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Bruno Vieira Amaral ao jornal «Rostos»
Os triunfos sabem melhor quando são ultrapassados os obstáculos

Bruno Vieira Amaral ao jornal «Rostos»<br />
Os triunfos sabem melhor quando são ultrapassados os obstáculos A Biblioteca Municipal do Vale da Amoreira, no dia 10 de junho, assinalou os seus 32 anos. Nesta efeméride recebeu o nome do escritor Bruno Vieira Amaral, que ali foi leitor a partir dos 12 anos.

“Miúdos de hoje, que crescem aqui no Vale da Amoreira, que também, muitas vezes o que ouvem de fora sobre o Bairro é negativo, que acreditem que o Bairro é feito por eles”, uma mensagem do escritor em conversa com o jornal «Rostos».

No final da cerimónia vivida com grande emoção conversamos com Bruno Vieira Amaral, que nos disse: “Esta Biblioteca foi um espaço importante para a minha formação, tenho falado nisso em várias ocasiões.
A Biblioteca foi inaugurada quando eu tinha doze anos e passou a ser um local fundamental para a minha geração, para mim, em particular, falando do meu caso, não teria tido acesso aos livros, à imprensa. A Biblioteca veio alterar isso tudo e teve um papel decisivo na minha formação”.

Um lugar onde qualquer um de nós cresce é importante

Quisemos saber que relação sente com o Vale da Amorera, Bruno, salientou: “ Foi aqui que eu cresci, como um lugar onde qualquer um de nós cresce é importante, eu vivi aqui até aos meus 25 anos, tudo o que eu vivi, até aos 25 anos de vida está ligado ao Vale da Amoreira, de uma forma ou de outra, não é preciso explicar, porque a ligação está nesse facto, quando alguém nasce e cresce num sitio, isso é fundamental para a vida de uma pessoa. Eu nasci no Barreiro, mas vivi e cresci aqui no Vale da Amoreira.”

Responsabilidade, mas também um grande orgulho e alegria

Tendo sido um leitor em criança, hoje um escritor reconhecido, que significado atribui ao ser dado o seu nome à Biblioteca? – perguntámos.
“Quando me falaram nessa intenção de me atribuírem o nome à Biblioteca, claro que senti um peso e uma responsabilidade, mas também um grande orgulho e alegria.
Querendo, desde logo, estar à margem da iniciativa, tomei conhecimento e aceitei que usassem o meu nome, e, aceitei porque era esta Biblioteca, porque ela significa muito para mim, não aceitaria doutro local, nem faria sentido noutro local, mas neste local faz muito sentido, também é uma responsabilidade e um motivo de orgulho e, espero, também que sirva de inspiração e exemplo para outros jovens que a frequentam esta Biblioteca e sejam do Vale da Amoreira.”, afirmou Bruno Vieira Amaral.

Dar a conhecer seu álbum que tem muito a ver com o Vale da Amoreira

O escritor convidou um amigo de infância para encerrar a cerimónia de atribuição do seu nome á Biblioteca do Vale da Amoreira, quisemos saber se existia algum motivo especial para este convite.
“O Jonatas fez um disco que tem muito que ver com o Vale da Amoreira. Conheço o Jonatas há muitos anos.
Sei quem ele, há muitos anos, ele viveu, aqui, com os pais. Quando era pequeno o pai dele era Pastor na Igreja Baptista do Vale da Amoreira.
Ele convidou-me o ano passado para escrever um texto para o seu disco e, eu, não tive oportunidade de o fazer, entretanto, escrevi uma crónica sobre esse disco, o convite foi uma maneira de dar a conhecer este seu álbum que tem muito a ver com o Vale da Amoreira, por isso senti que, neste dia, a presença dele fazia todo o sentido”, sublinhou Bruno Vieira Amaral.

Bibliotecárias eram figuras que se tornaram queridas para nós

Na tua intervenção na cerimónia referiu o nome da Bibliotecária Aida e através dela todas as bibliotecárias. As bibliotecárias foram importantes na tua vida?
“As Bibliotecárias eram uma espécie de nossas irmãs mais velhas, mães, professoras, aturavam-nos, porque isto era muito mais que uma Biblioteca, era um centro de actividades.
Elas tinham esse papel variado, elas quase que acompanhavam o nosso crescimento, havia muitos miúdos que passavam aqui uma parte significativa do dia, aqui, dentro da Biblioteca, ou aqui à volta, e, claro que as Bibliotecárias eram figuras que se tornaram queridas para nós. Elas diziam-nos muito, acompanharam-nos ao longo de anos. Esse contacto manteve-se, mesmo quando algumas saíram daqui para outras Bibliotecas. Elas foram importantes para nós nesse período”, afirma Bruno.

Miúdos de hoje acreditem que o Bairro é feito por eles

Para finalizar o nosso breve diálogo pedimos ao escritor que deixasse uma mensagem aos seus amigos e ás crianças de hoje do Vale da Amoreira.
“Deixo um agradecimento aos meus amigos, eles sabem a importância que têm para mim, e, neste momento como foi importante ter aqui tantos dos meus amigos de infância.
Para os miúdos de hoje, que crescem aqui no Vale da Amoreira, que também, muitas vezes o que ouvem de fora sobre o Bairro é negativo, que acreditem que o Bairro é feito por eles, o Bairro não está determinado à partida, o Bairro são eles que o fazem, e, eles podem fazer o Bairro que eles quiserem, não estão condicionados. Sei que há obstáculos, mas, depois, os triunfos sabem melhor quando são ultrapassados esses obstáculos.
Se a formação deles passar aqui pela Biblioteca, como a minha passou, fico muito feliz.”, comentou Bruno Vieira Amaral.

S.P.

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12.06.2022 - 00:04

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