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No Rotary Clube do Barreiro conversa sobre «From Kibera with Love»
Projecto de Turismo Social à maior favela do mundo

No Rotary Clube do Barreiro conversa sobre «From Kibera with Love»<br />
Projecto de Turismo Social à maior favela do mundo<br />
Ontem à noite, na reunião Rotary Club do Barreiro, marcou presença Marta Baeta, que foi apresentar o projecto que está a desenvolver no Quénia, em Kibera, a maior favela do mundo.

“A nossa ideia não é mudar kibera. O que nós queremos é ajudar a mudar a vida de algumas crianças”. sublinhou Marta Baeta.

João Costa, membro do Rotary, responsável pelo Protocolo, recordou que Marta Baeta, nasceu e cresceu no Barreiro, é licenciada em Relações Públicas, e, desde 2012 que foi fazer voluntariado para o Quénia, onde vive desde 2016, mantendo o seu projecto «From Kibera with Love».

Crianças que não tinha nada eram felizes.

Marta Baeta, vive de forma intensa e apaixonada o seu projecto solidário com Kibera´, a maior favela do mundo, onde vive mais de um milhão de pessoas, em situação dramática de salubridade e subnutrida.
Marta Baeta, recordou que iniciou o seu projecto há seis anos, em regime de voluntariado, a para- “apoiar crianças que nasciam, cresciam e morriam na rua”.
Sentiu nessa sua vivência como – “crianças que não tinha nada eram felizes”.

O mundo não era só Kibera

Recordou que começou a dar aulas ao nível do pré-escolar, situação que lhe permitiu conhecer a realidade.
As crianças não tinha calçado, foi então que decidiu iniciar uma campanha a pedir oferta de galochas. Uma iniciativa que teve sucesso.
Depois deu o passo para obter alimentação, seguiu-se o apoio médico e mais adiante apoios para promover actividades extra curriculares.
“O que eu pretendia era ensinar e fazer que eles percebem-se que o mundo não era só Kibera”, comentou.

Ajudar a mudar a vida de algumas crianças

Foi desta forma que o projecto «From Kibera with Love» cresceu e desenvolveu-se. Inicialmente 15 crianças, depois 50 e actualmente 65. Ergueu-se um Centro, que recebe voluntários e já conta com 12 funcionários, com uma despesa mensal entre 2.500 a 3.000 euros.
Desenvolveu projectos de apoio às famílias, com recurso ao micro crédito.
“São coisas pequenas que tornam-se grandes quando feitas com amor”, disse.
“A nossa ideia não é mudar kibera. O que nós queremos é ajudar a mudar a vida de algumas crianças”. sublinhou Marta Baeta.

Por vezes ainda há momentos complicados

No decorrer do diálogo com os membros do rotary, Marta Baeta recordou as dificuldades que sentiu – “quando fui para lá não foi fácil, quase quando cheguei o que queria era vir-me embora”, recordou.
“Eu tinha 22 anos, era nova, mas para eles eu já devia ter quatro filhos atrás de mim. O ser mulher dificulta o respeito. Por vezes ainda há momentos complicados”, sublinha.
Refere que a violação e a violência doméstica, ali, são situações vividas como “coisas normais”.
“Eu não podia aceitar tudo aquilo como normal”, refere.

Comprar as instalações onde funciona o Centro

Marta Baeta, salienta que um dos objectivos do projecto «From Kibera with Love», hoje já constituído como associação ONG, é comprar as instalações onde funciona o Centro, porque reduzia bastante as despesas.
O Centro vive com as receitas de «padrinhos» que apoiam as crianças. Ser padrinho de uma criança significa dar um apoio de 150 euros, por ano.
Se for apoio apara alimentação ou saúde o valor é de 120 euros, anuais.
“Não há apoios do estado”, sublinha.

Transformar as suas vidas

O principal do projecto é manter a escola desde o pré-escolar e ajudar aqueles que depois conseguem seguir para outros níveis de ensino, estando a ser garantido apoio a dois estudantes ao nível do ensino universitário.
“A educação é a melhor forma das pessoas puderem transformar as suas vidas”, salienta Marta Baeta.

Projecto de Turismo Social

“Hoje o projecto já pode continuar sem mim, porque já passaram por lá muitos voluntários que, no futuro, podem garantir a sua continuidade. E os padrinhos que garantem a funcionalidade estão no lado de cá”, refere.
Marta Baeta, sublinha que um dos projectos que está sendo dinamizado é o turismo social.
A Favela pode ser visitada e o Centro, por períodos de 8 ou 15 dias, é proporcionado o alojamento e alimentação e um Safari – “a viagem ao Quénia de ida e volta que são 400 euros", depois são mais uns 50 euros, ou um pouco mais, para outras despesas”.
“Este é um projecto que já dá trabalho a muita gente e é um projecto que ajuda a pensar o mundo”, sublinha Marta Baeta.

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02.10.2018 - 21:55

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