personalidades
Recordar o Mestre Augusto Cabrita
Colocar o Barreiro na “rota mundial da fotografia”
Completam-se, hoje, 15 anos que partiu da nossa companhia quotidiana, um homem que cultivou o humanismo no seu trabalho, amou o Tejo e o Barreiro.Recordar Augusto Cabrita, é, acima de tudo, evocar um nome que prestigiou a nossa cidade, e, deixou as raízes para que, um dia, o Barreiro seja colocado na “rota mundial da fotografia”.
Muito da sua obra está por ser tratada, estudada e editada. Muito da memória colectiva do Barreiro pode ser encontrada nos seus arquivos. Muito da memória colectiva de Portugal pode ser descoberto através do seu trabalho, sempre marcado de humanismo, porque o HOMEM era a figura central do seu “olhar”.
Ali, na Rua Miguel Pais, ainda está de pé e intacta a casa, com bonitos azulejos, onde nasceu o Mestre Augusto Cabrita.
Não sei se o tempo a vai destruir. Mas, no âmbito da renovação da cidade e na valorização das suas memórias, talvez, ali, um dia, tão perto do Tejo e na continuidade da valorização e expansão do “centro” para as margens do rio, pudesse ser preservada aquela casa e, porque não, nascer o Museu da Fotografia do Mestre Augusto Cabrita. É uma mera reflexão.
O Barreiro, cidade onde, em tempos o Grupo Desportivo da CUF, promoveu um dos mais importantes concursos de fotografia, de dimensão nacional e internacional.
Onde, igualmente, muitos concursos de fotografia são uma realidade participada, de referência, o próprio Concurso com o nome do Mestre Augusto Cabrita.
O Barreiro com referências fotográficas na sua história – Mestre Resende, Augusto Cabrita, Guta, Augusto Cabrita Filho, Eduardo Martins, Luis Ferreira da Luz, entre outros, e, onde existem, de facto, tantos amantes da fotografia – alguns jovens de grande criatividade - tem um trabalho a desenvolver na sua afirmação como cidade de referência na “rota da fotografia”.
Por vezes, temos nas nossas mãos, tudo o que é necessário, no plano subjectivo, mas falta-nos o passo, a força, a vontade, a união de esforços, que criem as condições objectivas para ser começado um caminho.
Considero que o Barreiro tem todo um conjunto de condições subjectivas, para ser colocado na “rota mundial da fotografia”, é, preciso, debater, unir vontades, dialogar com os actores, desenvolver parcerias, e, naturalmente, traçar os caminhos necessários para que se atinjam os objectivos de se tornar uma referência nas “rotas da fotografia”.
Uma “cidade criativa” é aquela cidade que sabe potenciar as “sinergias”, encontrar valores que nela existem e potenciá-los.
A responsabilidade é de todos mas, muito particularmente, daqueles que são actores na construção do tempo que vivemos – os agentes em actividade.
O Mestre Augusto Cabrita é uma referência, com história, com um imenso capital de criatividade, através do qual é possível estabelecer parcerias com a RTP – onde existe muito do seu espólio, igualmente, a sua actividade cinematográfica, permite estabelecer pontes com o mundo do cinema.
Mas, ao nível de nomes da cultura portuguesa as relações com o Mestre Augusto Cabrita são imensas e, acredito, que seria possível abrir o debate, trazendo-os ao Barreiro, para falar da obra e do homem – António Vitorino de Almeida, Baptista Bastos, António Homem Cardoso, de forma a gerar-se o “caldo cultural” de valorização da ideia – “Barreiro – na rota da fotografia mundial”.
A Escola Augusto Cabrita, seria uma ponte, de grande significado para ligar o nome do Mestre Augusto Cabrita aos jovens.
No AMAC – Auditório Municipal Augusto Cabrita, deveria ser criado um “pequeno” espaço, permanente, onde, acima de tudo, estivessem presentes as memórias do “olhar do Mestre sobre a nossa cidade”.
Continuo a pensar que o Barreiro tem uma divida de gratidão para com o Mestre Augusto Cabrita, mesmo com todas as evocações e homenagens que têm sido feitas em sua memória.
E, acima de tudo, o Barreiro não tem sido capaz de potenciar o “imenso capital cultural” e de referência para a promoção da sua própria “imagem de cidade”, através da valorização da importância do nome e obra do Mestre Augusto Cabrita.
Sei que não é fácil. Sei que faltam recursos. Mas, também tem faltado o debate e a definição de um projecto “estruturante” com a definição de objectivos de curto, médio e longo prazo.
Não vejo aqui culpados. Nem sequer aponto culpados.
Acho que é o nosso modo de ser e estar – esquecemos os nossos.
Para que a memória não esqueça. Recordo, neste dia, o Mestre Augusto Cabrita, com quem aprendi a esperar, sentado em Alburrica, o rasgar da luz solar para “sentir” a cidade a espelhar-se no seu rio.
António Sousa Pereira
BIOGRAFIA
Augusto António do Carmo Cabrita
Nasceu no Barreiro a 16 de Março de 1923 e “a sua grandeza como homem e artista fundem-se, nesta terra, com a familiaridade das palavras e dos gestos quotidianamente trocados, expressão de uma ternura e atenção constantes”.
Adoeceu gravemente em 1985, com uma infecção bacteriana anaeróbia. Recomeçou a trabalhar em 1988, e veio a falecer em Lisboa (Hospital da CUF) a 01 de Fevereiro de 1993. Foi no Barreiro que fez os seus estudos primários e secundários, e aí se iniciou em desportos como o remo e a natação (Clube Naval). Aos 13 anos começou o seu interesse pela fotografia. Teve o seu primeiro emprego no escritório da Grande Garagem do Sul, pertencente à família.
Autodidacta em fotografia, começou também a tocar de ouvido, piano e um pouco mais tarde acordeão e celesta. A música, tal como a fotografia, era uma das suas grandes paixões. A frequência dos estúdios e salas da Valentim de Carvalho em Lisboa permitiu-lhe praticar intensamente piano, e estabelecer fortes relações de amizade com os directores da empresa. No final dos anos 40 marcou presença em exposições e concursos nacionais e internacionais de fotografia, onde ganhou várias altas distinções como o Prémio Rizzoli (fotografia publicitária), Itália. Em 1956 inaugurou na Rua Dr. Eusébio Leão (Barreiro) um estúdio de fotografia. Nesse mesmo ano casou com D. Maria Manuela Peixinho de quem teve três filhos (Maria Manuela, Augusto António e Luisa Maria).
Acompanhou ao piano as cançonetistas Lina Maria e a sua conterrânea Maria de Lurdes Resende. Fez capas para discos de Amália Rodrigues, Carlos Paredes, Luís de Gois, Maria Barroso (poemas), Simone de Oliveira, etc.
Fotógrafo e cineasta, foi delegado da Associação Internacional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos, membro de júris nacionais e internacionais, fotojornalista do jornal O Século e das revistas Eva, Flama, Século Ilustrado e em revistas da especialidade um pouco por todo o mundo.
No campo editorial lançou vários títulos sobre escultura, pintura, fotografia e teatro. Foram, porém, os trabalhos para a TV e para o Cinema que deram firme personalidade à sua carreira, “à máquina fotográfica, que sempre o acompanhava onde quer que estivesse, juntou-se pois a câmara”. A sua lista de curtas metragens e de reportagens para a RTP ultrapassa as 650. Foi operador, director de fotografia, realizador e até produtor, porém sem jamais abdicar do que mais gostava de ser - um repórter, um olheiro dos acontecimentos, um historiador da actualidade.
Texto reproduzido do blog da Galeria João Martins, onde pode ser efectuado um encontro com a obra e com o homem – Cidadão Honorário do Barreiro – Augusto Cabrita.
http://arteflow.org/fotografia/cabrita/bio/bio.html
1.2.2008 - 13:00
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