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Candidato do PS à Presidência da Assembleia Municipal do Barreiro
André Pinotes – a habitação precisa de um pacto

Candidato do PS à Presidência da Assembleia Municipal do Barreiro<br />
André Pinotes – a habitação precisa de um pacto Em Portugal para definir a caracterização ideológica, afirma André Pinotes, há três partidos - é o Partido Socialista, Partido Comunista e Iniciativa Liberal- “são os três partidos que conseguimos posicionar ideologicamente. Os outros partidos são um bocadinho híbridos do ponto de vista ideológico”.

Neste ciclo de conversas com todos os candidatos à presidência da Assembleia Municipal do Barreiro, a terceira conversa que agendamos, ali no Café Bar da SFAL, a mais antiga colectividade do concelho do Barreiro, foi com André Pinotes, candidato do Partido Socialista.
André Baptista Pinotes, é natural do Barreiro, tem 37 anos.

Eu procuro ser pelos meus actos

A primeira nota que temos vindo a colocar nestes encontros a tomar um café, tem sido colocar um desafio aos candidatos, que se apresentem, que respondam: Quem sou?
“Há medida que o tempo vai passando vou tendo mais dificuldades em definir-me a mim próprio. Na minha juventude tinha muitas certezas sobre mim. hoje em dia, em vez de me definir a mim próprio, gosto mais de olhar para as pessoas que são referências para mim, na vida politica, na vida pessoal, na vida profissional. Gosto mais de me ver ao espelho nos olhos delas, para perceber quem é que eu sou”, começa por salientar André Pinotes.
Refere que nós somos muitas coisas, em muitas circunstâncias diferentes – “não temos uma unidimensão, somos uma coisa na vida pública, somos uma coisa na vida privada. Eu procuro ser pelos meus actos mais que pelas minhas palavras, passe a modéstia, jeito para as palavras terei, mas, quanto mais domino a arte da retórica, mais eu acho que aquilo que nos define, não é o que nós dizemos de nós próprios, não é o que os outros dizem de nós próprios, é o bem que nós fazemos aos outros, na politica, na família, na actividade civica, no condomínio”, acrescentando, “eu cada vez mais, não digo quem é que sou, porque não sou capaz de o fazer, digo o que é que eu tento ser”.

Sou um social democrata

Salienta que tenta ser um bom pai, um bom filho, um bom servidor público- “tento, ser pela acção e não pela palavra dita”.
“Sou um social democrata”, afirma, porque considera que o mercado livre é uma ameaça à liberdade, direitos e garantias das pessoas, não se autorregula.
Refere que a iniciativa privada pode ir à procura do lucro, desde que salvaguarde o bem comum – “é aí que a social democracia entra”, para evitar os interesses mais selvagens do capitalismo, daquilo que são os direitos da dignidade humana, acrescenta que também não acredita no capitalismo de estado.
Ouço pessoas dizer que são sociais democratas e penso – “este tipo não é social democrata”, hoje, sublinha “parece que toda a gente é social democrata”, reforçando que, aqui, no Barreiro, há quem se diga social democrata e nada tem a ver com a social democracia.

Um grande gozo estar na vida pública

Em Portugal para definir a caracterização ideológica, afirma André Pinotes, há três partidos - é o Partido Socialista, Partido Comunista e Iniciativa Liberal- “são os três partidos que conseguimos posicionar ideologicamente. Os outros partidos são um bocadinho híbridos do ponto de vista ideológico”.
Refere que tem sido “um grande gozo estar na vida pública ao longo destes anos, a vida pública tem me oferecido o privilégio, e é mesmo um privilégio de desempenhar funções que nunca pensei desempenhar, quer na poltica, quer noutras intervenções públicas que tenho, e que têm feito que eu tenha uma visão muito diferente do mundo. Continuo a agarrar-me à ideia que “o homem é bom”, acrescenta que a vida sobre essa sua crença tem gerado dúvidas, mas o modelo que o apaixona é esse de o homem ser bom – “o desenho do homem é mau, é um desenho autoritário, é um desenho de condicionalismo, que a mim me assusta, que a mim repele-me essa teoria do homem mau.”

Democracia é uma zaragata saudável

O segundo tema da nossa conversa foi em torno do conceito de democracia. “A democracia é uma zaragata saudável. É uma zaragata com respeito. Não é uma zanga. Uma zanga é para inimigos. Uma conversa de concordâncias é para osdiplomatas. Os políticos têm que ter um bocadinho de diplomatas e um bocadinho de guerreiros, mas, não são nem guerreiros, nem diplomatas, são políticos.”, salienta.
Refere que, na Assembleia Municipal do Barreiro, gosta de discutir com José Paleta, do PCP, é um homem de quem discorda 95% ou 99%, do que ele diz, mas sente que tem honestidade intelectual na discussão.
Como presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, recorda que prestou uma homenagem a todos os seus antecessores.
Refere que a criação da «conferência de líderes», foi uma lição que contribuiu para a definição do modelo de funcionamento da assembleia, que conta com a colaboração de todos os partidos.

Foram quatro anos muito plurais

Manifesta a sua satisfação por a Assembleia Municipal do Barreiro ter recebido uma Menção honrosa, atribuída pela Associação Nacional de Assembleias Municipais, em resultado das suas boas práticas democráticas.
“Foram quatro anos muito plurais”, refere, valorizando o diálogo entre forças politicas como positivo, e, acrescentando que nunca sentiu que perdeu autoridade por manter o diálogo com todos.
“Foram quatro anos de muito debate politico”, sublinha
Recordou que nos tempos de pandemia procurou manter o espaço de participação do público.
Não considera que a Assembleia tenha perdido centralidade no debate de ideias na vida política local, considera, até, que aumentou a sua presença na vida local com a transmissão das sessões públicas por via on line. No entanto, reconhece que a Câmara ganhou bastante centralidade na vida politica local, que não tinha anteriormente.

Barreiro um dos maiores amores que eu tenho na vida

A finalizar a sugestão foi falar sobre o Barreiro, o candidato do PS, referiu - “O amor que eu sinto pelo Barreiro é de um dos maiores amores que eu tenho na vida, mas eu não coloco isso como uma questão partidária. Eu não sou mais socialista, nem mais democrata, nem menos democrata, por amar o Barreiro. Eu acho que amo o Barreiro, como tu amas o Barreiro, e como há outras pessoas que amam o Barreiro.”.
“Não há nada que me dê mais prazer que estar a envelhecer ao aldo do meu pai e andar a caminhar com ele pelo Barreiro. Andamos 5 km por dia.”, sublinha.
Salienta que a vivência da “minha cidade dá-me gozo”, como ao regressar da Assembleia da República e ir dar um banho no Tejo, junto ao Bar do Bento – “gosto de levar a minha filha, gosto de levar o meu pai. É a minha praia.”.
Uma praia que hoje tem qualidade, que é fruto de trabalho de muitas Câmaras, de muitos governos e esta Câmara também fez ali trabalho – “o amor ao Barreiro, não é um amor para cantar, é um amor para se ir vivendo”.
“Eu gosto do frenesim do Barreiro”, disse, acrescentando, que uma pessoa de Almada, ou do Seixal, quando lhe perguntam donde é, respondem que são de Lisboa, enquanto uma pessoa do Barreiro, em qualquer lado do mundo responde – “Sou do Barreiro!”
Refere que a terra reconhece em pessoas, como Nuno Banza, Sofia Martins, André Antunes, Durval Salema, pessoas que amam o Barreiro, como ele ama, e, isso não faz dele mais politico que os outros – “o gostar do Barreiro não é um factor para votarem em mim, tenho é que fazer é que esta terra, seja uma terra onde a minha filha vai conseguir continuar a viver”.

Braamcamp foi um fenómeno super empolado

“Os partidos todos, independentemente dos resultados que saiam das próximas eleições têm que se sentar à volta da habitação, e não é a Braamcamp, esse foi um fenómeno, super empolado por todas as forças politicas, que não é a questão estratégica, é estratégico do ponto de vista da atracção de investimento, mas, a habitação para fixar jovens não é a Braamcamp. A Braamcamp é outra coisa, é para termos, uma renovação daquele espaço, e seja requalificado em pouco tempo. Se eu fosse multimilionário não havia um prédio na Braamcamp, eu próprio me encarregaria de comprar a Braamcamp e fazia uma floresta. Mas isso é tudo lirismos”, afirma André Pinotes.
O candidato PS salienta que a debate do tema Habitação é um torno de habitação de custos controlados, isso não é a Braamcamp.
O importante defendeu é criar condições de habitação para que os jovens possam ter condições de ter habitação e sair de casa dos seus pais.

Habitação não pode ser uma arma de arremesso

“A habitação precisa de um pacto”, sublinha, expressa a sua indignação pelo debate que se registou na última reunião da Assembleia Municipal, sobre o Plano de Investimentos de Habitação, na ordem de 15 milhões, que não foi votado.
A habitação não pode ser uma arma de arremesso do BE, uma bandeira do PS, do PSD ou PCP.
“Já agora uma nota, podem dizer que eu tenho um prédio com o meu nome, eu não mereço, portanto se alguém atribuir o meu nome a um prédio é um disparate. Também não andei nos Loios a prometer nada. Isto são mentiras”, refere.

Tolerância e respeito pelas diferenças

Finalizou, afirmando se for eleito presidente da Assembleia Municipal do Barreiro, as pessoas podem contar com tolerância, intervenção e respeito pela opinião diferente.
“Gostava que as forças democráticas se mantivessem todas na assembleia municipal”, sublinha.

O comentador desportivo

Após a nossa conversa caminhamos pelas ruas do Lavradio, numa amena conversa, e, como ele tinha registado no decorrer da conversa, o facto de aparecer na televisão, é de forma permanente abordado na rua, e, foi isso que se registou, enquanto subimos e descemos a Avenida J.J. Fernandes, foram muitas as “saudações leoninas”, os apelos para ser mais critico em relação ao Hernani. O comentador Desportivo ganhou expressão, saudações e selfies - “sou da Madeira e gosto muito de si”.

António Sousa Pereira

17.09.2021 - 12:13

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