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M.E.S.
Por Nuno Santa Clara
Barreiro

M.E.S.<br />
Por Nuno Santa Clara<br />
Barreiro Money, Ego, Sex, em sigla, MEX (Dinheiro, Ego, Sexo). Segundo a doutrina comummente aceite pelos servios de informao, so as trs grandes motivaes que levam deslealdade e traio. Para os amadores da Histria e das estrias de espionagem, esta sistematizao no novidade. A omnipresente ganncia, uns brios ofendidos, a pulso desenfreada, cada uma por si, ou combinados, do o caldo de cultura onde se alimentam os germes da infidelidade.

Decerto se tomam medidas para prevenir tais malefcios. Qualquer agente, civil ou militar, que tenha de lidar com matrias sensveis, escrutinado, analisado e examinado, como forma de prevenir desvios, e finalmente credenciado, ou seja, autorizado a manusear materiais classificados.

Os militares prestam o seu Juramento de Bandeira, que os vincula a um conjunto de obrigaes.
Ser que isto garante, a 100%, a desejada fidelidade? Nem por isso. Decerto se lembram do caso do funcionrio portugus que foi apanhado a passar informaes aos russos, depois de ter passado por todo este crivo.

Muito mais mediticos tm sido os casos americanos. Ainda recentemente, foi apanhado um casal que passava informao sensvel no domnio nuclear aos russos. Ou de uma parelha de sargentos, pai e filho, que vendeu os cdigos de comunicao ento Unio Sovitica.

Em qualquer destes casos, qualquer ideologia ou motivao altrusta andou ausente. O money foi o grande incentivo, embora tivesse talvez servido para alimentar as outras duas motivaes.

O curioso que os servios de informao se dedicaram afanosamente a espiolhar eventuais militncias polticas, inclusivamente nos campus das Universidades, e ningum viu que o padro de vida das criaturas no condizia com os vencimentos ou rendimentos conhecidos.
Ora, como diz o povo, quem cabritos vende e cabras no tem, de algum lado lhe vem
Entre ns, as cabeas bem pensantes decidiram consensualmente que a profissionalizao das Foras Armadas seria, entre outras coisas, uma garantia da tal fidelidade institucional. O recente caso Mirade veio pr em causa tais certezas.

No porque no se tenha obtido esse desiderato, mas porque o Mafarrico continua solta e o MEX no foi extinto. E, voltando sabedoria popular, a ocasio faz o ladro.

A nica coisa que o processo de acreditao garante a mo pesada da Lei, segundo o princpio da responsabilidade acrescida.

Responsabilidade que sempre individual, num pas onde reinem a legalidade e legitimidade. Portanto, falar no gangue dos Comandos tem a mesma falta de lgica que invocar o bando dos advogados, a camarilha dos padres ou de outras profisses.
Juntam-se nestas generalizaes trs condimentos. Comodidade, pelo chamado raciocnio por gavetas: os comandos, os padres, os funcionrios, so assim. Ancestralidade, porque ficou um resqucio de outras eras, em que um pensava por todos, e todos pagavam por um. Desonestidade, porque todos os meios so bons quando se pretende atingir um fim.

Nuno Santa Clara

01.12.2021 - 16:45

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