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Um Amor em Abril
(conto)
Por Jorge Fagundes
Barreiro

Um Amor em Abril<br />
(conto)<br />
Por Jorge Fagundes <br />
Barreiro No dia 25 de Abril de 1974, após a saída do barco, chegaram ao Terreiro do Paço que estava cheio de forças militares e foram aconselhados a voltar para o Barreiro.
Resolveram não o fazer, e como debaixo das arcadas s encontravam muitas pessoas a elas se juntaram.

Num dos primeiros dias de Fevereiro de 1974, Paulo Jorge e Ana Isabel,por mero acaso, ficaram sentados, lado a lado, no barco Barreiro-Lisboa das oito e um quarto.
Disseram bom dia, ele começou a ler um jornal diário e ela uma revista feminina.

No dia seguinte, quando Ana Isabel entrou no barco o lugar ao lado de Paulo Jorge estava vago e ela, depois de dar o bom dia, ali se sentou. E começaram a conversar, assim ficando a saber que ele morava no Barreiro Velho e ela no Alto do Seixalinho.
E que ambos estavam empregados na Baixa lisboeta, ela como secretária numa empresa de comércio e ele como empregado bancário.

A partir de então ficaram sempre sentados lado a lado, conversando sobre assuntos diversos e, naturalmente, sobre as vidas deles próprios.
Ele, com vinte e cinco anos de idade, ela com vinte e três, festejando os seus aniversários, ele em Junho (signo Gémeos), ela em Dezembro (signo Sagitário).

E com ideias muito coincidentes, designadamente quanto aos filmes preferidos, às peças de teatro e às leituras de obras dos mesmos autores.
Assim se estabeleceu uma amizade especial entre ambos, chegando, uma vez por outra, a irem lanchar à Confeitaria Nacional.

No dia 25 de Abril de 1974, após a saída do barco, chegaram ao Terreiro do Paço que estava cheio de forças militares e foram aconselhados a voltar para o Barreiro.
Resolveram não o fazer, e como debaixo das arcadas s encontravam muitas pessoas a elas se juntaram.
E foram assistindo ao desenrolar dos acontecimentos e mais tarde, ouvindo falar a seu lado do assunto, foram direitos ao Largo do Carmo, onde permaneceram muito tempo em conjunto com a multidão que ali se foi concentrando.
No regresso ao barco Lisboa-Barreiro já vinham de mãos dadas.

Em Setembro seguinte casaram na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro.
E hoje, quarenta e seis anos depois, afastados dos filhos e dos seus dois netinhos devido ao isolamento por causa da pandemia, vão estar, pela três da tarde, na sua varanda a cantar Grândola Vila Morena!

Jorge Fagundes


25.04.2020 - 20:21

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