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Centro Interdisciplinar de Investigação Aplicada em Saúde do Politécnico de Setúbal
Estuda efeitos da fisioterapia em pacientes com fibromialgia

Centro Interdisciplinar de Investigação Aplicada em Saúde do Politécnico de Setúbal <br />
Estuda efeitos da fisioterapia em pacientes com fibromialgia Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Aplicada em Saúde do Politécnico de Setúbal (CiiAS-IPS) estão a desenvolver, desde finais de janeiro, um estudo que pretende avaliar os efeitos da Fisioterapia em pessoas com fibromialgia, síndrome que afeta perto de 200 mil pessoas em Portugal e que apresenta como principais sintomas a dor generalizada e a fadiga.

A investigação, que arrancou em finais de janeiro com 24 participantes, integra o projeto SHARE – Saúde e Humanidades Atuando em Rede, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), e vai estar no terreno até outubro de 2020, prevendo-se que chegue aos 60 pacientes. Para tal, está a decorrer desde ontem uma nova ronda de recrutamento de voluntários, que se prolonga até 6 de março, estando prevista uma terceira fase nos meses seguintes.

Com causas que não estão ainda perfeitamente identificadas, a fibromialgia é uma síndrome de natureza crónica que, frequentemente, numa primeira linha, é tratada com recurso a fármacos, como analgésicos, relaxantes musculares e antidepressivos, sem que previamente se explorem os potenciais benefícios das abordagens não farmacológicas.

Neste caso, como explica Carmen Caeiro, docente da Escola Superior de Saúde do IPS, o que se pretende é testar os efeitos da “prática de exercício específico, adequado às características desta população, associada à educação, no sentido de capacitar as pessoas para autogerirem a sua condição clínica, que é crónica. Do ponto de vista da fisioterapia, estas são as abordagens mais recomendadas e são as que estamos a oferecer neste estudo”.

Outras, sem eficácia demonstrada, como a aplicação de calores húmidos, massagem e ultrassom, têm vindo a contribuir para uma “má ideia da fisioterapia, que é importante também desmistificar neste estudo”, acrescenta a investigadora responsável, que tem vindo a especializar-se na área da fisioterapia em condições músculo-esqueléticas, debruçando-se sobretudo sobre a forma como os indivíduos experienciam e atribuem significado às suas condições clínicas, bem como aos cuidados de saúde associados.

Distribuídos entre Setúbal, nas instalações da ESS/IPS, e Lisboa, no Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC), da Universidade Nova de Lisboa, os 24 pacientes diagnosticados clinicamente com fibromialgia integram, até meados de março, exercícios de grupo em duas sessões presenciais por semana, e uma de trabalho autónomo, em casa, sob orientação da fisioterapeuta Patrícia Falcão, diplomada do IPS. “Desenvolvemos um caderno de registo, onde as pessoas deixam escrito o que é que conseguiram ou não fazer em cada sessão. É importante que as pessoas conheçam os exercícios, saibam como fazê-los, como corrigir-se e percebam também qual é o seu limite. Isto dá-lhes uma grande capacidade de autogestão”, explica a bolseira de investigação.

A investigação foi precedida de um estudo piloto, que gerou “resultados muito positivos ao nível da diminuição da dor e da fadiga e do aumento dos níveis de funcionalidade, ou seja, da capacidade de realizar as tarefas do dia a dia”. O que permitiu agora partir para o terreno, concretiza a docente Carmen Caeiro, com “fortes indicadores do potencial deste tratamento para uma melhoria da qualidade de vida destes pacientes”.

O estudo, liderado pelo IPS, tem como parceiros a MYOS - Associação Nacional Contra a Fibromialgia e Síndrome de Fadiga Crónica, e os centros hospitalares de Setúbal (Unidade Multidisciplinar de Terapêutica da Dor) e de Lisboa Ocidental (Hospital de Egas Moniz).

A participação é gratuita, mediante inscrição através dos telefones 265 709 331 e 910 710 518 ou dos endereços gabriela.pinto@ess.ips.pt e patricia.falcao@ess.ips.pt.

18.02.2020 - 16:13

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