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MOITA - MEDALHA DE HONRA DO MUNICÍPIO
A TÍTULO PÓSTUMO, A LEONEL COELHO

MOITA - MEDALHA DE HONRA DO MUNICÍPIO<br />
A TÍTULO PÓSTUMO, A LEONEL COELHO Maria das Dores Nascimento, filha de Leonel Coelho, agradeceu a atribuição da distinção a seu pai e salientou que “não é fácil falar sobre o meu pai” um homem que estava sempre presente nos momentos colectivos da vida do concelho da Moita. Sublinhou que seu pai era um homem “irreverente. Livre, solidário”.

MEDALHA DE HONRA DO MUNICÍPIO, A TÍTULO PÓSTUMO, A LEONEL COELHO

Leonel Eusébio Coelho nasceu em Ortiga, concelho de Mação, Beira Baixa, em 27 de dezembro de 1933, onde completou a instrução primária. Ainda criança, com 11 anos, foi morar para o Montijo com o pai, onde trabalhou na cortiça e como empregado de café. Aos 17 anos, após uma temporada na terra natal para trabalhar na construção da barragem de Belver, mudou-se para Alhos Vedros, para a casa onde sempre viveu e onde faleceu em 7 de dezembro de 2021.

Fez o serviço militar na Marinha e, em 1957, ingressou na CUF-Barreiro, na zona têxtil, onde trabalhou durante nove anos. Em 1958 casou com Maria Celina Baltazar e tem uma filha e um neto.

Foi vendedor de rações para animais, profissão que o acompanharia até à reforma. Após a reforma abraçou outra atividade, a agricultura, que desenvolveu até ao último dia em que conseguiu andar.

Desde cedo, as condições de trabalho e de vida, o desemprego e a repressão, a guerra colonial, a desigualdade social, a falta de liberdade de expressão, associados à curiosidade pelas leituras, a apetência para a escrita, para a atividade cultural e para o associativismo, consolidaram-lhe a consciência política, tendo sido preso por diversas vezes, antes e depois do 25 de abril, uma das quais, a mais prolongada, de Maio a Dezembro de 1970.

Foi um dos mais destacados batalhadores militantes pelo movimento associativo no concelho da Moita, na Direção da Academia Musical e Recreativa 8 de Janeiro de Alhos Vedros, coletividade de grandes tradições de resistência política no tempo da ditadura e historial na cultura e no desporto, na literacia e na formação de crianças, jovens e adultos, formando em 1964, com outros amigos, a biblioteca da Academia 8 de Janeiro.

Em 1972 deu-se o arranque da primeira Feira do Livro de Alhos Vedros, um acontecimento cultural gerado pela vontade indomável dos dirigentes da Academia, na pessoa de Leonel Coelho, iniciativa que liderou sempre, até à 48º edição, com toda a entrega e paixão de que foi capaz. O genuíno reconhecimento popular agraciou Leonel Coelho com o justo título de pai da Feira do Livro de Alhos Vedros.
Leonel Coelho foi um dos primeiros professores de ginástica de Alhos Vedros, na Academia e na rua, com dezenas de crianças a executarem exercício físico pela primeira vez e treinador de ténis de mesa durante décadas e de várias gerações, influenciando formativamente aqueles com quem lidava, deixando essa marca nas suas vidas.

No campo da escrita, publicou diversos trabalhos e artigos de opinião em jornais e outras publicações e foi convidado para várias iniciativas pelo País, em escolas, bibliotecas e outros espaços de cultura e cidadania. O autor, Leonel Eusébio Coelho, faz parte do primeiro dicionário de autores regionais. Como autor, publicou vários livros, nas áreas da poesia, contos, romance e ensaio. Participou ainda numa Antologia de nove autores locais “Alhos Vedros da Minha Alma”, bem como em todas as edições de Poetas Nossos Munícipes, publicados pela Câmara Municipal da Moita. Tem uma vasta obra escrita por publicar. Na área do conto, ganhou alguns prémios literários em jogos florais.
Leonel Eusébio Coelho foi um defensor dos mais desprotegidos, dos que não têm voz e um dos maiores associativistas, dinamizador da cultura e um homem à frente do seu tempo. Foi acima de tudo um homem que ousou ser livre e que se bateu pela liberdade.

A Câmara Municipal da Moita atribui, a título póstumo, a Medalha de Honra do Município, a Leonel Coelho, reconhecido pelo seu empenho e dedicação à causa maior do associativismo e da cultura, pelo seu percurso notável e inegável contributo na luta pela liberdade e pelo desenvolvimento sociocultural do concelho.
(Recebeu a condecoração a filha, Maria das Dores Nascimento)

Um homem “irreverente. Livre, solidário”.

Maria das Dores Nascimento, filha de Leonel Coelho, agradeceu a atribuição da distinção a seu pai e salientou que “não é fácil falar sobre o meu pai” um homem que estava sempre presente nos momentos colectivos da vida do concelho da Moita. Sublinhou que seu pai era um homem “irreverente. Livre, solidário”.
Recordou Maria das Dores Nascimento que seu pai lhe dissera se depois de morrer lhe prestassem uma homenagem “não estejas presente”, mas como seu pai sempre foi um desobediente – “eu resolvi desobedecer-lhe”,

15.09.2022 - 14:46

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