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Barreiro – Romance «A Caneta Infeliz», de Carlos Alberto Coreia
É, talvez, isso: “movemo-nos em linha de montagem”…na sobrevivência.

Barreiro – Romance «A Caneta Infeliz», de Carlos Alberto Coreia<br />
É, talvez, isso: “movemo-nos em linha de montagem”…na sobrevivência. Um romance que permite pensar o tempo e como na vida, entre os sonhos e o real, o acaso, as circunstâncias, deixam sempre uma porta aberta para sonhar, e perante todo e qualquer libelo que silencie a memória, restarão sempre os livros, e, talvez, a poesia que ficam como um grito para além do... “não ser da eternidade”. A morte é o infinito.
«A vida engole o Álvaro. O Álvaro engole a vida.», afinal a morte é o infinito!


Romance «A Caneta Infeliz», de Carlos Alberto Coreia

Li o romance «A Caneta Infeliz», de Carlos Alberto Coreia, já lá vai algum tempo. E só hoje, optei por escrever uma nota comentário sobre o romance.
Recordo, que a seu convite participei num jantar, em Junho, ali, em Casquilhos, no Restaurante «Pega e Leva», onde o meu amigo regulamente almoça com um grupo de professores e amigos. Esse encontro- jantar teve por finalidade apresentar o romance e dar um abraço a Duarte Barreiro.

Carlos Alberto Correia, na abertura do seu romance, sublinha que Duarte Barreiro, proprietário do restaurante, num desses almoços regulares, teve dificuldades em utilizar a sua esferográfica, e, nessa situação, terá utilizado a expressão: “Eta! Caneta Infeliz!”.
E, foi assim, por um mero acaso da vida, que nasceu o título do romance : “A caneta infeliz”.
Nesse jantar, de forma espontânea, no meio de palavras que se cruzavam, escrevi um texto, através do qual pretendi expressar a minha visão da leitura do romance de Carlos Alberto Correia, que tinha acabado de ler no dia anterior, e, dessa forma dar o meu abraço de gratidão ao escritor, agradecendo-lhe de forma simbólica a agradável a leitura que me proporcionou e a viagem pelas estórias que fazem a história da condição humana.
O texto que escrevi, na tolha da mesa, e ofereci ao Carlos Alberto Correia, a propósito deste seu 3º romance, foi este que transcrevo:

O Álvaro tem um sonho.
A vida é uma tragédia.
O Álvaro vende o sonho.
A vida consome o Álvaro.
O Álvaro hipoteca o sonho.
A vida engole o Álvaro.
O Álvaro engole a vida.
É vida!

O romance de Carlos Alberto Correia é, na verdade, uma lição de vida, sobre a vida. A vida onde somos trucidados. A vida que erguemos sempre que desobedecemos. A vida como diz Álvaro, onde, “movemo-nos em linha de montagem”. A vida é dura. As circunstâncias. Os gritos. Os sonhos. A vida nas cidades, nas empresas, na nossa rua, em cada rua feitas de estórias e de silêncios. Escolhas. Uma sociedade que, cada vez mais nos obriga a viver o tempo do já, como Álvaro recorda a sociedade moderna, não tem tempo para leitura ou escrita – “funcionamos em circuito fechado”.

O romance «A Caneta Infeliz» fala-nos de tudo o que somos e de todos os temas que fazem o tempo que somos. Talvez, cada um de nós, se encontre, em mimesis, nos contextos, nos factos, nas memórias de antes de Abril, ou até mesmo depois de Abril.
Um romance que através das circunstâncias, dos sonhos do Álvaro, ou até de projectos da comunidade, de jogos políticos, de conceitos culturais, de lutas e diálogos, os partidos, as relações humanas, o prestar serviços, a submissão, os tormentos, as depressões, as prisões, as fugas, a emigração, a clandestinidade, o amor, a memória, a consciência e outras questões, afinal, um romance onde está de forma plena, em totalidade, a vida das gentes do meu país, nesse tempo que Abril estava por nascer, e, nas conversas com palavras sussurradas, a tocar nos nervos, foram-se inscrevendo no quotidiano, ao longo do tempo e das vidas vividas e matadas, todas as sementes que continuam a germinar, nos dias de hoje, nas angústias de um Portugal por cumprir e na individualidade de cada um quando pára e pensa a busca de um sentido para a vida.

Neste romance sentimos as ideias borbulhar nas estratégias e tácticas que consomem a vida, embrulhadas em ideologias, que são meras coberturas de chocolate. Há sempre alguém que como o bolo – na resistência ou na Liberdade.
É por tudo isso que, na realidade : “A vida engole o Álvaro. O Álvaro engole a vida.”

O romance de Carlos Alberto Correia é sobre tudo isto, sobre o preço da vida, das vidas que se compram e se vendem, sobre as ideias que se esgotam nos esgotos, das quezílias barulhentas da sobrevivência, uma viagem pura e dura, por dentro da beleza dos sonhos e da tragédia da própria vida.
Um romance que permite pensar o tempo e como na vida, entre os sonhos e o real, o acaso, as circunstâncias, deixam sempre uma porta aberta para sonhar, e perante todo e qualquer libelo que silencie a memória, restarão sempre os livros, e, talvez, a poesia que ficam como um grito para além do... “não ser da eternidade”. A morte é o infinito.
«A vida engole o Álvaro. O Álvaro engole a vida.», afinal a morte é o infinito!
É, talvez, isso: «movemo-nos em linha de montagem»…na sobrevivência.


António Sousa Pereira

Nota – O romance «A Caneta Infeliz», de Carlos Correia, pode ser adquirido no Amazon.com.br

https://www.amazon.com.br/Carlos-Alberto-Correia/e/B07K14R2MS%3Fref=dbs_a_mng_rwt_scns_share />

17.09.2022 - 18:44

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