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«Realidade(s) e outras construções – contos, memórias e outras histórias»
Um encontro com raízes, ideologia, comunidade e solidariedade.

«Realidade(s) e outras construções – contos, memórias e outras histórias»<br />
Um encontro com raízes, ideologia, comunidade e solidariedade. Uma obra que nos faz pensar e sentir o valor da palavra solidariedade. O eu e o nós. Os eus e os tus que fazem o nós, no querer dar sem estar à espera de receeber, no fazer comunidade solidária.

«Realidade(s) e outras construções – contos, memórias e outras histórias», é uma obra de Manuel João Croca, alentejano, natural do Cabeção, concelho de Mora, que desde os dois anos fez de Alhos Vedros a sua terra, um acrtivista do Movimento Associativo, sócio fundador do CACAV – Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros.
Ontem acabei de ler esta obra publicado em Julho de 2020, com a estampa de Euedito.

A obra de Manuel João Croca poderia resumir-se nas palavras – raízes, ideologia, comunidade e solidariedade.
O encontro com as raízes é vivido na partilha das vivências do narrador com o peregrino, um encontro de acasos, como de acaso são muitas coisas na vida. A vida por vezes acontece e nós somos protagonistas de acontecimentos que fazem o nosso aqui e agora, é, isso que acontece naqueles acasos de descoberta de encontros que proporcionam uma viagem pelo concelho de Mora, pela aldeia do Cabeção.
O narrador faz-nos descobrir as suas raízes, sentir os cheiros, o sol, o cante alentejano, o lugar do começo da vida, onde se nasce e que inscreve uma matriz na nossa forma de olhar, sentir, pensar e amar o mundo.
Esta viagem pelo concelho de Mora, permite sentir a paisagem e as mudanças, no final do conto, ficamos com uma vontade enorme de partir rumo a Mora, para sentirmos as sensações e a descoberta das memórias da pré-história á história e á modernidade, sempre marcada por uma identidade inscrita no coração. A raiz.

A obra de Manuel João Croca não é uma biografia, mas sente-se que é, um pouco uma desocultação da interioridade do narrador -autor, que partilha nas estórias, os pensamentos interpretativos da vida, do seu olhar sobre a humanidade, os movimentos da história, as mágoas, os sonhos - esses de Abril sonhados -, as alegrias, inscritas em interpretações que não são neutras, pulsam no lado critico à exploração do homem pelo homem, pulsam com uma ideologia de valorização do humanismo. Um pensamento, até, marcado pela cosmicidade, esse lugar de paz e serenidade que só é possível encontrar no interior de cada um de nós, quando amamos a raízes que somos e unimos o que pensamos ao que fazemos. Sendo.

Uma história de comunidade, porque todos nós temos a nossa individualidade inscrita nas vivência da comunidade que somos, é isso, apenas isso, o homem e as circunstâncias. O associativismo. O prazer de ler. O ser mais forte que o ter.

Uma obra que nos faz pensar e sentir o valor da palavra solidariedade. O eu e o nós. Os eus e os tus que fazem o nós, no querer dar sem estar à espera de receber, no fazer comunidade solidária.
Os lugares que vivemos, estão inscritos nas páginas de «Realidade(s) e outras construções – contos, memórias e outras histórias» - Vale da Amoreira, Alhos Vedros, Barreiro. Os lugares. As pessoas.
O livro de Manuel João Croca lê-se com ternura, suavidade, é assim como que faz um viagem no tempo, descobrindo paisagens e desocultando a vida por dentro de outras vidas.

António Sousa Pereira

10.09.2020 - 20:21

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