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Liberdade: um reflexo num espelho
Por Vera Silva
Barreiro

Liberdade: um reflexo num espelho<br />
Por Vera Silva<br />
Barreiro Hoje dia 25 de abril celebra-se em Portugal o dia da Liberdade, uma liberdade conseguida com o esforço daqueles que decidiram que estava na hora da mudança. A história é feita destes momentos de quebra de ciclos através da coragem. Uma coragem humana, baseada em vivências e factos de vida que culminaram com o sofrimento de muitos para estarmos onde estamos. Para estarmos onde estamos…

A verdadeira liberdade reside dentro do respeito por cada ser humano, na sua aceitação, na compaixão pelo mesmo, sem julgamentos ou críticas, sem risadinhas de incúria pelas escolhas que cada um faz. Se olharmos para um espelho e nos perguntarmos “sou livre”, que resposta teremos de nós próprios? Prisioneiros em hábitos individuais e sociais ainda temos de crescer muito como humanidade para sermos livres. A luta que ocorreu pelo dia de hoje, 25 de abril, não se reflete no que é praticado diariamente.
A liberdade também é ser humano na ajuda que se presta ao próximo e ter a mesma coragem de há 49 atrás para quebrar regras quando, no nosso dia a dia achamos que não estão corretas. Ter a escolha de poder tratar um ser humano com dignidade é liberdade. Somos livres na doença quando se trata de um enfarte, por exemplo, onde acode a emergência médica com todos os meios para tratar o doente com dignidade. Mas a sociedade está imersa na negligência de outras patologias, quando estas precisam de ser acudidas pela emergência médica. Quando toca à saúde mental e ao risco de vida envolto em traumas, o pedido de ajuda à emergência médica é respondido sem apoio digno adequado ao doente no local. A resposta desencadeada pelas entidades competentes reflete-se na autoridade (que fica de mãos e pés atados sem outras hipóteses, pois não tem os meios médicos adequados à situação para dar resposta condignamente) que se limitam a fazer o melhor que podem levando o doente algemado, como um criminoso, para o hospital. Provavelmente, serão exceções, mas o trauma que se cria em alguém já traumatizado que quer acabar com a vida, ainda é maior. Onde estão os cuidados de saúde com dignidade para com o doente? Gostava de acreditar que em cada um de nós existe a liberdade de mostrar o que está errado e ter capacidade de agir para outra grande mudança, tal como ocorreu há 49 anos. O que é facto é que com discurso ou sem discurso no dia em que no nosso país se celebra a Liberdade, ter usado algemas é um tema politicamente banal. O que não deveria ser banal são jovens com necessidade de apoio digno, porque como se diz são eles o futuro, serem algemados para serem transportados aos cuidados de saúde, agravando o ciclo de trauma em que vivem. Esta é a resposta de Liberdade, num país que se diz livre, que determinadas entidades de cuidados de saúde nos oferecem, apenas um reflexo num espelho.

Vera Silva

25.04.2023 - 08:46

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