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Moita - Tomar Café com...Nuno Cavaco
Junta de Freguesia deu apoio a mais de 400 pessoas afectadas pelo COVID

Moita - Tomar Café com...Nuno Cavaco<br>
Junta de Freguesia deu apoio a mais de 400 pessoas afectadas pelo COVID<br>
. Próximas eleições autárquicas vão ser marcadas pelo populismo

. Parque Zeca Afonso, em três anos, mais de 3 milhões de euros na manutenção

. Terceira Travessia do Tejo é fundamental para a região

“O aeroporto do Montijo não vai avançar. Não acredito que António Costa queira, acho que foi obrigado devido às decisões do governo PSD”, afirma com convicção Nuno Cavaco, numa conversa enquanto se toma um café.

«Tomar café com...» vai ser um ponto de encontro com pessoas que vivem o tempo que vivemos, nas mais diversas áreas de actividades, pessoas que são rostos da cidade, do fazer cidade e cidadania.
Este vai ser um espaço de diálogo, de conversa, sem agenda, sem tema, uma conversa ao sabor de um café, num intervalo do quotidiano.
Iniciamos hoje este «ponto de encontro» que vai ser uma viagem que faremos com quiser de forma aberta e serena, partilhar um momento da vida, numa conversa para falar do tempo que vivemos.
O primeiro convidado para «Tomar um café com...» foi Nuno Cavaco. Marcamos o encontro ao fim da tarde de ontem, no Parque Zeca Afonso, um espaço que é uma referência na qualidade de vida da Baixa da Banheira e que, pela proximidade, são muitos lavradienses e barreirenses que, por ali, dão os seus passeios e fruem daquela beleza natural que une o espaço urbano ao Tejo.

Parque Zeca Afonso 3 milhões de euros na manutenção

Na conversa com Nuno Cavaco ficámos a a saber que, nos últimos três anos, a Câmara Municipal da Moita, com a colaboração da União de Freguesias da Baixa da Banheira e Moita, investiu mais de três milhões de euros na manutenção do Parque Zeca Afonso, em obras nas Piscinas e arranjos diversos no parque – “este ano, devido ao COVID foi menor a intervenção”, refere Nuno Cavaco.

Zona que ainda é propriedade privada

À entrada do parque, notámos que existe um espaço degradado que dá um mau aspecto. “Este espaço merecia ser tratado e, em vez de relvado, até podia ser uma zona de estacionamento e melhorar o acesso ao Clube do Rio”, comentámos.
“Não é possivel intervir aqui, este é um terreno privado. Está em fase de resolução com o proprietário, mas ainda não foi possível concluir. Espero que se resolva”, responde Nuno Cavaco.
“Pois, mas para quem não sabe, a ideia que fica é que esta é uma zona ao abandono”, sublinhamos.

Apoio a mais de 400 pessoas afectadas pelo COVID

Vamos caminhando, para nos sentarmos a conversar e tomar um café, no percurso vamos parando várias vezes. Um e outra pessoa vão saudando Nuno Cavaco, de forma amena e cordial, um ou outro refere – “Boa tarde, camarada”.
Uma cidadã espanhola saúda-o efusivamente, agradece o apoio e a colaboração que recebeu. Nota-se que fala de forma emocionada e fraterna – “Obrigado, pela sua ajuda num momento dificil. Não era obrigado a fazer tudo o que fez por nós.”, sublinha com um sorriso nos olhos.
Ainda não o referimos, Nuno Cavaco, é o Presidente da União de Freguesias da Baixa da Banheira e Vale da Amoreira.
Seguimos. Nuno Cavaco, comenta que a cidadã espanhola vive há pouco tempo na Baixa da Banheira – “O marido foi afectado pelo COVID, e nós na junta de freguesia demos todo o apoio no período que foram obrigados a viver em isolamento”.
O autarca salienta que a União de Freguesias tem vindo a assumir um importante papel ao nível do apoio social a familias devido ao COVID e situações de confinamento, é um trabalho que é feito em cooperação com os Serviços de Saúde e IPSS’s.
“É um trabalho aos sábados, domingos e feriados e todos os dias. Neste período a junta de freguesia já deu apoio directo a mais de 400 pessoas afectadas pelo COVID, quer devido ao confinamento, quer de outras situações relacionadas com situação social. Nesta segunda vaga, como as pessoas podem fazer compras a situação está melhor.”, refere Nuno Cavaco.
“Os números da pandemia no concelho da Moita não são muito maus se os compararmos com outras situações no país. Não podemos esquecer que as zonas de maior densidade populacional são as zonas mais afectadas.”, sublinha.

Terceira Travessia do Tejo é fundamental

Então e como vão as coisas aqui pela freguesia?- perguntamos.
“Nós somos uma micro região, a Baixa da Banheira, o Vale da Amoreira e o Barreiro, continuamos a sentir os efeitos da falta de acessibilidades. Somos prejudicados pela falta de uma ponte, pela inexistência da Terceira Travessia do Tejo. Esta falta coloca ao nosso território problemas de marginalidade territorial, na região. Perdemos competitividade, porque não temos condições de atrair empresas. Eu não perdoo aos autarcas do Barreiro o silêncio que têm tido nos últimos anos em relação à Terceira Travessia do Tejo. Este é um assunto essencial para o nosso desenvolvimento.”, refere Nuno Cavaco.

Aeroporto do Montijo não vai avançar

Vamos trocando opiniões. Fala-se um pouco de vários temas estruturantes, essenciais para ligar a Península de Setúbal à margem norte – “a tal Lisboa de duas margens”.
“O aeroporto do Montijo não vai avançar. Não acredito que António Costa queira, acho que foi obrigado devido às decisões do governo PSD. Ele era a a favor da retirada do aeroporto de Lisboa e da opção por Alcochete ”, afirma com convicção.
“É muito mau para a nossa região se avançar”, acrescenta.

Há silêncio sobre o Porto de Contentores do Barreiro

“Sabe uma das coisas que me preocupa é que hoje não há um plano estratégico para a região.
Por exemplo era importante que não se deixasse cair o Porto de Contentores no Barreiro, porque era um projecto estruturante para a região, que podia atrair emprego e ser um elemento importante para motivar o avanço da Terceira Travessia do Tejo e dar de novo uma dinâmica à vertente ferroviária.
Este foi um projecto muito dinamizado e empurrado pela gestão CDU na Câmara Municipal do Barreiro, que envolveu a APL e contou com o envolvimento dos governos do PSD e do PS, mas, a actual gestão do PS, na Câmara do Barreiro silenciou.
Esse entristece-me, só se pensa em coisas avulso, que têm outros interesses e não há um plano que aposte nos interesses da região. Isto são quase quatro anos perdidos”, sublinha Nuno Cavaco.

Próximas eleições autárquicas vão ser marcadas pelo populismo

Conversamos. Uma conversa que não é uma entrevista. É um diálogo. Deambulamos por diversos assuntos. A democracia. O confronto partidário. O diálogo. O respeito pelas diferenças. As redes sociais.
“Acho que as próximas eleições autárquicas vão ser marcadas pelo populismo. Mas, também acho que o populismo vai entrar em contra ciclo, já começou com a derrota do Trump. Isto vai ter que mudar. O combate politico tem que ser por ideias e valores, tem que existir o respeito pelo outro.”, refere Nuno Cavaco.

Diálogo entre o PCP e o PS era importante para a região

“O diálogo entre o PCP e o PS era importante para a região, para o concelho da Moita, para o concelho do Barreiro, procuramos discutir projectos importantes para a região. Hoje não se consegue discutir ideias para a cidade. Os autarcas do PS no concelho da Moita, deviam preocupar-se mais em defender os interesses da população”, salienta.

Admira o trabalho de Nuno Cavaco

Foi uma conversa aberta. Uma troca de ideias, muita coisa foi dita que ficou, por ali, ao fim da tarde, num dia de Novembro deste ano 2020.
Na mesa ao lado, um cidadão anónimo, esteve por ali, sentado, ouvia a nossa conversa, era um amigo de Nuno Cavaco. Por enfim, entrou na conversa. Disse – “Estava ali e ouvi parte da vossa conversa, gostei. Não sou politico, mas preocupo-me com as coisas.” . Refere que admira o trabalho de Nuno Cavaco, mas não defende o seu pensamento politico partidário, acrescenta – “como não defendo as ideias do meu irmão”. O irmão é um activista do Chega.
E, a conversa continuou, a três, com a presença do cidadão anónimo o Artur, que disse – “gostava de um dia passar umas horas numa conversa como a vossa”. Ficou combinado. Um dia vamos conversar.

A vida fica mais rica no confronto de diferenças

A vida na verdade é um percurso pelo tempo, esse tempo que partilhamos com as pessoas, e, nesse tempo que vivemos em diálogo, sentimos, sem dúvida, como a vida fica mais rica no confronto de diferenças. Afinal é isto a democracia.

António Sousa Pereira

19.11.2020 - 10:03

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