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Do Alvito até ao Barreiro
Feliciano Joaquim Carvalho artesão
- Um criador de memórias

Do Alvito até ao Barreiro<br>
Feliciano Joaquim Carvalho artesão <br>
- Um criador de memórias. Exposição na SFAL, Lavradio – Barreiro, de 6 a 10 de Março

Feliciano Joaquim Carvalho, natural de Vila Nova da Baronia, concelho de Alvito, completou este mês 70 anos, reside no Barreiro há 41 anos, na freguesia do Lavradio.

Os seus trabalhos de miniaturas são uma viagem pelas suas memórias de infância. Trabalhos marcados pela perfeição técnica e por uma grande beleza e criatividade.

Feliciano Carvalho, começou a sua vida profissional como Pedreiro, trabalhando como o seu pai, até à idade de ir para a vida militar.
Na vida militar concluiu um Curso de Desenhador.
Após concluir o período de vida militar foi para a Base Aérea de Beja, onde desempenhou funções de Fiscal na Força Aérea Portuguesa.
Em 1968 iniciou a sua actividade como Desenhador em Lisboa, no Estado Maior da Força Aérea, função que exerceu até ao ano de 1994, quando se reformou.
Após a reforma, dedica-se nos dias de hoje a criar miniaturas, de grande uma qualidade artística, através das quais recria as suas memórias de infância.
A sua obra é um legado que nos permite reviver a autenticidade da nossa cultura.

A arte de trabalhar a cortiça

Perguntámos – Como descobriu esta sua vocação?
Refere que ao longo da sua vida “sempre tive habilidade para fazer estas miniaturas”.
No entanto, há uns anos atrás quando foi às Termas de Cabeço de Vide, aí, encontrou um Pastor – “um senhor de certa idade, que tinha muitas coisas feitas em cortiça”.
Recorda que o Senhor António lhe disse : “Você ajeita-se muito bem a fazer certas coisas com a cortiça”.
“Quando vim de lá trouxe comigo uma prancha de cortiça e comecei a fazer algumas coisas em cortiça” – sublinha.
“Olhe, resultado comecei a tomar gosto. Depois da cortiça, comecei a fazer trabalhos em tijolo, em telha.
Fiz o Forno de Cozer o pão, depois fiz o Forno de Cozer os Tijolos.” – vai falando das suas criações com um enorme sorriso nos olhos.

Tenho tudo na memória

Perguntámos : Mas para fazer tudo isto, todas estas miniaturas, com tantos pormenores, tão próximos do real, isso obrigou-o a fazer alguma investigação?
“Não. Tenho tudo na memória. A minha avó tinha um forno comunitário. Este forno, faz de conta que era o dela. Tudo isto são as memórias da minha infância” – sublinha.

Gostava de ter um espaço museu na minha terra

Que pretende fazer com todas estas obras de arte?
“Gostava que fosse para um Museu para minha terra.
Quero falar com o presidente da Junta e com o presidente da Câmara.
Na escola onde eu andei em 1947, hoje está lá uma Biblioteca. Eu penso que se existir um espaço na Escola da Vila Nova da Baronia, esse era o sítio onde eu gostava que tudo ficasse como um espaço de Museu.”

Uma homenagem à minha neta

Feliciano Carvalho, vai conversando com o “rostos” e comenta os seus diversos trabalhos.
Fala-nos dos seus trabalhos de madeira. Um conjunto de bailarinas.
“São os passos de ballet da minha neta. Estes trabalhos são uma homenagem à minha neta.” – sublinha.

Miniaturas impressionam pelos pormenores

Vamos visitando a exposição, que esteve patente no Mercado do Lavradio e que foi um encanto para os alunos do Ensino Básico que visitaram o espaço da Loja Um.
Sentimos o entusiasmo com que Feliciano Carvalho vai comentando os seus trabalhos.
“Aqui está o nosso globo terrestre, doente, para que se percebam os efeitos da poluição.
Está aqui todo o lixo que anda lá por cima e também o que anda cá por baixo. Nós continuamos a estragar ” – salienta.
As miniaturas recriadas impressionam e encantam, pelos pormenores, pelo rigor e beleza.
Lá está o Monte Alentejano. O Forno do Pão. O Forno do Tijolo. A Serração. A Matança do Porco. O Lagar da Azeite. A eira. A nora.
Muitas memórias de uma vida. Tudo recriado com perícia e detalhe, que se confunde com a vida real.
“Isto é uma verdadeira maquete da matança do Porco. O Lagar de Azeite é uma beleza” – comentamos.
Feliciano Carvalho sorri e encolhe os ombros com total simplicidade.
“Espero ter o Museu na minha terra” – comenta a finalizar.

Exposição na SFAL

Os seus trabalhos poderão ser observados entre 6 e 10 de Março, na SFAL – Sociedade Filarmónica Agrícola Lavradiense, no Lavradio, concelho do Barreiro.

BREVES REGISTOS



26.2.2010 - 2:08

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