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EICAS- 73 anos depois!
Por Jorge Fagundes
Barreiro

EICAS- 73 anos depois!<br />
Por Jorge Fagundes<br />
Barreiro A EICAS tornou-se a nível nacional uma Escola de referência, quem acabava o curso tinha emprego garantido!”
“Agora me lembro de quando a Escola fez 50 anos tiveste uma intervenção memorável, bastas vezes interrompida com aplausos, em nome dos antigos alunos!

Como estava um dia ensolarado resolvi há bocado subir a Avenida e ir até uma das esplanadas junto ao Mercado Municipal.
Ali estava o meu antigo Colega da Alfredo da Silva.

“Boa tarde! Bons olhos te vejam! Onde tens andado?”
“Boa tarde! Já tinha estranhado não te ver por estas bandas! Como sabes tenha uma casa em Albufeira e há meses que ali tenho permanecido. Mas vim agora passar uns tempos ao nosso Barreiro!”
“Por acaso lembras-te que dia é hoje?”
“Sim, dia 12 de Janeiro. Mas só fazes anos em Junho. Estou a falhar alguma coisa?”
“Estás mesmo! A nossa velha EICAS fez hoje 73 anos!”
“Bolas! Fez mesmo! E não é que de repente nos vi de calções na nossa primeira ida à Alfredo da Silva?”
“Tens razão! Éramos dois miúdos vindos da Escola Nova do Barreiro. E como só tínhamos onze anos entrámos para o Ciclo Preparatório!”
“Sim, ficámos no primeiro, quarta, só rapazes! E o nosso primeiro Professor de Desenho foi o Pedro Jorge Pinto!”
“Grande Professor, um ceramista de fama!”
“Agora me recordei que as primeiras calças compridas que usámos foram de ganga, com peitilho, para as aulas de Carpintaria do Mestre Vieira e de Serralharia do Mestre Adrião!”
“Verdade! Grandes Mestres!”

“A Escola Alfredo da Silva veio permitir que aquelas centenas de rapazes e de raparigas que ficavam, quando ficavam, com a quarta classe. tivessem a oportunidade de tirar um curso profissional para os preparar para a vida!”
“Sim, nessa altura, os rapazes iam trabalhar para as fábricas de cortiça, alguns para a CUF ou para as oficinas da CP, um ou outro para praticante de caixeiro em qualquer loja. E as raparigas, como no Barreiro não escasseavam as alfaiatarias, iam para lá como aprendizas!”

“A EICAS tornou-se a nível nacional uma Escola de referência, quem acabava o curso tinha emprego garantido!”
“Agora me lembro de quando a Escola fez 50 anos tiveste uma intervenção memorável, bastas vezes interrompida com aplausos, em nome dos antigos alunos!”

“Tens razão. Como bem o sabes, desde muito novo que colaboro em jornais e revistas. Mas de tudo quanto já escrevi considero essa peça a mais bem conseguida! Só quem viveu aqueles anos e teve, como tivemos, aquele conjunto excepcional de Professores podia escrever o que então escrevi! Entre outros, Portugal de Lacerda, Pedro Jorge Pinto e Roque de Prata, primeiros Diretores, Xavier Roberto, Alberto Sousa Gomes, Albertina Corte Real, Moniz de Melo, Mestres Vieira e Adrião, Lúcia Jordão, Venâncio Ferro Júnior, Júlio Dias das Neves, Luísa Damásio Gama e a querida e saudosa Matilde Rosa Araújo!”
“Tens toda a razão!”

“E vou contar-te um facto inédito! A minha intervenção foi escrita na véspera, à noite, da Sessão Solene! Quando a terminei chamei a minha Mulher para ela a ouvir ler. E logo nos primeiros minutos dessa leitura desatei a chorar feito criança! E me interroguei: será que amanhã me consigo aguentar? Felizmente, sim!”
“Ainda bem, ainda bem!! Dá cá um abraço de felicitações! E um outro de Amizade. que essa perdura desde esses setenta e três anos já passados!”

Jorge Fagundes

12.01.2020 - 18:06

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