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Psicologia - Notas Reflexivas
VINCULAÇÃO E APEGO
(Notas sobre a vinculação segura)
Por Rui Grilo
Barreiro

Psicologia - Notas Reflexivas<br>
VINCULAÇÃO E APEGO<br>
(Notas sobre a vinculação segura)<br>
Por Rui Grilo<br>
Barreiro Era uma vez um pequeno passarinho que tinha acabado de aprender a sair do ninho. O mundo lá fora era grande, cheio de cores, sons e ventos curiosos. Ele queria explorar tudo, mas estava sempre a olhar para trás para ver se o ninho ainda ali permanecia...

No ninho morava a mãe, que não contia o seu filho passarinho o tempo todo, mas que também não desaparecia. Quando o pequeno passarinho piava, ela respondia... Quando ele se assustava, ela abria as asas... E quando ele se sentia forte, ela sorria e dizia: — Vai, eu estou aqui.

No primeiro voo, o pequeno passarinho foi só até o galho mais próximo. O seu coração batia rápido. Mas o galho balançou e o passarinho voltou rapidamente para o ninho. A sua mãe o recebeu-o sem o culpar e sem pressa. Apenas o acolheu.

E o medo foi diminuindo aos poucos...

Com o tempo, o pequeno passarinho percebeu algo importante: ele podia ir e podia voltar. O ninho não desaparecia quando ele se afastava. E, porque o ninho era seguro, o mundo ficou menos assustador... "

A vinculação é o laço emocional que se forma entre as pessoas, e que representam cuidado, presença e proteção. Não se trata apenas de afetividade, mas da construção de um mapa interno gerado a partir das primeiras relações e que influencia a forma como alguém se compreende a si proprio, percebe o outro e vive a intimidade ao longo da vida.

Segundo o psicanalista John Bowlby, a vinculação (apego) é um sistema biológico inato que motiva o ser humano desde o seu nascimento, a buscar proximidade de figuras cuidadoras quando percebe ameaça, desconforto ou necessidade de proteção. Não é apenas uma necessidade emocional, mas um mecanismo de sobrevivência.

Bowlby defendia que o bebê nasce programado para se vincular. Chorar, sorrir, vocalizar e procurar contato são comportamentos cujo objetivo passam por manter o cuidador por perto.

Quando essa proximidade é alcançada, a criança experimenta a sensação de segurança; quando é ameaçada, surgem sentimentos de ansiedade e protesto.

Assim, a vinculação regula emoções e oferece uma base para o desenvolvimento psicológico saudável.

A vinculação segura é desenvolvida quando o cuidado promovido pelo outro é suficientemente constante.

Não é perfeito, mas previsível. Não ameaça...

Quem revela este tipo de vinculação pode confiar: confiar que as suas emoções fazem sentido, e que a proximidade não implica perda de autonomia.
A segurança interna permite explorar o mundo e as relações com menos medo, bem como aceitar conflitos sem vivê-los como rupturas... e igualmente entender que o vínculo pode suportar falhas, distâncias e reparações.

A presença do cuidador funciona como um ponto de apoio a partir do qual a criança pode explorar o ambiente e, ao mesmo tempo, como um refúgio ao qual pode retornar em momentos de medo ou cansaço.

Já a vinculação insegura surge quando o cuidado é instável, imprevisível ou ausente. O que falta não é amor, mas coerência e estabilidade emocional.

Nesse sentido, a pessoa aprende a tornar-se excessivamente vigilante às reações do outro, à procura de constantes sinais de aceitação, ou de proteção pelo afastamento, evitando depender dos outros para não se decepcionar.

A insegurança não é uma escolha consciente, mas uma resposta adaptativa e aprendida para sobreviver emocionalmente em ambientes onde o vínculo não é garantido.


Rui Grilo - Psicologia & Notas Reflexivas

29.12.2025 - 17:39

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