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MOITA - MEDALHA DE HONRA DO MUNICÍPIO
A TÍTULO PÓSTUMO, A STALINE DE JESUS RODRIGUES

MOITA - MEDALHA DE HONRA DO MUNICÍPIO<br />
A TÍTULO PÓSTUMO, A STALINE DE JESUS RODRIGUES O seu filho Lourenço de Castro, referiu que há 48 anos que não entrava no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Moita, por onde quando criança, muitas vezes, por ali, andou acompanhando a vida politica de seu pai. Recordou que aquilo que o pai desejou ao longo de toda a sua vida foi a Liberdade.
O neto Pedro Rodrigues sublinhou que o seu avô, Staline Rodrigues, foi a pessoa mais importante da minha vida.

MEDALHA DE HONRA DO MUNICÍPIO, A TÍTULO PÓSTUMO, A STALINE DE JESUS RODRIGUES

Staline Jesus Rodrigues nasceu na Moita, a 17 de outubro de 1932, filho de Lourenço Rodrigues, ferroviário, e Amélia de Jesus Rodrigues, doméstica. Foi casado com Maria Manuela do Rosário Castro e tem um filho, Lourenço Rodrigues e três netos. Faleceu a 1 de abril de 2022.
Staline Rodrigues faleceu com 89 anos, a 1 de abril de 2022, e viveu metade da sua vida em ditadura e a outra parte em democracia. Originário de uma família de operários, ele próprio também foi operário carpinteiro e viria, entretanto, a enveredar pela carreira de pequeno comerciante. Conheceu os dois lados das relações laborais, empregado e empregador.

Foi um homem autodidacta, que aprendeu através da política, dos livros que leu, pela experiência do contacto com outras personalidades da oposição, pelo convívio com outros presos políticos e pela sagacidade política, intrínseca à sua personalidade. Sempre um homem cordial, tolerante, bom conversador e excelente orador.

Figura de grande referência política da resistência ao fascismo no concelho da Moita, iniciou o seu combate político, bastante jovem, contra a ditadura de Salazar, tornando-se um activista político de relevo, na luta pela liberdade.

A sua intensa actividade política contra o regime fascista, iniciada na década de 1950, culminou com a sua primeira prisão em 28 de julho de 1962, por exercício de “actividade subversiva”, numa época de grande repressão no país. Pelas suas convicções e luta política contra o regime instalado, foi preso quatro vezes, entre os anos de 1962 e 1972, tendo sido torturado por diversas vezes, física e psicologicamente, passando por todas as cadeias políticas portuguesas. Em 1969 as suas lojas, na Moita, Baixa da Banheira e Alhos Vedros serviram de centros de recenseamento para as eleições, e o seu armazém de sede da oposição, ganhando as eleições no concelho.

Em 1973 foi membro da Comissão Nacional do 3º Congresso da Oposição Democrática, realizado na cidade de Aveiro. Apesar de estar condenado à perda de direitos políticos por cinco anos, participou de forma activa nos trabalhos do Congresso, em reuniões, na manifestação do dia 8 de abril, reprimida pela polícia do capitão maltês, e também na Campanha Eleitoral da Oposição Democrática para as eleições da Assembleia Nacional, realizadas em 28 de outubro de 1973. As eleições legislativas de 1973 foram as últimas realizadas durante a vigência da Constituição de 1933. Foram eleitos os 150 deputados da Assembleia Nacional. A Acção Nacional Popular elegeu a totalidade dos deputados, tendo o Movimento Democrático, coligação entre o PCP e o PS, desistido por considerar que não existiam condições para a realização de eleições livres.

No dia 25 de Abril de 1974, dia da revolução, foi um activista nas movimentações pela conquista da liberdade, sendo empossado Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Moita a 15 de maio de 1974, onde se manteve a presidir a autarquia até 1976. A 12 de Dezembro de 1976 passou para a assembleia municipal, eleito pela FEPU nas primeiras eleições autárquicas em Portugal.
Também esteve ligado ao associativismo, sendo um activista de diversas associações no concelho da Moita: Comerciantes, Na Capricho Moitense e Banda de música.

Staline Rodrigues sempre demostrou total disponibilidade e empenho, para participar na vida política do concelho da Moita, sempre norteado por objectivos nobres que visam, nomeadamente, a afirmação e defesa dos princípios e valores democráticos e os interesses da sua terra, tendo sido membro da Assembleia Municipal da Moita eleito pelo partido socialista.
Reconhecido o seu inigualável empenho e dedicação na luta pela liberdade e um nome histórico da resistência, a Câmara Municipal atribui, a título póstumo, a Medalha de Honra do Município, pelo seu percurso notável e inegável contributo no desenvolvimento político e social no concelho da Moita, ao longo de mais de 80 anos.

A Câmara Municipal da Moita atribui, a título póstumo, a Medalha de Honra do Município, a Staline de Jesus Rodrigues, pelo seu empenho e dedicação à causa pública e pelo seu percurso notável e persistente contributo na luta pela Liberdade e pela Democracia.
Recebeu a medalha o neto, Pedro Rodrigues

Aquilo que o pai desejou ao longo de toda a sua vida foi a Liberdade.

O seu filho Lourenço de Castro, referiu que há 48 anos que não entrava no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Moita, por onde quando criança, muitas vezes, por ali, andou acompanhando a vida politica de seu pai. Recordou que aquilo que o pai desejou ao longo de toda a sua vida foi a Liberdade.
Salientou que a liberdade permite que haja mudanças nas lideranças do Poder Local, saudou a gestão socialista e referiu que será bom que um dia seja do Bloco de Esquerda, ou que volte de novo a ser CDU.
O neto Pedro Rodrigues sublinhou que o seu avô, Staline Rodrigues, foi a pessoa mais importante da minha vida.

18.09.2022 - 18:07

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