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Não deixem os pombos poisar
Por Nuno Cavaco
Moita

Não deixem os pombos poisar<br />
Por Nuno Cavaco<br />
Moita A Câmara Municipal da Moita tem enfrentado a proliferação de pombos com medidas avulsas e comunicação intermitente que pouco resolvem. É um contraste evidente com períodos em que existia coordenação, limpeza regular de pontos críticos e resultados visíveis.

Havia método, havia ambição. Hoje, a resposta é fragmentada e reativa, deixando espaço público, património e moradores expostos a um problema que exige continuidade e rigor.

Sem diagnóstico georreferenciado, metas claras ou prestação de contas, qualquer intervenção está condenada a falhar. Os efeitos são conhecidos: ninhos que regressam, fachadas degradadas, drenagens entupidas e riscos sanitários que afetam a qualidade de vida e a imagem do concelho. Não falta conhecimento técnico; falta estratégia e trabalho consistente.

Impõe-se um plano municipal estruturado, assente em três pilares. Estratégia, com levantamento rigoroso dos pontos críticos, priorização por risco e medidas integradas que combinem prevenção, controlo não letal e, quando necessário, captura seletiva por equipas credenciadas. Transparência, garantindo informação clara sobre onde se intervém, com que meios, a que custo e com que resultados, através de relatórios regulares e instrumentos públicos de monitorização. Execução, porque sem calendário, objetivos e indicadores mensuráveis, qualquer plano não passa de intenção.

A resposta deve incluir também uma dimensão pedagógica e sancionatória. Alimentar pombos, muitas vezes visto como gesto inofensivo, é um dos principais fatores de proliferação e atrai outras pragas, como ratos. É preciso informar, fiscalizar e aplicar o regulamento, envolvendo juntas de freguesia, escolas e associações numa lógica de intervenção contínua.
Paralelamente, é essencial profissionalizar a resposta, seja contratando entidades especializadas, seja capacitando os serviços municipais com critérios técnicos claros. Só assim se evita repetir ações ineficazes e se garante que o investimento público produz impacto real.

Mas tudo isto perde credibilidade enquanto o sistema de recolha de resíduos continuar a degradar-se. A redução da frequência de recolha, a falta de manutenção dos equipamentos e o estado dos contentores não são acidentes, o resultado de uma política errada que agrava o problema. A limpeza urbana é irregular, e o lixo acumulado alimenta pragas, degrada o espaço e compromete a saúde pública. Varrição manual e lavagem de ruas deveriam ser serviços contínuos, não exceções, como acontece hoje.
A Moita não precisa de respostas de ocasião nem de gestão ao sabor da pressão mediática. Precisa de planeamento, execução e responsabilidade. Exigir limpeza urbana não é um detalhe: é defender saúde pública, dignidade e qualidade de vida. Se nada mudar, o resultado é previsível, pombos, ratos e baratas continuarão a prosperar onde falta vontade política para fazer o essencial, mesmo que se tente culpar tudo e todos para evitar assumir responsabilidades como este executivo tem feito nos últimos anos.

Nuno Cavaco
Deputado Municipal da Moita eleito pela CDU

24.03.2026 - 13:09

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