as escolas

“Augusto Cabrita: "mestre de fotógrafos" e um centenário em branco”?!
Por Clara Soares
Barreiro

“Augusto Cabrita: Por Clara Soares
Barreiro"> Este é o título de uma notícia que li, no jornal generalista digital “Observador”, de 19 de março. Os pontos de interrogação e exclamação são meus. Não deixando de concordar com a maior parte do conteúdo desta notícia, questiono alguns pontos e, ao mesmo tempo, expresso alguma surpresa, pelo que passo a explicar.

O texto do “Observador” faz uma crítica à RTP, à Cinemateca Portuguesa, ao Ministério da Cultura e suas instituições, à Imprensa Nacional e até à Câmara Municipal do Barreiro, por não terem assinalado os 100 anos de nascimento de Augusto Cabrita, uma das figuras mais marcantes do Barreiro e da história da Fotografia, da Televisão e do Cinema em Portugal. A celebração do centenário Augusto Cabrita é o mínimo que se pode fazer perante o tanto que ele nos deu. É certo que essa celebração não se deve resumir a um dia apenas, o que quer dizer que ainda poderão surgir muitas iniciativas (será?!), mas, o dia 16 de março, dia do nascimento do Mestre, merecia ter sido assinalado com a dignidade que ele merece. Regra geral comemoramos os aniversários no dia em que nascemos e só festejamos noutro dia quando há impeditivos de o fazer. As comemorações do centenário de Augusto Cabrita deviam ter sido pensadas e programadas com antecedência, e serem anunciadas, publicamente e atempadamente, por exemplo, no dia do seu aniversário. Uma grande figura merece ser homenageada em grande e para se fazer uma coisa ao seu nível, é preciso, para além da vontade e sensibilidade, tempo. Esse cuidado, esse pensar, essa sensibilidade revelam o respeito por esta figura ímpar, da cultura portuguesa, que merece ser comemorada não só a nível local, mas também a nível nacional porque muito da memória coletiva de Portugal pode ser descoberto através do seu trabalho. Até deve ser celebrado a nível internacional uma vez que o seu nome percorreu muitos cantos do mundo. A verdade é que algumas das entidades, mencionadas nessa notícia, nada fizeram ainda e já estamos em 21 de março, à exceção da RTP, que disponibilizou todos os trabalhos de Augusto Cabrita e que podem ser acedidos por qualquer pessoa no site da RTP e da Câmara Municipal do Barreiro, que optou por anunciar e “programar” uma exposição para 1 de novembro e, passo a citar do site da CMB, “dar início ao périplo pela sua Vida e Obra de forma simbólica, com os alunos da Escola Secundária que recebeu o seu nome, com uma Aula Aberta, que irá decorrer, também, num Auditório Municipal (AMAC) que homenageia Augusto Cabrita”. Mas a verdade é que esta Aula Aberta, que teve como convidado o historiador Fernando Mota, foi preparada e programada pela Escola Secundária Augusto Cabrita e realizada com o apoio da CMB. É importante realçar, aqui, que o Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita está, desde o início do ano letivo, a trabalhar com a comunidade educativa, no centenário do Mestre. Por isso, questiono a notícia do “Observador”, que deveria também informar quem não deixou “passar em branco” as comemorações deste centenário. A minha exclamação no título deste meu texto deve-se precisamente ao desconhecimento ou desvalorização das iniciativas do Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita, por parte do “Observador”, nesta matéria. A notícia nem toca no nome da escola. E o Agrupamento não parou um único segundo, no dia 16 de março, desde as 8:00 até às 22:00. Não houve aulas na escola secundária, mas todos os alunos estiveram envolvidos nas atividades programadas: exposições várias incluindo de trabalhos feitos pelos alunos (não foram trabalhos feitos em cima do joelho), diversos workshops, conferências, Peddy Paper, lanche de encerramento com concerto musical. Tudo devidamente programado e concretizado com sucesso. A escola esteve aberta à comunidade e as crianças do pré-escolar, 1º, 2º e 3º ciclos também estiveram envolvidas e visitaram a escola nesse dia. Tenho a certeza de que o Mestre iria sorrir de ver tanta criança junta e feliz. Ele amava a vida, cultivava o amor e amizade e a escola foi, nesse dia, e é tudo isso também.

Destaco, aqui também, e ainda no dia 16 de março, a Conferência “Augusto Cabrita – Uma Maneira de Olhar”, com o Professor Luís Carvalho (fotojornalista), realizada no Cineclube do Barreiro, iniciativa da Associação Barreiro Património Memória e Futuro para fazer a abertura das comemorações do centenário do Mestre e para apresentação do Programa das mesmas. A Escola Secundária Augusto Cabrita foi convidada a participar neste projeto da Associação e continuará a celebrar Augusto Cabrita como ele merece. Tudo o que se fez para homenagear Augusto Cabrita e se irá fazer ainda pode ser consultado no site e página do Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita, no jornal digital “Rostos”, na página da Associação Barreiro Património Memória e Futuro, entre outros locais.

Aproveito ainda para anunciar a Tertúlia “Vida e Obra de Augusto Cabrita”, com Augusto António Cabrita (neto do Mestre), no dia 24 de março, às 17:30, no auditório da Escola Augusto Cabrita, sendo esta tertúlia parte do projeto “Tertúlias Augusto Cabrita” que se realizam desde 2011.
Sem criticar ninguém (iria repetir o que já foi dito) quero apenas terminar dizendo o seguinte:

A Escola Secundária Augusto Cabrita é uma escola pública e, como tal, é uma entidade que, comparativamente às mencionadas, no início deste meu texto, é muito mais pequenina em termos de recursos materiais. Contudo, mesmo perante os grandes desafios, as iniciativas e a dedicação dos professores, alunos, assistentes operacionais e famílias fazem com que as coisas aconteçam.

Clara Soares (Professora na Escola Secundária Augusto Cabrita)



23.03.2023 - 17:07

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