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Maria de Lurdes Resende a “feia bonita” inesquecível na História da Música Portuguesa
É Camarra e completa hoje 92 anos de idade
Por Clara Soares
Barreiro

Maria de Lurdes Resende a “feia bonita” inesquecível na História da Música Portuguesa <br />
É Camarra e completa hoje 92 anos de idade<br />
Por Clara Soares<br />
BarreiroMaria de Lurdes Resende, a “feia bonita”, inesquecível na História da Música Portuguesa, nasceu em 1927, no Barreiro. É Camarra e completa, hoje, 29 de janeiro de 2019, 92 anos de idade. Foi na Igreja de Stª Cruz que começou a cantar.

O seu pai era organista amador. Após a morte do pai mudou-se para Alquerubim (freguesia do concelho de Albergaria-a-Velha), onde viveu com os seus tios, tendo cantado e participado em várias peças de teatro e festas organizadas na Casa do Povo.

Foi uma criança irrequieta e traquinas mas desde muito cedo teimou que seria cantora. Os pais contrariaram sempre esse sonho e, por isso, só aos 18 anos, quando atingiu a maioridade, se estreou como cançonetista. Em 1945 começou por cantar na Rádio Graça e, no mesmo ano, prestou provas na Emissora Nacional, tendo sido contratada. Foi o início de uma carreira nacional e internacional recheada de sucessos, prémios e comendas.

Maria de Lurdes Resende, mulher de um "coração de ouro", na opinião de Nóbrega e Sousa, maestro e um dos mais talentosos compositores de música ligeira do século XX, é uma “grande dama da canção portuguesa”. Gravou mais de 200 cantigas, tendo ganho inequívoca popularidade, com a sua “voz de oiro”. Manteve-se no auge da popularidade durante praticamente vinte anos (de inícios da década de 1950 a inícios da de 1970), tendo, no entanto, continuado a cantar ainda depois do 25 de Abril de 1974.

Lembro-me de a ouvir cantar, na Rádio e Televisão. Eram canções lindas, como é o caso da "Avózinha", “O Papá e a
Mamã”, “Moleirinha” (o poema desta canção vinha no meu livro de escola e ainda hoje a canto de cor).
Mas o seu maior êxito em Portugal e além fronteiras, foi, sem dúvida, “Alcobaça”. Com esta canção a “Rainha da Rádio” levou Alcobaça aos quatro cantos do mundo, eternizando os versos “Quem passa por Alcobaça não passa sem cá voltar”. Na época não havia ninguém que não os soubesse cantar. E Alcobaça soube-lhe agradecer, homenageando-a por ocasião dos seus 50 anos de carreira, reunindo inúmeros artistas contemporâneos, autores e compositores, amigos e familiares para, juntos e publicamente, lhe reconhecer o mérito de uma carreira profissional exemplar. E se Maria de Lurdes imortalizara a cidade de Alcobaça, com a sua voz, a cidade imortalizou-a também, dando-lhe o nome a uma das suas principais ruas (outra homenagem).
“Não imaginam como estou feliz com esta vossa homenagem, Alcobaça é a minha terra do coração e também a canção que estará sempre ligada à minha carreira e à minha vida” (Maria de Lurdes Resende).

É triste não encontrar sequer uma palavra de apreço pela terra que a viu nascer mas nada é por acaso. O Barreiro nunca lhe prestou o devido reconhecimento. Atribuiu-lhe uma Medalha de Prata e uma de Oiro, o que, na minha opinião é muito pouco para quem tanto deu.
Maria de Lurdes Resende deveria também ser inesquecível no Barreiro mas muitos nem sabem que ela existe e os que sabem, desconhecem ou não se lembram que é barreirense.

Quando vamos aprender a valorizar os nossos artistas? Ou só valorizamos aqueles que, de algum modo, cantam canções ligadas à luta contra a opressão, por exemplo? Ou estaremos à espera da sua morte para lhe fazer uma homenagem?
É que Morto não escuta. Morto não se emociona. Morto não percebe o quanto foi importante. Morto não pode sequer protestar caso não concorde com quem o está a homenagear.

Esta é, de certo modo, uma pequena homenagem que lhe faço. Divulgá-la será também um contributo para o reconhecimento do seu trabalho e talento. Termino com os marcos principais da sua carreira:

1945 Estreia-se na Emissora Nacional, depois de um breve ensaio na Rádio Graça.

1948 Prémio de cançonetista no Concurso de Artistas Ligeiros da Rádio.

1950 Actua em Paris, no âmbito do Plano Marshall.

1952 Durante um ano actua na rádio e televisão das principais cidades brasileiras.

1955 Primeiro prémio da Canção de Sucesso, em Génova, com Alcobaça. Rainha da Rádio, eleita em concurso da revista Flama.

1956 Rainha do Espectáculo no concurso da revista Plateia.

1957 Actua na primeira emissão da RTP. 1962 De novo, Rainha da Rádio.

1966 lº e 2°- prémios no Festival Internacional da Canção, em Toronto, Canadá.

1967 A "Maior Cançonetista Portuguesa", eleita pela Imprensa de Angola.

1970 Comenda da Ordem de Benemerência, por ocasião dos seus 25 anos de carreira. Protagonista da peça Um Chapéu de Palha de Itália, no TEC.

1957 Medalhas de Prata das Câmaras Municipais do Barreiro, de Alcobaça e de Lamego. No ano seguinte, Medalha de Ouro da Câmara Municipal do Barreiro.

Clara Soares


29.01.2019 - 21:46

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