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Espécies exóticas nos estuários do Tejo e do Sado: um alerta para a preservação da biodiversidade
. Textos informativos de divulgação científica

Escola Superior de Educação do IPS<br>
Espécies exóticas nos estuários do Tejo e do Sado: um alerta para a preservação da biodiversidade <br>
. Textos informativos de divulgação científica Os resultados do estudo, que incidiu apenas sobre as espécies do substrato móvel (areias e vasas), evidenciam 10 espécies exóticas no estuário do Tejo. No estuário do Sado foram identificadas três espécies exóticas.

Este aparente aumento de biodiversidade provoca alterações dos ecossistemas e afeta as espécies já existentes nesses locais, podendo elimina-las e levar à perda da biodiversidade.








Espécies exóticas nos estuários do Tejo e do Sado: um alerta para a preservação da biodiversidade
Telma Clemente
Estudante de Comunicação Social, Escola Superior de Educação, Instituto Politécnico de Setúbal


Uma grande preocupação dos investigadores é a invasão de espécies exóticas nos ecossistemas marinhos, um problema mundial que exige uma reflexão quanto ao seu impacto económico e ambiental.

No estudo, “Espécies exóticas em substrato móvel: alguns estuários são mais invadidos do que outros?”, publicado na revista Ecological Indicators em 2020 por investigadores portugueses, foram identificadas as espécies exóticas dos estuários do Tejo e do Sado. Mas, o que são espécies exóticas, de onde vêm e porque é que se revelam um perigo para a biodiversidade?

Paula Chainho, investigadora do MARE da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e coautora do estudo, refere que estas espécies são organismos que foram introduzidos por ação humana, de forma intencional ou não, em locais onde não ocorrem naturalmente. O seu principal meio de deslocação é através da navegação, sobretudo de navios de grande porte, nomeadamente por incrustação e através das suas águas de lastro. Estas reservas de água visam garantir a estabilidade do navio e são libertadas no local de desembarcação. Outras vias de introdução de espécies exóticas incluem o comércio de espécies ornamentais, a construção de canais de navegação e a aquacultura.

Os resultados do estudo, que incidiu apenas sobre as espécies do substrato móvel (areias e vasas), evidenciam 10 espécies exóticas no estuário do Tejo, são elas o bivalve Arcuatula senhousia, o caracol da ostra japonesa (Ocinebrellus inornatus), o quíton (Chaetopleura angulata), a ostra-do-pacifico (Crassostrea gigas), os caranguejos Dyspanopeus sayi e Panopeus occidentalis, o caranguejo peludo-chinês (Eriocheir sinensis), o bivalve Mya arenaria, a amêijoa-japonesa (Ruditapes philippinarum) e o caranguejo-anão (Rhithoropanopeus harrisii). No estuário do Sado foram identificadas três espécies exóticas, nomeadamente o caranguejo Dyspanopeus texanus e duas espécies comuns ao estuário do Tejo, a amêijoa-japonesa e o quíton. Este aparente aumento de biodiversidade provoca alterações dos ecossistemas e afeta as espécies já existentes nesses locais, podendo elimina-las e levar à perda da biodiversidade.

Em comparação com outras partes do mundo, estes estuários, ao nível do substrato móvel, registaram um nível de invasão por espécies exóticas relativamente baixo, mesmo que este valor represente ainda quase um quarto de todas as espécies identificadas ao longo dos anos.

Como forma de prevenir a introdução de espécies exóticas, foi aprovada, em setembro de 2017, a Convenção Internacional para Controlo e Gestão da Água de Lastro e Sedimentos de Navio (Decreto nº23/2017) que determina que as embarcações sejam construídas com um sistema de tratamento, permitindo a limpeza destas águas, antes da sua libertação. Essa Convenção também determina que em portos designados para trabalhos de limpeza ou reparação dos tanques de lastro, existiam instalações adequadas para a receção de sedimentos.

É ainda necessário salientar a importância do nosso papel na ciência cidadã monitorizando e detetando precocemente estas espécies, por exemplo nas estruturas flutuantes e retira-las de imediato ou alertar alguém especializado. Também é fundamental a consciencialização dos utilizadores deste meio, como pescadores ou associações ambientalistas, para o perigo que as espécies exóticas representam e as suas consequências nos ecossistemas.

Texto editado por Ana Maria Boavida e Sílvia Ferreira, Professoras da ESE, IPS.
Foto - Amêijoa-japonesa (Fonte: Paula Chainho).

08.02.2021 - 17:34

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