colunistas

Eu e os outros: o que verdadeiramente importa
Por Vera Silva
Barreiro

Eu e os outros: o que verdadeiramente importa<br />
Por Vera Silva<br />
Barreiro Vamos olhar ao que verdadeiramente importa, ao que nos torna felizes e nos coloca no caminho onde devemos estar. Mais do mesmo, facto é que a aprendizagem não é feita. Por isso mais do mesmo. Apologistas da felicidade procuramo-la incessantemente onde não está na maioria das vezes.

Ainda hoje assisti a alguém passar de razia ao lado do meu carro, onde esperava pela passagem de uma ambulância. Perdoem-me se estou a ser injusta. Mas o que é que realmente importa? A vida humana não é de certeza. A felicidade é feita de momentos e jamais de uma totalidade. Se aquele pequeno momento de espera pela passagem da ambulância fosse a felicidade de alguém… pouco importa porque dificilmente calçamos os sapatos dos outros.

Corremos atrás do invisível, o tempo. A contagem do tempo criada pelo ser humano torna tudo invisível aos nossos olhos. Tudo é contado pelo tempo que nos controla. Conseguem imaginar que um segundo é demasiado numa vida? É verdade. Um segundo pode decidir se vivemos ou morremos. Mas deixamo-nos ir por esta contagem de segundos, minutos, horas que tornam o dia a dia num inferno. Dirão com certeza que se não chegar a horas aonde tenho de chegar serei penalizado. Mas se esses minutos contarem como os últimos, pouco interessa, porque nunca sabemos quando vai acontecer o final (ou talvez o recomeço, mas isso é outra história).

A correria por que todos passamos de manhã, de deixar as crianças na escola, correr para o trabalho, chegar a horas, pensar apenas que faltam umas quantas horas para estarmos de volta. Ir buscar as crianças (quando não são os avós), chegar a casa, banhos, jantar e está feito o dia! Fantástico conseguimos cumprir o invisível, o tempo. Dormimos (mais ou menos, verdade seja dita poucos são os que dormem bem) e no dia a seguir o dia repete-se à espera que chegue a sexta-feira (para quem não trabalha ao fim de semana). Chega a sexta-feira, crianças em casa, loucura total, desejosos que chegue a segunda-feira para que o ruído da brincadeira, das corridas pela casa e das gargalhadas tranquilize.

Pois é… e o que se faz com o tempo? Nada. Todos os momentos de trabalho, família, amigos, esperar, são preciosos. Jamais voltam, mesmo que os tentemos repetir nunca serão os mesmos. O tempo, contagem humana, vai passar e quando olharmos ao espelho da nossa realidade pensamos: “onde estive durante este tempo todo?”. Estivemos em todo o lado e em lugar algum.

Descansar faz parte das tarefas do dia a dia e dirão que não têm tempo. Mas um dia serão obrigados a descansar. A vida encaminha-se sempre no sentido daquilo que tem de ser feito, duma forma ou doutra. Tirar uns minutos para cada um de nós é importante, lembrem-se do que disse no início, os segundos contam e são cruciais, podem mudar uma vida inteira. Tudo o que dizemos, escrevemos, escutamos, pensamos é importante. A felicidade depende de tudo isso, dos pequenos momentos que todos juntos no fim serão a felicidade plena. Sermos bons para com os outros é bonito, mas sermos bons para connosco próprios ainda é mais. O outro não é melhor que eu se eu estiver bem comigo mesmo. O que sinto não está errado, se é amor sinta, aproveite, se é raiva deixe sair, se é tristeza sinta-a (também faz falta), se é erro perdoe-se. Seja humilde, aceitar o outro tal e qual ele é, mas seja humilde sobretudo para consigo. Aceite-se porque neste rebuliço de mundo onde nunca há tempo para esperar ninguém vai ser humilde para consigo.

Vera Silva

28.09.2023 - 10:27

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2024 Todos os direitos reservados.