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Barreiro - «As cores do amor» de Elvira Carvalho
Uma obra onde cada palavra é um fragmento da realidade

Barreiro - «As cores do amor» de Elvira Carvalho<br />
Uma obra onde cada palavra é um fragmento da realidade<br />
 A guerra. A paz. O amor. A esperança. Encontros. Desencontros. Acasos. Necessidades. Solidariedade. Xenofobia. Sim, esta novela -romance é um hino a tudo isto que faz, hoje e sempre, sentirmos que somos humanidade, caminhando rumo a um futuro que é, sempre, esperança num mundo melhor.

Hoje pela manhã, abri a caixa do correio e lá estava, como prometido, pela autora, o seu livro «As Cores do Amor», de Elvira de Carvalho, que desde Fevereiro está prometido, e, andamos para nos encontrar, mas, por diversos motivos, tal não se proporcionou, um dos mais graves foi eu ter marcado um encontro no Forum Barreiro, e, por não o ter devidamente agenda falhei, facto que mais uma vez, e, aqui publicamente fica o meu pedido de desculpas.
Estes tempos de COVID, vieram alterar completamente as relações sociais, os encontros quotidianos.
Mas, para além dos desencontros, acasos e esquecimentos, agradeço a amabilidade de Elvira de Carvalho, por me ter enviado o seu livro e, desta forma, me ter proporcionado a leitura da sua novela- romance.
Depois do café do almoço sentei-me a ler o livro de Elvira Carvalho. Uma escrita marcada pela simplicidade, pela pureza da palavra, os factos. Fui lendo e sentindo o calor das palavras, num mergulho por dento do tempo. Elvira Carvalho é sem dúvida uma contadora de histórias. Uma observadora da vida.
Comecei a ler após o almoço, após o jantar continuei. Acabei de ler neste momento e sentei-me para escrever este texto.
A leitura do livro foi um verdadeiro prazer. Ficamos presos às palavras à simplicidade da escrita, uma narrativa que nos envolve, pelo calor humanista, pelas situações, pelo mergulho na história. Sentimos pulsar Portugal nos anos do PREC. Os ditos retornados. Angústia. Sentimos as balas nas ruas de Luanda.
Um leitura que apaixona, parece que alguém está a relatar os acontecimentos na primeira pessoa, uma crónica, uma crónica-reportagem – esse ponto de encontro – onde o jornalismo toca a literatura, onde a condição humana se faz romance ou poema.
Uma história bem estruturada, limpa e pura, fica-se na dúvida se é uma autobiografia, ou uma novela que nasce na vida.
A leitura é cativante. O contexto é marcante. Uma escrita sem ‘rodriguinhos’, ali, cada palavra é um fragmento da realidade. Uma estória com paixão e com emoção, que estão vivas nos acontecimentos. É um texto gratificante, quem o lê fica humanamente mais rico.

Numa nota que acompanha o livro, Elvira de Carvalho, escreve- “eu só tenho a 4ª classe, mas sempre gostei de escrever”. E faz muito bem, este seu livro, é uma reliquia, uma sentir vivo, um contributo para que a memória não se apague, uma obra com riqueza antropológica e sociológica. Uma obra que nos diz, afinal, como a história da humanidade é a totalidade de muitas estórias de amor e de ternura.
A guerra. A paz. O amor. A esperança. Encontros. Desencontros. Acasos. Necessidades. Solidariedade. Xenofobia. Sim, esta novela -romance é um hino a tudo isto que faz, hoje e sempre, sentirmos que somos humanidade, caminhando rumo a um futuro que é, sempre, esperança num mundo melhor.

António Sousa Pereira

Nota- O livro é bilingue Português e Castelhano. É curioso e proporciona uma experiência emocionante. Percorri as páginas do texto em castelhano, e, senti deliciado o peso e a doçura das palavras de ‘nuestros hermanos’.
Elvira de Carvalho, nasceu em 3 de Setembro de 1947, na Azinheira Velha e vive no Barreiro.


29.12.2020 - 00:03

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