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reportagem

Barreiro - Encontros «O autor e os livros»
«O que a gente escreve tem muito a ver com os períodos de vida que estamos a viver»

Barreiro - Encontros «O autor e os livros»<br />
«O que a gente escreve tem muito a ver com os períodos de vida que estamos a viver»<br />
Maria Jorgete Teixeira, no Ciclo de Encontros «O autor e os livros», sublinhou que os seus desejos e projectos são – “continuar a envolver-me em causas”, “continuar a participar em alguns projectos criativos” e “correr atrás das utopias”.

O Ciclo de Encontros «O autor e os livros» que tem vindo a realizar-se na Sala Multiusos da Biblioteca Municipal do Barreiro, no último sábado, contou com a participação de Maria Jorgete Teixeira.
Esta iniciativa da Tertúlia de Escritores e Autores do Barreiro, realiza-se no âmbito de uma parceria com a Biblioteca Municipal do Barreiro, com o apoio do jornal «Rostos».
O objectivo deste Ciclo de Encontros é divulgar as obras e os autores barreirenses, naturais ou aqui residentes.
Neste terceiro encontro Maria Jorgete Teixeira, deu a conhecer o seu percurso de vida , os seus livros e seus projectos.

África é uma terra de liberdade

Maria Jorgete Teixeira, referiu a importância da tertúlia e desta iniciativa com a finalidade de divulgar os autores locais, a cultura e as utopias – “utopia é palavra fundamental na minha vida e na vida de todos”, disse.
Recordou que nasceu na província de Cunene, em Angola, onde seu pai cumpria serviço militar – “só conheci meu pai aos três anos”, referiu.
Tinha um mês quando regressou a Portugal, para viver num “lugar de afecto”, em Santa Maria de Penaguião – “o lugar da minha infância”, recordou.
Viveu a sua infância entre Angola e Portugal, Refere que África e Angola – “é uma terra de liberdade”, é uma terra que “fica no sangue”.
“Angola é o contrário de Portugal - «o puto» - muito fechado em si próprio”, sublinha.

Lisboa abriu as portas a um mundo novo

Maria Jorgete Teixeira viveu a sua adolescência em Vila Real, uma “sociedade repressiva e claustrofóbica”.
Recorda que através da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian iniciou as suas leituras, e, através dos jornais escolares iniciou a sua escrita.
Na hora de iniciar os estudos universitários optou por Lisboa – “a cidade luz” – que abriu as portas a um mundo novo.
Foi na Faculdade de Direito que tomou consciência da situação politica, participando no movimento associativo.
Integrou o Grupo Cénico da Faculdade. Estava grávida da sua filha Inês, quando foi presa – “tive medo”, recorda.
Foi suspensa da Faculdade “por tempo indeterminado”, esta situação motivou a sua desistência do Curso de Direito.

Barreiro aqui fiquei e aqui me sito bem

Com o 25 de Abril, surgem outras labutas e envolvimento em actividade politica e social.
No Alentejo começou a sua actividade docente, ao mesmo tempo que frequenta a Faculdade de Letras, em Faro.
Depois veio viver para o Barreiro, terra de fumos e cheiros – “era uma cidade que não tinha grande graça, hoje está muito diferente e gosto do Barreiro, aqui fiquei e aqui me sito bem”.
Conclui a sua Licenciatura em Línguas e Literatura Moderna.

O que se escreve tem muito a ver com a vida

No ano 2009 começou a escrever regularmente no facebook, em jornais e participa em diversas antologias, nomeadamente – “Erotismus”; “opus” e “Antologia de poetas portugueses”.
Em 2015, publica o seu livro «O coração é puta sempre à espera” – “este é um livro pelo qual tenho um carinho especial”.
Refere que é um livro “cuidado e bonito”, que tem “um discurso intimista”.
“O que a gente escreve tem muito a ver com os períodos de vida que estamos a viver”, disse

Novas bandeiras erguida por Catarina

Em Novembro de 2017, edita o livro – “Mulher à beira de uma largada de pombos”, são dez contos em que as canções de José Afonso servem de ponto de partida para escrever.
Recorda que este seu livro nasce com base na ligação que mantém à AJA – Associação José Afonso.
Refere no conto da canção de Catarina, de Zeca Afonso, a bandeira outrora erguida por Catarina Eufémia, nos dias de hoje, é outra Catarina, que ergue novas bandeiras.

Os lugares que nos foram acolhendo ao longo da vida

Este ano, foi editado o livro «A solidão das dunas», no Amazon, um livro de poemas e emoções – amor, paixão, inquietação, lugares.
Salienta que os lugares que nos foram acolhendo ao longo da vida, transmitem o nosso reflexo sobre o mundo.
No ano 2018, foi selecionada para a antologia de contos - «Festas».
Este ano, conquistou o 2º lugar do Concurso de Contos – “Os clandestinos”, promovido pelo Museu do Aljube.

Correr atrás das utopias

A finalizar, Maria Jorgete Teixeira sublinhou que os seus desejos e projectos são – “continuar a envolver-me em causas”, “continuar a participar em alguns projectos criativos” e “correr atrás das utopias”.
Foram lidos diversos poemas e extractos dos seus livros, numa tarde vivida com muita emoção.
O Ciclo de Encontros «O autor e os livros» regressa na primeira semana de Outubro, com presença mensal agendada.

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10.06.2019 - 16:36

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