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Auditório da Biblioteca Municipal vai receber o nome
de Manuel Cabanas - Cidadão Honorário do Barreiro

Auditório da Biblioteca Municipal vai receber o nome <br />
de Manuel Cabanas - Cidadão Honorário do Barreiro Na reunião da Câmara Municipal do Barreiro foi aprovada, por unanimidade, a proposta de atribuir ao Auditório da Biblioetca Municipal do Barreiro, o nome de Manuel Cabanas, cidadão distinguido com a Medalha de Honra de Cidadão Honorário do Barreiro.

Manuel Cabanas
Dados Biográficos

Mestre Manuel Cabanas nasceu em 1902 em Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real de Santo António, no seio de uma família modesta de agricultores.
Em 1918 ingressa nos Caminhos de Ferro de Sul e Sueste, primeiro como encarregado na manutenção de mercadorias nas estações de Cacela e Vila Real de Santo António, e depois, nos Serviços Regionais no Barreiro, onde vem a fixar residência. É nesta altura que, com apenas 20 anos, Manuel Cabanas começa a desempenhar funções no Sindicato dos Ferroviários do Sul e Sueste e dá início a uma intensa atividade política pela defesa dos direitos dos trabalhadores.
Nas décadas seguintes, empenha-se na resistência à ditadura do Estado Novo ao lado de figuras ilustres da resistência como Bento de Jesus Caraça, Jaime Cortesão ou Raul Rego, entre outros. Participou em importantes ações políticas da oposição, foi preso por diversas vezes e viria a ser cofundador do Partido Socialista em 1973. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi eleito deputado por este partido à Assembleia da República.

A par da luta política, Mestre Manuel Cabanas desenvolveu a partir de 1938 um interessante trabalho no campo da xilogravura, expressão artística à qual implementou uma técnica peculiar, distante dos métodos tradicionais. Nos finais da década de 1930, participa regularmente nas tertúlias da Bertrand, no Chiado, onde, para além de notáveis da nossa cultura como Aquilino Ribeiro, António Sérgio ou Ramada Curto, contacta com Dórdio Gomes, Diogo de Macedo e Francisco Franco, entre outros, reputados pintores com trabalho feito na xilogravura.
Mas, Manuel Cabanas afasta-se das suas técnicas e, ao contrário das goivas, usa o canivete para escavar os desenhos sobre a madeira de bucho. Porventura, foi este procedimento, a par de um desenho muito realista e acutilante, que conferiu aos seus trabalhos um alto-contraste de claro-escuro em harmonia com um traço apurado e uma linha expressiva, deixando uma marca inconfundível quer nas cenas de quotidiano popular, quer nos inúmeros retratos de poetas, escritores ou políticos.

Ao longo da sua vida Mestre Manuel Cabanas realizou diversas exposições, no país e no estrangeiro, destacando-se em 1951 a participação no XVI Salão de Inverno da Sociedade Nacional De Belas-Artes onde foi reconhecido com a 1ª Medalha em gravura.

Em 1983 a Câmara Municipal do Barreiro homenageou-o com a distinção Barreiro Reconhecido na área das artes e das letras; em 1985 foi condecorado pelo Presidente Ramalho Eanes com o grau de Comendador da Ordem da Liberdade; e, em 1993 coube ao Presidente Mário Soares condecorar Manuel Cabanas com o grau de Comendador da Ordem Infante D. Henrique.

Manuel Cabanas morre, em 1995, no Hospital de Faro, sendo distinguido no ano seguinte com a Medalha de Honra de Cidadão Honorário pela Câmara Municipal do Barreiro, a título póstumo.

Foto - CMVRSA

18.11.2020 - 22:35

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