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A cavalo dado…
Por Jorge Fagundes
Barreiro

A cavalo dado…<br />
Por Jorge Fagundes<br />
Barreiro Quando se tomou conhecimento de ter aparecido na China uma doença desconhecida provocada por um certo vírus, esse facto não foi merecedor de grande atenção, havendo entre nós uma figura responsável na área da saúde que afirmou, alto e bom som, que nunca chegaria a Portugal!

Mas chegou, não só a Portugal como a todos os restantes países que foram apanhados desprevenidos em termos de combater a doença COVID 19 que, de inicial epidemia , passou a pandemia.

Perante a mais do que provável hipótese de milhões de futuros infectados houve por parte das indústria farmacêuticas uma corrida contra o tempo no sentido de ser encontrada uma vacina apropriada e, vá lá, sem grande maldade, excepcionalmente lucrativa em termos financeiros.
Atá ao momento existem várias vacinas a ser comercializadas e aplicadas.

A União Europeia negociou vários contratos com empresas produtoras para fornecimento racional aos diversos países desta organização.
Segundo o disse o comentador Dr. Marques Mendes, por Portugal seriam adquiridas , entre as mais, seis milhões e novecentas mil doses da vacina AstraZeneca.
Ora, esta vacina, além de interrupções no seu fabrico e do não cumprimento das entregas nos prazos acordados tem sido controversa.
Por exemplo: deverá ou não ser ministrada a maiores de 65 anos?

Em sete países europeus (França, Alemanha ,Polónia, Áustria, Suécia, Itália e Países Baixos) não é recomendada a sua aplicação, mas em Portugal é usada.
Curiosamente, foi referida na imprensa uma afirmação do Bastonário da Ordem dos Médicos quanto a não a aplicar a médicos com mais de 65 anos!

A administração desta vacina foi suspensa recentemente em Portugal e em mais vinte países depois de serem conhecidos casos de reacções adversas graves ( aparecimento de coágulos sanguíneos em adultos vacinados).
A OMS estudou o assunto e concluiu, em decisão ainda não definitiva, que os benefícios desta vacina ultrapassam os riscos e recomendou a retomada da vacinação.
O que vai suceder em Portugal a partir da próxima segunda-feira.
Mas, face à desconfiança já existente, pode ser recusada a sua toma?

Com o argumento de que “o princípio no processo de vacinação é a não escolha da vacina, porque as vacinas aprovadas são igualmente boas e seguras” , quem recusar ser vacinado com a AstraZeneca perde a sua vez, vai para o fim da fila e, mesmo assim, não vai poder escolher e será imunizado com a vacina que estiver disponível na altura.

Contra esta teoria os médicos da Sociedade Portuguesa de Pneumologia vieram criticar, e muito bem, esta “coacção”, “chantagem” e “penalização” contra quem se recusar a tomar esta vacina.
Esta atitude de quem decide neste assunto sem se dar ao incómodo de encontrar uma via alternativa corresponde ao que diz aquele velho ditado português: a cavalo dado não se olha os dentes!

Jorge Fagundes

19.03.2021 - 17:02

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