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Oito e oitenta
Por Jorge Fagundes
Barreiro

Oito e oitenta<br />
Por Jorge Fagundes<br />
Barreiro “Em 29 de Dezembro de 1993 a Assembleia Municipal do Barreiro aprovou o Plano Diretor Municipal, o qual veio a ser ratificado em 03 de Maio de 1994 pelo Conselho de Ministros. PDM esse ainda em vigor, estando nele prevista a construção , naquela Quinta, de 185 fogos de três pisos. Não me recordo de ter havido uma única pessoa que , então, viesse dizer que estava contra!”

Aproveitando este domingo solarengo e a abertura das esplanadas junto ao Mercado Municipal, resolvi ir até uma delas para tomar a minha bica após o almoço caseiro.
E, surpresa das surpresas, o meu velho Amigo e Colega da Escola Alfredo da Silva já ali estava.
“Boa tarde! Até que enfim te reencontro!”
“Boa tarde, o mesmo posso dizer quanto a ti. Como tens passado?”
“Por imposição legal, quase sempre em prisão domiciliária sem pulseira electrónica! E tu?”
“Eu estava na minha casa em Albufeira quando foi decretado o estado de emergência e ali continuei, só tendo regressado ao Barreiro há poucos dias. E por cá, muitas novidades?”
“O assunto mais dominante, com especial destaque nas redes sociais, é o da chamada venda da Quinta do Braamcamp.”
“É verdade, também dei conta disso. O que achas?”
“Olha, meu Amigo, se o quisermos, temos conversa para muitas horas.”
“Sim, mas o que achas?”
“Tal como o escreveu Luís de Camões, “mudam-se os tempos ,mudam-se as vontades.”
“Então?”
“Em 29 de Dezembro de 1993 a Assembleia Municipal do Barreiro aprovou o Plano Diretor Municipal, o qual veio a ser ratificado em 03 de Maio de 1994 pelo Conselho de Ministros. PDM esse ainda em vigor, estando nele prevista a construção , naquela Quinta, de 185 fogos de três pisos. Não me recordo de ter havido uma única pessoa que , então, viesse dizer que estava contra!”
“Mas não entendes esse PDM desatualizado?”
“Desatualizado ou não, está em vigor.E quem o poderia ter alterado, nunca o fez!”
“É verdade. Mas temos de voltar a conversar sobre este assunto. E sobre o COVID 19, o que dizes?”
“Esta denominada pandemia vai ter ainda muito para contar. Desde o seu eventual início tem dado origem a confusões quase diárias!”
“Porquê?”
“Primeiro foi dada como uma exclusividade chinesa que nunca poderia chegar a Portugal. Chegou! Depois, num dia as máscaras não eram necessárias a nível geral, logo a seguir já passaram a ser! Tirando a precaução da lavagem das mãos, essa nunca alterada, as prováveis causas de contágio ora são assim ora são assado!”
“Tens razão. E quanto aos ajuntamentos de pessoas o que dizes?!
“Aí está uma outra causa de não uniformidade dos procedimentos. E os exemplos são muito diversos. Anota: autocarros e barcos com margens de ocupação reduzidas, que rigorosamente não se cumprem, mas os aviões podem ir com todos os lugares ocupados! Campos de futebol sem público, mas a fase final dos campeões europeus vem para Lisboa! Com bastante público a assistir, a bem do turismo, claro! Ajuntamentos, na generalidade, com um máximo de vinte pessoas. Mas já se verificaram, devidamente autorizados, eventos com milhares de participantes! E outros se seguirão, como é evidente!!
“É mesmo verdade! Fora os não autorizados, como factos recentes o comprovam!”
“Pois é, dois pesos e duas medidas. Ou, como sempre ouvimos dizer, há um oito e um oitenta!”

Jorge Fagundes

22.06.2020 - 09:33

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