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Em memória de Luís Costa Mano
Um minuto de silêncio na reunião da Câmara Municipal do Barreiro
. Atribuição de seu nome a uma rua da cidade

Em memória de Luís Costa Mano <br />
Um minuto de silêncio na reunião da Câmara Municipal do Barreiro <br />
. Atribuição de seu nome a uma rua da cidade A Câmara Municipal do Barreiro, na sua reunião de 18 de Fevereiro aprovou, por unanimidade, um voto de pesar no qual expressar as mais sentidas condolências à família de Luís Filipe Venâncio da Costa Mano, assim como às diferentes instituições e associações a que dedicou a sua vida.

Divulgamos o texto integral do Voto de Pesar aprovado na reunião da Câmara Municipal do Barreiro:

Voto de pesar pelo falecimento de Luís Filipe Venâncio da Costa Mano

Faleceu no dia 7 de Fevereiro de 2026, aos 83 anos de idade, Luís Filipe Venâncio da Costa Mano, ilustre economista barreirense que, ao longo da sua vida, construiu um percurso cívico de enorme relevo e significado em prol de diversas instituições e associações do concelho.
Nascido a 28 de Fevereiro de 1942, na rua do Ácido Sulfúrico, localizada perto do coração do Bairro Operário da CUF, Luís Costa Mano viveu grande parte da sua infância e juventude nas travessas estreitas e recantos históricos do que se convencionou designar como Barreiro Velho. Educado no seio de uma família com fortes tradições locais, desde muito cedo aprendeu a amar a terra que o viu nascer e a colocar o melhor de si ao serviço dos seus concidadãos.

Apesar de ter uma posição muito crítica a respeito do salazarismo e da guerra colonial em que se viram envolvidos mais de um milhão de portugueses, Luís Costa Mano tomou a opção consciente de cumprir quatro anos de serviço militar, dois dos quais passados, predominantemente, numa frágil fortificação perdida no mato angolano e sujeita a todo o tipo de ataques. Consciente da injustiça e da dureza daquele conflito, permaneceu fiel aos seus camaradas e a uma geração inteira arrastada para a guerra, enfrentando o pesadelo com a mesma integridade, sentido fraterno e ideais humanistas que marcaram toda a sua existência.
Já de regresso a Portugal, frequentou e concluiu a licenciatura em Economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (atual ISEG), o que lhe permitiu transitar dos escritórios da Companhia União Fabril para os quadros do Banco Totta & Açores, onde desenvolveu, ao longo de várias décadas, uma notável carreira como Economista. No decurso dos anos oitenta, lecionou, em simultâneo com a sua profissão no sector bancário, a disciplina de Matemática no antigo edifício da Escola Mendonça Furtado, tendo granjeado a simpatia e a admiração de alunos, professores e pessoal não docente deste estabelecimento de ensino.

Numa longuíssima atividade cívica e associativa, destaca-se, logo na sua juventude, a ligação, enquanto dirigente, à Associação Académica do Barreiro, autêntico alfobre de insubmissão e irreverência nos tempos cinzentos e claustrofóbicos da ditadura. Mais recentemente, integrou como Tesoureiro a Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Barreiro - Corpo de Salvação Pública, numa altura crítica em que esta instituição se viu confrontada com fortes constrangimentos apenas superados através de uma gestão rigorosa e transparente.

Luís Costa Mano dedicou-se nos últimos anos, de corpo e alma, à Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, Irmandade na qual desempenhou as funções de Presidente do Definitório e integrou, em sucessivos mandatos, a Mesa Administrativa como tesoureiro, num período caracterizado pela estabilização financeira e pelo notório desenvolvimento da atividade social desta importante IPSS da nossa cidade.

O amor profundo que, desde tenra idade, nunca deixou de sentir pelo Futebol Clube Barreirense levou-o a abraçar, no decurso da sua vida, diversas funções nesta histórica agremiação desportiva, tendo sido Presidente do Conselho Fiscal, Diretor de Departamento e Presidente do Clube, entre muitas outras missões que aceitou com o espírito de sacrifício e paixão que sempre definiram este homem discreto e íntegro.

As comunidades que deixam de honrar o seu passado arriscam-se a tornar-se irrelevantes no futuro. Saibamos, então, respeitar e enaltecer o legado de quem, com um sorriso bondoso, soube viver de acordo com um fio de prumo ético e nos ensinou as virtudes da generosidade e da amizade que se oferecem sem esperar nada em troca.

Assim, com a convicção plena de que a partida de Luís Filipe Venâncio da Costa Mano deixou um vazio irreparável no espírito do concelho, a Câmara Municipal do Barreiro, reunida no dia 18 de Fevereiro de 2026, delibera:

i) Expressar as mais sentidas condolências à família de Luís Filipe Venâncio da Costa Mano pela sua perda, assim como às diferentes instituições e associações a que dedicou a sua vida;

ii) Divulgar o voto de pesar junto dos órgãos de comunicação social locais, regionais e nacionais;

iii) Remeter este documento para a Comissão Municipal de Toponímia, de forma que os seus membros se possam pronunciar sobre a atribuição do nome de uma rua da cidade a este insigne filho do Barreiro;

iv) Observar um minuto de silêncio em memória e homenagem a quem tantos serviços valorosos prestou ao nosso concelho

19.02.2026 - 17:02

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