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O discurso recorrente
Por Carlos Alberto Correia
Barreiro

O discurso recorrente<br />
Por Carlos Alberto Correia<br />
Barreiro Pois é! Fiquei hoje surpreendido ao ouvir o ministro das finanças do governo desta nova AD, afirmar que afinal o “superavit” do governo socialista era, afinal, um ”deficit”. Quero dizer, apenas como figura de estilo e para captar a vossa atenção e benevolência comecei deste modo.

É que, infelizmente, ao longo dos anos, assisti sempre ao discurso promissório das eleições, como à desculpa esfarrapada de quem as ganha – sempre a mesma – de que não poderiam cumprir as suas promessas por descobrirem que o governo anterior tinha pintado um relato cor-de-rosa da situação financeira legada ao presente.

Tanto é assim que, passe a publicidade, não resisti a trazer-vos um texto do meu romance “Momentos para inventar o amor” onde a personagem, depois de derrotar um ditador, no seu primeiro discurso â Nação diz, palavra por palavra, o mesmo que já o derrubado governante pronunciara.
Aqui fica ele para a vossa apreciação e digam lá se não é sempre a mesma canção?

“Cidadãos - dizia o homem forte, de bigode farto, óculos escuros, farda e dragonas de general, ar marcial, fala fluente – a desgraça caiu sobre o nosso país. Todos tivemos conhecimento de como homens corruptos, ambiciosos se apoderaram do poder, usando-o sem rebuços, em proveito próprio e das suas cliques, contra o nosso povo. Era necessário pôr fim a esse regabofe nojento, assente sobre os cadáveres dos nossos conterrâneos. Ao fim de muito tempo de porfiada luta, quis Deus dar-nos a vitória. Não fui eu que venci. Foi Deus, repito, quem assim o determinou. E isto porque é preciso que se faça justiça. Que a cada um seja concedida a sua parte e de cada um possamos receber a doação do melhor esforço para o ressurgimento desta grande nação, do seu glorioso passado, do seu antigo esplendor. Para isso vim, por isso lutei e, felizmente, foi-me pelo Altíssimo, concedida a vitória. Por tal estou hoje aqui, perante Ele e ante vós, para pôr, à vossa disposição o melhor de mim próprio. Não posso prometer riquezas. Prometo muito trabalho e justiça. Justiça na repartição dos alimentos, das casas, da saúde e, não se esqueçam, da educação que poderá transformar este país, de novo, no luzeiro de cultura e prosperidade de que tanto nos orgulhávamos. Reposta a paz, vamos ao trabalho para, engrandecendo-o, nos engrandecermos.
Este é o primeiro compasso, porque a seguir, entra a “canção do bandido”

Infelizmente tenho de continuar, por algum tempo, a pedir-vos sacrifícios. O perigo do exterior é visível. Os nossos vizinhos espreitam, nas fronteiras, o tempo do desfalecimento para nos reduzirem à mais mísera escravatura. Temos de resistir. Para tanto, por meu desconsolo, não posso mudar de imediato, como desejava, a distribuição dos resultados. Teremos de, por algum tempo, manter a quota de três quartos de produção para o custo da defesa e desenvolvimento. Sei que muitos ficarão desiludidos. Esperavam que, ao vencermos, desfizéssemos de imediato o mal causado pelo ditador em boa hora derrubado. Infelizmente não o poderemos fazer. Ao verificarmos as contas percebemos ser a situação económica pior que a revelada por esse governo de ladrões. Mas fica prometido! Será um período transitório e breve. Confiem em mim, como eu confio em vós!”

Por hoje é tudo e vão lá tendo paciência. Mais não digo!

Carlos Alberto Correia

03.05.2024 - 07:47

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