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Os esquecidos da linha da frente
Por Nuno Miguel Fialho Cavaco
Moita

Os esquecidos da linha da frente<br />
Por Nuno Miguel Fialho Cavaco<br />
Moita<br />
 A única certeza de que tenho é que as mais de 1000 freguesias extintas em 2013 fazem falta e que as populações afectadas por esta extinção estão em muito pior situação do que as outras que não foram extintas.

As Juntas de Freguesia pela sua natureza são o órgão democrático mais próximo das pessoas. São também o órgão mais criticado pois os problemas sejam ou náo da sua competência, são sempre apontados aos eleitos da autarquia. Se falta luz, se falta água, se não há multibanco, se existem buracos ... tudo é apontado às freguesias.

Nornal, dirão alguns ... Importa conhecer é os meios que as freguesias têm para trabalhar e quais as suas competências. Em regra, as Freguesias nunca receberam mais do que 2,05 % na participação dos impostos. Um valor rídículo face às competências que têm e ao papel que desenvolvem.

Sobre as competências das Juntas de Freguesia, próprias e delegadas, não pretendo importunar o leitor mas certo de que concordará comigo, apenas farei referências ao que não está estipulado. São vários os casos de eleitos que morreram em funções, desde incêndios a atos criminosos. A responsabilidade de representar o povo e a sua terra fala mais alto no momento de atuar e aqui, porque tem de ser dito, temos exemplos de todo o tipo.

O mesmo se passa com esta pandemia. Enquanto uma grande maioria de portugueses e bem, estava confinada, enquanto muitos serviços públicos e a grande maioria dos privados, estava encerrada, as Juntas de Freguesia estavam abertas e a fazer o que não lhes competia e o que lhes competia, quer por competências próprias ou delegadas. São centenas os exemplos de trabalhadores das Juntas de Freguesia que neste período de 9 meses levaram comida e medicamentos a pessoas infectadas e confinadas, arriscando a vida, substituindo-se ao estado que estava on muitas vezes mas que na realidade e por não estar tão próximo sempre esteve off. Desde o transporte de medicamentos do hospital até à casa das pessoas até à sinalização de casos urgentes, passando pelo apoio alimentar. As Juntas de Freguesia não faltaram com apoio de vários tipos ao Serviço Nacional de Saúde, aos Bombeiros, às Forças de Segurança, às IPSS´s e à coletividades. Em muitos períodos foram os que mais as apoiaram e nunca lhe viraram as costas.

Ao mesmo tempo que as Juntas de Freguesia estavam no combate da linha da frente, sofrendo com isso, com muitos eleitos e trabalhadores a ficarem infectados e confinados, o trabalho que lhes competia ou era feito de forma mais lenta ou ficava para trás. Muitos municipes não percebem e nunca perceberam porque é que o buraco da calçada ficou e fica tanto tempo por tapar ou porque é que as respostas aos seus problemas demoravam e demoram mais um pouco a ser respondidas. A explicação era simples, estávamos a fazer o que poucos faziam. Milhares de pessoas ligadas às autarquias, Instituiçóes Particulares de Solidariedade Social e voluntários assumiram como tarefa principal o apoio a pessoas infectadas e confinadas, tendo a certeza de que este era o caminho para que o vírus fosse controlado, pois não se pode pedir a ninguém que fique em casa se não tiver o que comer ou se não tiver os medicamentos que precisa.

Este esforço, que ainda é feito, não foi recompensado pelo governo e tantas e tantas vezes é omitido nas suas comunicações. Também não foi devidamente considerado pelo Presidente da República que tantas e tantas vezes ignora o papel das autarquias.
Não trabalhamos com a pretensão de sermos elogiados e sim porque temos sentido de dever e missão.
A única certeza de que tenho é que as mais de 1000 freguesias extintas em 2013 fazem falta e que as populações afectadas por esta extinção estão em muito pior situação do que as outras que não foram extintas.
Que os cidadãos saibam valorizar as suas freguesias que quer em tempos de pandemia ou em outros tempos, são muitas vezes o último recurso, pois são formadas por gente da terra, com rosto e com sentimentos e que não merecem ser esquecidos, pois não esquecem as populações que representam.

A todos os trabalhadores das autarquias e a todos os eleitos de freguesia deste país, o meu muito obrigado. Sem o vosso trabalho estaríamos muito pior!

Nuno Miguel Fialho Cavaco
Presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira
Miltante do Partido Comunista Português

21.12.2020 - 19:16

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