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Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da Moita.
Queremos preservar o património da cultura ribeirinha de forma viva

Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da Moita.<br />
Queremos preservar o património da cultura ribeirinha de forma viva. Um produto turistico importante

. Proporcionar cursos de formação

“Nós temos uma aposta grande de preservar este património, mas queremos preservá-lo de forma viva, queremos o Tejo vivido, queremos os barcos a navegar, queremos que a construção naval em madeira tenha continuidade”, sublinhou Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da Moita.

O IV Encontro de Culturas Ribeirinhas, tendo como tema de reflexão a construção naval tradicional, decorreu este fim-de-semana, promovido pela Câmara Municipal da Moita.
Um encontro que uniu representantes de diversos pontos de Portugal e Espanha.
“Estes encontros não têm data marcada, mas não vai demorar muito tempo que não façamos o próximo”, referiu ao jornal «Rostos», Rui Garcia, Presidente da Câmara Municipal da Moita.

Opção estratégica de preservação do património

Nas suas declarações, Rui Garcia sublinhou que a realização regular dos Encontros de Culturas Ribeirinhas, são o resultado de – “uma opção politica estratégica de preservação do património, da importância das politicas culturais ligadas à cultura ribeirinha, de tudo o que tem a ver com as origens do povoamento do nosso território”.

Queremos os barcos a navegar

“Nós somos um concelho onde as nossas raízes mais remotas estão ligadas ao rio, ao tráfego e ao transporte fluvial, foi essa a origem e foi essa a principal actividade económica, até aos inicios do século XX, e, portanto, nós temos uma aposta grande de preservar este património, mas queremos preservá-lo de forma viva, queremos o Tejo vivido, queremos os barcos a navegar, queremos que a construção naval em madeira tenha continuidade”, sublinhou Rui Garcia.

Não estamos sozinhos

“Sabemos que não estamos sozinhos nesta cultura de preservação das actividades ribeirinhas, porque esta cultura está disseminada por diversos pontos do território do país que, como nós, vivem problemas semelhantes.
Estes encontros servem também para isso, para nós trocarmos experiências, termos contactos com outros, conhecermos projectos que se realizam noutros locais, e, percebermos todos juntos como podemos encontrar os melhores caminhos.
Desta vez, tivemos a presença de projectos portugueses, de outros municipios, nomeadamente de Vila do Conde, Murtosa, Estarreja e Sesimbra, como tivemos a presença de representações de Espanha, vindas do País Basco e da Galiza, que nos apresentaram projectos muito interessantes neste âmbito de preservação das técnicas de construção naval e de manter vivos os barcos tradicionais”, disse.

Continuar a ter a construção em madeira

“No encontro deste ano o tema central foi a construção naval, a importância de preservar as técnicas, não só do ponto de vista da memória, mas preservá-las como factos vivos. A importância que continuam a ter a construção em madeira, por exemplo, um dos aspectos realçado no colóquio do encontro, foi que os barcos de madeira, são barcos do ponto de vista ambiental, do ponto de vista da sustentabilidade, não têm comparação com outros construídos à base de fibras e produtos sintéticos.
Nós precisamos de olhar para a construção de barcos em madeira de outra forma, não como uma coisa artesanal e antiga, mas sim como um método moderno, de termos embarcações duradouras e ambientalmente sustentáveis.”, sublinhou o autarca.

Um produto turistico importante

“Este encontro mostrou que sobre esta matéria há vários caminhos, através dos exemplos que foram apresentados, por Vila do Conde, ou por Sesimbra, embora neste caso com uma vertente mais museológica, mas, em ambos os casos, experiências ligadas a uma actividade que continua a ter uma grande importância na actividade económica nesses concelhos, que é a pesca, registam a importância de ter barcos de pesca, alguns ainda em madeira, e, com a construção de barcos para a frota pesqueira, ainda é economicamente viável, nestes concelhos há essa preocupação com a construção naval.
Mas, noutras zonas, como nós no estuário do Tejo, ou como os nossos convidados da Ria de Aveiro, essa actividade económica já não existe, o que existe, hoje, é um lazer e a possibilidade de ser uma actividade desenvolvida como um produto turistico importante, e, estão a ser dados passos nesse caminho, nestes casos, quer nós, quer a Ria de Aveiro, a questão da construção naval apresenta as mesmas dificuldades, quer de captar jovens para aprender os oficjos, quer dificuldade de ter sustentabilidade económica nos estaleiros, porque o mercado está reduzido, e, neste casos é dificil manter. No entanto, alguns caminhos vão sendo apontados com a colaboração indispensável das autarquias, com as formas associativas entre os próprios estaleiros – o exemplo que veio da Galiza – e, aquilo que se percebe é que há muitos caminhos que vão sendo desbravados”, referiu Rui Garcia.

Proporcionar cursos de formação

“Aqui, no estaleiro de Sarilhos nós temos procurado, quer através do Instituto de Emprego e Formação Profissional, quer através de Escolas Profissionais, temos procurado encontrar possibilidades de serem proporcionados cursos de formação, seja de curta duração, seja mais longa, que formem pessoas nos oficios, na carpintaria naval e na construção.
Não é um caminho fácil, exactamente porque as saídas profissionais são escassa, por isso, não é área que facilmente se atraia jovens.
Mas, com o investimento no interesse da sustentabilidade e das garantias que pode dar através da participação e envolvimento das autarquias, provavelmente podemos encontrar algumas soluções.
Foi isso que vários municipios, neste encontro, trouxeram ao divulgar as suas experiências, caso da Murtosa, Estarreja, Sesimbra, a própria Moita.”, salientou.

Manter este património vivo

“Este encontro permite percebermos que não estamos sozinhos nesta nossa luta por preservar esta cultura e este património, que há projectos muito interessantes a serem desenvolvidos em vários pontos, percebemos que há uma troca de experiências e aprendizagem a fazer, ficaram ideias e pistas para continuarmos a aprofundar o que temos vindo a fazer e criar condições, de facto, para que este património se mantenha vivo.”, salientou o Presidente da Câmara Municipal da Moita.





29.10.2019 - 10:31

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