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Grilhetas da Apatia – Crónicas de Tellargya de Helder Martins
As palavras sem actos são inúteis.

Grilhetas da Apatia – Crónicas de Tellargya de Helder Martins<br />
As palavras sem actos são inúteis. É portanto, no balizar a história e a ética que vai ser a energia dos protagonistas, que o autor nos alerta e faz-nos pensar que a “verdadeira força está, não nas palavras, mas naquilo em que elas se formam como actos”.
Ou seja, não somos pelo que dizemos, somos por aquilo que fazemos. As palavras sem actos são inúteis.

Grilhetas da Apatia – Crónicas de Tellargya
de Helder Martins

Um dia Helder Martins começou a colaborar no jornal «Rostos» com artigos de opinião. O primeiro texto publicado foi no dia 23 de Dezembro de 2010.
Escrevia sobre respeito e honra, valores que considerava imperativos, no caso focava-se na prática de uma arte marcial – Kickboxing.
Escrevia sobre a sua primeira prova na modalidade, a saudação ao Mestre, o nervoso inevitável, a intensidade que viveu nos treinos, a vontade de vencer, persistência, perseverança, paciência, o carácter que se forma na prática da modalidade, recorda tudo até os socos, os pontapés, que contribuem para moldar a auto-confiança.

E, passado algum tempo, já no ano 2014, o Helder Martins, entra na minha vida dando-me a conhecer o seu primeiro livro "O Templo de Borkudan” , o qual trazia já, dentro de si, o desejo e o sonho de concretização de uma trilogia, agora concretizada, numa caminhada que quer fazer por dentro da literatura épico-fantástica, da qual Helder é um fã.

O Helder, a mim, que não sou fã, fez-me descobrir este género literário e, através desta escrita, reflectir por dentro dos seus livros, onde acabo por descobrir metáforas, viagens no imaginário, histórias épicas que se confundem e misturam com a nossa realidade quotidiana.
Um mapa de um país imaginário que, afinal, tem dentro de si as histórias e emoções do país e dos lugares que somos, subtilmente, nas entrelinhas, vamos encontrando os valores, a ética, o humanismo.

Escrito o "O Templo de Borkudan”, Helder Martins, feliz com o sucesso da sua primeira obra, parte rumo ao segundo volume, porque o seu sonho é ser um autor e criador de literatura do fantástico, um género que tem vindo a crescer em Portugal.

Recordo que numa apresentação do seu primeiro livro, numa manhã, no Café – Bar da SFAL, o Helder Martins comentava: “O país imaginário deste livro é o nosso dia-a-dia. O livro ajuda-nos a enfrentar os dias, a escolher, a decidir, o que queremos fazer, o que devemos fazer, para sermos melhores pessoas, é isso que procuro com estes meus livros”.
E, de novo, com essa força que conquistou no Kickboxing, que se diz - persistência, perseverança, paciência, de novo me encontrei com escrita épico – fantástica de Helder Martins, através do convite que formulou para apresentação do segundo livro dessa trilogia que se tornava realidade.
“A asa da consequência”, a segunda obra, cuja apresentação decorreu no Espaço Memória, no dia 31 de julho de 2016.

E, portanto, não sendo critico literário, nem um fã da literatura épico- fantástica, graças ao Helder Martins, tenho vindo a mergulhar nas páginas de uma escrita perfeita que ele constrói com criatividade apaixonante, com imaginação, com textos marcados de afecto e de rebeldia, histórias construídas num mundo que se agita, em confrontos e descobertas, histórias que nos fazem sentir o papel que cada um de nós pode, e deve ter, no fazer comunidade.
Os heróis da trilogia de Helder Martins são heróis que constroem futuro e fazem cidade. Sim, podemos dizer trilogia. Ela aí está real e concretizada, através desta obra que hoje é apresentada - «Grilhetas da Apatia – Crónicas de Tellargya».

Os dois livros anteriores disse, e volto a repetir, são obras que – “procuram dar importância ao papel da liderança, à acção da liderança, ao significado que deve ter na vida o atingir objectivos, a importância da resiliência, essa vontade que nos leva a percorrer os caminhos sem perder a esperança e em cada dia rejuvenescermos energias, com essa consciência que a acção individual é indissociável de um permanente trabalho de equipa.
Helder Martins é um escritor que sente e ama vida, se lerem os seus livros cuidadosamente, através dos seus mistérios e mundo imaginário, convivemos em cada capítulo com uma realidade cultural mítica, num convívio entre o ser humano e a natureza – uma natureza viva, que tem animais com emoções e sentimentos.
Afinal, é esse o mundo onde floresce a literatura do fantástico. Um mundo de metáforas, onde a imaginação não tem limites.
A lição que retirei da primeira obra - O Templo de Borkudan - foi que ele era um manual de autoajuda, um contributo para construir um mundo melhor, que começa por nos transformamos a nós mesmos. A mudança começa em cada um de nós.

A lição da segunda obra - “A asa da consequência” – foi perceber que a vida não tem limites, são muitas lutas, muitas batalhas, muitos desafios, são momentos de lazer, momentos de amor, momentos para sentir a paisagem que nos rodeia, e, sempre, cada instante, é um passo em frente, na descoberta do essencial que é preciso “viver até ao limite”, aquilo que sabemos que somos, o que somos e do que somos capazes.
A Asa da consequência é essa que nos faz voar, e, voar é preciso, porque é preciso viver até ao limite”, disse-o na sua apresentação.

E, cá estamos, com o livro terceiro que concretiza o sonho da trilogia – “Grilhetas da Apatia”, que, agora, sei, vai continuar...
O desafio desta obra dá continuidade ao que vivemos nas obras anteriores, uma viagem em busca de ser o melhor, e ser melhor…que, nesta obra começa com a pergunta : o que significa para ti ser «o melhor».
E a resposta que, ser o melhor é para nos protegermos de tudo – do desconhecido, do tempo, do imprevisto. É este o começo da viagem.
Uma viagem para iniciar o caminho aprendemos que é “o conhecimento que irá permitir a deslocação de um ponto para o outro”. O conhecimento. O saber. O ponto de partida.
Talvez por essa razão a história começa dentro de uma Biblioteca, feita de ilusões e mistérios.

Também aprendemos que para além do conhecimento, é essencial para aprendermos o nosso caminho, que não devemos permitir que invadam o nosso espaço, o espaço que somos, porque –“o espaço é um direito que nos define como indivíduos”. Somos seres únicos.

É portanto, no balizar a história e a ética que vai ser a energia dos protagonistas, que o autor nos alerta e faz-nos pensar que a “verdadeira força está, não nas palavras, mas naquilo em que elas se formam como actos”.
Ou seja, não somos pelo que dizemos, somos por aquilo que fazemos. As palavras sem actos são inúteis.

O autor, narrador da história, quer que se perceba com clareza que não basta ter conhecimentos, nem em afirmarmos a individualidade como espaço único que somos, se, na prática não existir uma relação activa e directa entre as palavras ditas, de forma que elas, as palavras, se transformem em actos.
Por fim o autor, recorda outra dimensão indispensável na vida de cada personagem e que é essencial à história, aquela realidade que se vasculha no bolso – a memória.
A memória, essa descrita de uma forma poética, que é – “um amanhã onde o ontem pudesse ser corrigido”.

É talvez por essa razão que nesta história descobrimos o significado da “ingratidão que é o tempo”, porque, afinal, é o tempo que permite sentir a existência e descobrirmos que cada um de nós é – alguém com tempo…dentro do tempo.

Portanto, lançados os dados estruturantes do pensamento conceptual de toda a história, ficamos conscientes que esta obra que encerra a trilogia de Helder Martin, deixa-nos como, lição que a vida constrói-se com: «Conhecimento», saber que se faz no «Espaço», com raízes na «Palavra», que é o principio de tudo, e tem sentido com raízes na «Memória».
Este é o contexto, expresso no Prologo, depois, começa a história, a história marcada de magia, ilusões, uma história que é a história de cada um e da comunidade, uma história que é um combate permanente para ser melhor, por ser melhor e, com a acção de cada um conquistar e fazer um mundo melhor.
Percebemos que o primeiro combate é com a natureza, com os nossos monstros interiores, sombras e medos, fome, resignação, lágrimas e sorrisos.
A luta do Mago. Magia. Ilusão. Realidade. As lutas. As dores. Momentos de paz. O sobrenatural e o natural.

Cada capítulo tem dentro de si uma moral, um passo pelas emoções da vida. Vale a pena ler, reflectir e por dentro da beleza das palavras de uma literatura épico – fantástica, bem escrita, rigorosamente bem escrita, de forma límpida e sem pruridos, descobrirmos quem somos.
Esta trilogia de Helder Martins é, sem dúvida, uma lição de humanismo e humanidade.

Parabéns.

António Sousa Pereira
Barreiro, 27 de Novembro de 2021


06.12.2021 - 16:35

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