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Barreiro - «Se fosse tão simples assim» de Emanuel Góis
Um Tratado de Direitos Fundamentais entrelaçado num Tratado de Emoções e Sentimentos, afirma Ana Luísa Conduto

Barreiro - «Se fosse tão simples assim» de Emanuel Góis<br>
Um Tratado de Direitos Fundamentais entrelaçado num Tratado de Emoções e Sentimentos, afirma Ana Luísa Conduto No Auditório Manuel Cabanas, na Biblioteca Municipal do Barreiro, ontem à tarde, decorreu a apresentação do livro «Se fosse tão simples assim», de Emanuel Góis. A obra foi apresentada pela barreirense Ana Luisa Conduto, Psicóloga/ Jurista.

"Na sua obra mostra-nos a liberdade e como ele é bela, motiva-nos a lutar por ela, mas alerta-nos para os perigos da manipulação do uso dos Direitos, para os perigos das políticas do medo ",, sublinha Ana Luísa Conduto.

Ana Luísa Conduto, editou na sua página de Facebook, o texto que resultou do seu »mergulho», pelo livro de poesia de Emanuel Góis – “Se fosse tão simples assim».
E, com o nosso agradecimento, aqui fica o texto integral de Ana Luísa Conduto, a sua apresentação da obra poética do colunista do jornal «Rostos», Emanuel Góis.

“Se fosse tão simples assim”.

“Estou grata por aqui estar! Não só por aqui estar convosco hoje, mas também por ter chegado até aqui, ao ponto de alguém, como o Emanuel Gois, que admiro intelectualmente mas também pela sua coragem de voar e humildade e generosidade de nos deixar voar com ele através das suas obras, me confiar a apresentação deste seu livro.
É honesto da minha parte partilhar convosco, algo que poucos saberão, a poesia há muito que tem um papel na minha vida, ora é um catalisador e um disparador de pensamentos, ora é uma fonte de esperança de compreender algo que me atormenta, é como um dicionário de respostas a questões tantas vezes sem resposta.

O encontro com arte é sempre um exercício projetivo, onde tudo conta, quem somos, o que somos, o que gostaríamos de ser, o que vivemos, o que sonhamos em viver, os nossos desejos, os nossos segredos…É isto que hoje vos trago, uma parte deste meu encontro com esta obra de arte.
E apenas uma parte porque? Porque tal como o Emanuel escreve, muito melhor do que eu agora o direi, o Direito ao Silêncio é um direito meu!
Este livro, é na verdade um Tratado de Direitos Fundamentais entrelaçado num Tratado de Emoções e Sentimentos.

Nestes 46 poemas, encontramos várias abordagens ao Direito à Liberdade, ao Direito ao livre desenvolvimento da personalidade (Chegamos tarde; Por mais estranho que pareça; Desisti de me encontrar; Nas mãos seguro; Só queria ter tempo; Fui; Circunstâncias).
Encontramos o debate do Direito à vida e do Direito à morte (A Gente não para), da colisão de direitos, desses e de outros (cansei).
Reflete e apela ao empoderamento feminino, aos Direitos das mulheres, à sua liberdade, ainda aprisionada nos preconceitos (Gostaria de saber cantar; Quem és tu mulher).
Aborda os Direitos Sociais e o desequilíbrio do elevador social (Nas vidas sem sorte; Ali vai Maria da Luz; Circunstâncias).

Na sua obra mostra-nos a liberdade e como ele é bela, motiva-nos a lutar por ela, mas alerta-nos para os perigos da manipulação do uso dos Direitos (Dão-nos um tabuleiro), para os perigos das políticas do medo (Porque vieste sonhador?; Pediram-me para esperar).
Mas onde o autor me surpreende não é naturalmente ao abordar os temas da sua vida profissional, os Direitos Fundamentais, onde ele me surpreende é na forma como os entrelaça com um Tratado de emoções e sentimentos, e aborda: A resiliência (Deixa cair), a inteligência emocional (Solta a semente que há em ti), a culpa (Pode ser que aconteça; De corpo curvado), o amor próprio (Não sei; Por uma única vez), a necessidade de segurança emocional (Há um encanto) que pode passar pela solidão, a importância da procura por nós próprios (Desisti de me encontrar), e a vergonha que cultivamos no sentir, no sermos seres também emocionais (Como por acaso; Quis o acaso) alimentada pela propaganda da desejabilidade social.

No meio de tanto, o autor ainda nos permitir refletir sobre a pandemia, não só a que levou ao confinamento social, mas também aquela discreta que tantas vezes nos confina só a nós (Constroem-se muros; Sinto frio na minha rua).
Alertou-nos para a Guerra, para os que matam, para os que morrem, e sublinhou a dor e o desespero do luto sem corpo, vivido agora na guerra, mas também durante a pandemia quando não nos foi permitido despedir dos nossos entes queridos (Era uma vez; Vértices Triangulares).
Termina a sua obra com o mais importante a esperança (Adormece o dia) e a sua disponibilidade e generosidade para contribuir para estas necessárias mudanças (Se fosse tão simples assim).
Obrigada Emanuel, pela confiança, mas sobretudo pela oportunidade de ver e sentir tantos gatilhos de pensamentos e ideias a disparar em mim”.

Ana Luísa Conduto
Barreiro, 25 de Junho de 2022



26.06.2022 - 19:45

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