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Espaços vazios e ao abandono nas cidades são tema de investigação académica
Barreiro é um dos casos de estudo

Espaços vazios e ao abandono nas cidades são tema de investigação académica<br />
Barreiro é um dos casos de estudo   Eduardo Brito-Henriques, da equipa do projecto NoVOID, na abertura do encontro salientou que os espaços vazios “nunca são vazios” porque neles existem sempre pontos de interesse materiais e humanos.

A equipa do projecto NoVOID - Ruínas e Terrenos Vagos nas Cidades Portuguesas - promoveu o encontro - tertúlia "Memórias e Expectativas".
Eduardo Brito-Henriques, da equipa do projecto NoVOID, na abertura do encontro que, ontem à tarde, decorreu na ADAO – Associação de Desenvolvimento Artes e Oficios, referiu o objectivo do projecto é o estudo das ruínas e terrenos vagos em quatro cidades – Barreiro, Lisboa, Guimarães e Vizela.
A equipa do projecto é composta por 17 investigadores, de várias entidades, nomeadamente geógrafos, paisagistas e arquitectos.
Sublinhou que não há uma investigação sobre o que se passava, as metamorfoses que sofriam, os espaços vazios que, disse, “nunca são vazios” porque neles existem sempre pontos de interesse materiais e humanos.
Referiu igualmente que a realização deste encontro no Barreiro tem por base a reflexão de sair da academia e is ao encontro das cidades, procurando, nelas resposta à pergunta: O que é o abandono da cidade?

De espaços abandonados a espaços verdes

Ana Luis Soares, da equipa do projecto, sublinhou que os espaços numa cidade nunca são vazios, porque eles têm memórias, têm potencialidades.
A sua reflexão centrou-se numa abordagem de investigação da flora existente nos espaços ao abandono e, a partir desse estudo, projectar a paisagem dos espaços ao abandono na sua transformação em espaços verdes, utilizando as flores da paisagem.

OUT.FEST no centro da cidade

Rui Pedro Dâmaso, responsável pelo festival OUT.FEST, que se realiza há 18 anos no concelho do Barreiro, para muitos um festival de “música esquisita” tem sido um contributo para associar a música à cidade e aos seus mais diversos espaços.
Desde 2004, recordou, já foram realizados espectaculos em 30 espaços diferentes, levando a música a lugares degradados, de forma a existir uma percepção entre a música e a cidade.
Referiu que o Festival OUT.FEST, este ano vai ser em espaços no centro da cidade, sendo um deles a ADAO – um exemplo de espaço em ruínas, recuperado para a actividade cultural.

Do moinho de Saboia ao pensar o Barreiro em 2057

Carla Gonçalves divulgou o trabalho de intervenção que está sendo realizado no concelho de Odemira, na Moagem de Saboia.
Miguel Amado, deu a conhecer as suas reflexões de colagens, pensando diversos espaços do Barreiro, naquilo e sobre eles, pensar – Isto podia ser assim.
Uma pensar o território da cidade que está em retracção – uma cidade fantasma em certas zonas – numa cidade que pode ser visitada, projectando uma visão dos espaços para o ano 2057.
A sua reflexão incidiu sobre a Avenida de Sapadores – zona ribeirinha, dando importância ao passado, nomeadamente às actividades dos moinhos e pesca.
Desenvolver um modelo de cidade policêntrica, com diferentes espaços visitáveis.
Neste contexto perspectivou a utilização do antigo Quartel dos Bombeiros Voluntários do Barreiro –Corpo de Salvação Pública, na Rua Almirante Reis, como o futuro Museu da Água, tem espaços e potencialidades.
Defendeu a criação de um serviço de transportes – Táxis – entre Lisboa e Barreiro, usando o Terreiro do Paço como a “porta de Lisboa” para o Barreiro.

Integração da linha ferroviária na cidade como zona verde

Um grupo de estudantes, deu a conhecer o trabalho de investigação, caso de estudo, que desenvolveram a partir de uma intervenção nos territórios da linha ferroviária do Barreiro.
Salientaram que a linha ferroviária é um instrumento de interrupção da cidade, por essa razão, reflectiram sobre a forma de utilizar esse território ferroviário como meio de ligação entre os dois lados da cidade.
O projecto tem por base a criação de espaços verdes que desempenhem funções sociais, culturais e desportivas.
Defenderam que as actividades da noite devem centrar-se em zonas junto ao rio.

Atrair artistas para o Barreiro

No evento foi divulgado a criação do projecto PADAstudio, que vai nascer no território da Baía do Tejo.
O PADA é um atelier que vai receber artistas nacionais e estrangeiros em residência, tendo por objectivo – “atrair artistas para o Barreiro”.
Os dois jovens que vão arrancar com o projecto rumaram de Londres para o Barreiro e ficaram “enamorados” pela arte e pela história que sentem existir no território da Baía do Tejo.
No próximo dia 12 de Outubro o PADAstudio vai ser apresentado à comunidade.

Braço de Prata, CFB e SPA

A sessão foi ainda oportunidade para Nuno Nabais dar a conhecer o projecto que tem vindo a desenvolver na antiga Fábrica de Braço de Prata, agora classificada «Património Cultural da Cidade de Lisboa».
Anabela Carreira, divulgou a actividade que ao longo dos anos tem sido desenvolvida pelo CFB – Clube de Fotógrafos do Barreiro.
O SPA, um grupo colectivo, residente na ADAO, deu a conhecer as suas actividades de apropriação, transgressão e simulação.

Dar vida aos espaços abandonados

A encerrar António Rocha, da ADAO, divulgou diversos aspectos do desenvolvimento da associação, que nasceu num edifício da CP que estava abandonado, tendo sido realizado um imenso trabalho de reabilitação, inicialmente, sem apoios de ninguém.
Referiu a importância dos OPEN DAY e o projecto «Art in Town», que disse foi uma ideia de Ricardo Tota, para dar vida aos espaços abandonados e às telas a céu aberto que existem na cidade, um projecto dinamizado em parceria com a Câmara Municipal do Barreiro.
Salientou que este projecto inicialmente teve como tema a memória do Barreiro, actualmente, “há alguma liberdade criativa”.

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30.09.2018 - 00:11

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