu trabalho e pela sua conduta pessoal e profissional.

Quis o destino que a meio da década de 1990 eu tivesse tido a oportunidade de colaborar com o Centro de Excelência do Ambiente num projeto à data coordenado pelo CENDES - Centro para o Desenvolvimento Empresarial Sustentável com sede no antigo INETI. Nessa colaboração, trabalhei com pessoas excecionais e que lutavam à data para integrar no setor da indústria pesada, de várias áreas de atividade, preocupações ambientais e de redução das emissões poluentes, como a Prof.ª Constança Peneda, o Eng.º Fernando Ventura, entre outros.

Essa colaboração em concreto consistia em desenhar e aplicar à realidade de 10 empresas uma ferramenta informática de análise de ciclo de vida de produtos e de identificação de oportunidades de melhoria do desempenho ambiental desses produtos, designadamente pela redução da utilização de matérias primas não sustentáveis, ou com a redução da produção de resíduos perigosos. E uma dessas empresas era precisamente onde exercia funções de diretor de qualidade e ambiente o Eng.º Carreira.

Estávamos em plena ”guerra” entre ambiente e economia (se é que podemos dizer que essa guerra já acabou…) e as notícias traziam diariamente à luz do dia as práticas insustentáveis de muitos setores produtivos, que não integravam quaisquer preocupações ambientais com as suas emissões ou a sua produção de resíduos. É neste contexto – sim, porque é fundamental contextualizar esta minha pequena história – que o Eng.º Carreira disponibilizou a sua unidade de produção de tintas, que à data se considerava um setor com grande potencial de melhoria, para servir de caso de estudo para este nosso projeto de investigação aplicada. A sua total disponibilidade e o seu empenho em obter resultados positivos e que representassem uma melhoria do desempenho ambiental da sua unidade contrastavam à data (e hoje, enfim…) de forma gritante com as reações violentas e extremadas que obtínhamos de outros interlocutores ao mesmo nível!

O projeto avançou e os resultados corresponderam às nossas melhores expetativas, quer do ponto de vista do trabalho excecional da equipa do INETI, liderada pela Prof.ª Constança Peneda – a quem a história ambiental de Portugal não fez ainda justiça pelo seu contributo para a conciliação entre os interesses da economia e do ambiente – quer do ponto de vista da empresa, que viu com esse trabalho reduzidos os seus custos de produção, ao mesmo tempo que melhorou significativamente o seu desempenho ambiental.

A vida quis que só muitos anos mais tarde percebesse que o Eng.º Carreira afinal era meu conterrâneo, pai de um amigo, o João e sogro de uma amiga, a Andreia!
Cruzámo-nos ocasionalmente por razões profissionais noutras vezes, em que fui acompanhando o seu trabalho ligado ao ambiente e ao setor das auditorias de desempenho.
Mas cruzámo-nos muitas mais vezes na cidade onde ambos vivemos, em ocasiões de partilha de momentos felizes da família e amigos e isso era sempre muito bom!

As condolências, enderecei-as à família como me era devido, mas o público reconhecimento pelo seu anónimo, mas importante contributo e por ousar pensar e fazer diferente, quando a isso não era obrigado, sinto que o devo fazer por aqui!
Até um dia Eng.º Carreira e obrigado!

Nuno Banza

10.05.2018 - 19:03

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