Conta Loios

reportagem

Gilberto Gomes no Rotary
Barreiro não conseguiu recuperar os milhares de postos de trabalho que perdeu na CUF e nos ferroviários

Gilberto Gomes no Rotary <br>
Barreiro não conseguiu recuperar os milhares de postos de trabalho que perdeu na CUF e nos ferroviários<br>
. Até ao 25 de Abril a CUF foi adiando investimentos

. Uma nacionalização sem planificação

. Barbaridades no tempo de Cavaco Silva

Gilberto Gomes, interrogou-se como foi possível em cerca de um década, a queda de uma empresa, a CUF e a Quimigal, que foi desmantelada, com a destruição maciça de postos de trabalho.

Gilberto Gomes, historiador, participou na última reunião do Rotary Club do Barreiro, no jantar-palestra, tendo abordado o tema: “A história e desaparecimento da CUF”.
Recordou que a CUF nasceu em 1865, na zona do Calvário, em Lisboa, tendo como fundador o Conde Burnay, e, a partir dos anos 80, contou com o contributo de Alfredo da Silva.
Salientou que no ano de 1891, “faliu o estado”, em sequência deste processo de “bancarrota”, nasceu a Companhia Aliança Fabril, que integrava a massa falida do Banco Lusitano.

Complexo industrial do Barreiro

Em 1908, Alfredo da Silva, começa a desenvolver o complexo industrial do Barreiro, iniciando a produção de adubos e ácido sulfúrico – “a CUF foi o 6º produtor europeu de ácido sulfúrico”.
A escala com que arrancou o processo de desenvolvimento industrial no Barreiro – “não era nada do que se estava habituado no país”, disse Gilberto Gomes.
“Alfredo da Silva rodeou-se de grandes profissionais”, sublinhou.

Os melhores alunos de engenharia faziam estágios no Barreiro

Em 1942, após a morte de Alfredo da Silva, Manuel de Melo, assume a liderança da empresa, com uma visão de aumentar as capacidades e criar uma grande empresa, na área da Química e Metalúrgica – “faz uma revolução”, com um crescimento exponencial a partir da 2ª Guerra Mundial, criando milhares de postos de trabalho.
“A CUF é uma escola, a equipa técnica da CUF é do melhor deste país”, refere.
“Os melhores alunos de engenharia faziam estágios no Barreiro”, salienta.

Até ao 25 de Abril a CUF foi adiando investimentos

Gilberto Gomes, recordou que – “até ao 25 de Abril a CUF foi adiando investimentos”, e, existiram projectos que estiveram adiados até ao 25 de Abril, nomeadamente o Zinco Metálico ou o Kowa Seiko ( das peletes de ferro).
“A Siderurgia Nacional recusava-se a comprar as cinzas de pirite da CUF”, referiu Gilberto Gomes, porque considerava que as mesmas não eram rentáveis para a sua produção.
Entretanto, recordou que já a partir dos finais dos anos 60 – entre 1969 e 1974 – os custos da CUF sobem exponencialmente, os resultados são decrescentes, quer devido ao aumento do preço do petróleo, quer por existir no país uma “economia administrativa” que gerava “preços tabelados”.

Uma nacionalização sem planificação

Após o 25 de Abril, perante a situação da empresa, no ano de 1975, o estado opta pela nacionalização – “uma nacionalização sem planificação”.
Referiu que foi constituída a Quimigal no ano de 1977.
Recordou que em 1976, foi constituída uma Comissão de Reestruturação do Sector Adubeiro, que, na sua opinião, foi uma comissão de - “desmantelamento do Grupo CUF”.
“O endividamento foi constante na CUF e na Quimigal”, referiu.

Barbaridades no tempo de Cavaco Silva

Gilberto Gomes salientou que foram cometidas “barbaridades no tempo de Cavaco Silva”.
Recordou que neste tempo, quase não existia planeamento em Portugal, a matriz politica era a “descapitalização da empresa” e “a destruição maciça de postos de trabalho”.
O investimento do Kowa Seiko, no ano de 1980, no tempo de Mira Amaral, disse Gilberto Gomes, serviu para reduzir o serviço da divida nacional – “foram investimentos catastróficos”, tinham como objectivo a entrada de dinheiro no país.

Endividamento foi constante na CUF e na Quimigal

Gilberto Gomes, salientou que “havia que arranjar soluções” para os problemas da empresa, que já existiam desde os anos 60, com uma actividade económica que vinha destruindo a empresa, com uma total ausência de estudos de coordenação da actividade económica, com o aumento de custos e que as dividas que atingiam 1 milhão de euros a fornecedores.

Barreiro tornou-se num dormitório e perdeu população

Salientou que a empresa e o Barreiro nunca recuperaram desta perda da sua actividade económica e da perda de milhares de postos de trabalho.
“O Barreiro tornou-se num dormitório e perdeu população”. disse.
Gilberto Gomes, recordou que foi, ainda, em governos de Cavaco Silva que foram tomadas medidas para o saneamento financeiro da empresa Quimigal, quando foi constituída a Quimiparque, actualmente Baía do Tejo, gerida pela PARPÚBLICA, responsável por um território de 300 hectares, com um grande passivo ambiental.

Barreiro até hoje não conseguiu recuperar

Gilberto Gomes, interrogou-se como foi possível em cerca de um década, a queda de uma empresa, a CUF/Quimigal, que foi desmantelada, com a destruição maciça de postos de trabalho.
Sublinhou, “não estou só a falar do passado”, mas falo também do presente, porque o Barreiro, até aos dias de hoje, - “não conseguiu recuperar os milhares de postos de trabalho que perdeu na CUF e nos ferroviários”.

VER FOTOS

https://www.facebook.com/pg/jornalrostos/photos/?tab=album&album_id=10156042203167681

25.03.2019 - 00:03

Imprimir   imprimir

PUB.

Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design

Fotografia e Textos: Jornal Rostos.

Copyright © 2002-2019 Todos os direitos reservados.