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reportagem

Diferenciação do Barreiro pela vertente ecológica de Alburrica ao Sapal do Rio Coina
Criação da Reserva Natural da Quinta de Braamcamp

Diferenciação do Barreiro pela vertente ecológica de Alburrica ao Sapal do Rio Coina<br />
Criação da Reserva Natural da Quinta de Braamcamp<br />
. É preciso construir cidade com cidadania

. Não faz sentido equipamento de hotelaria na Braamcaamp

. A conectividade do Barreiro com transporte fluvial é indispensável à estratégia da cidade do Barreiro

Só pela localização da estação fluvial, no ponto onde está, Sérgio Barroso, geógrafo, considerou que o turismo de Lisboa, não vai ficar num Hotel na Braamcamp, porque está distante da urbanidade.

A Cooperativa Cultural e Popular Barreirense, ontem, recebeu a iniciativa com o tema - «Braamcamp e o desenvolvimento do Barreiro: possibilidades e desafios», um encontro de reflexão que contou com um painel de especialistas de participação pública em matéria de planeamento.

Conceito metropolitana de cidade duas margens

Sérgio Barroso, Geógrafo, especialista em Planeamento e Ordenamento do território foi o prelector que abriu a sessão, que contou com a presença de mais de 70 barreirenses.
Na sua intervenção recordou a visão para o desenvolvimento do território do Arco Ribeirinho Sul, apresentadas em 2009, que apontava para a construção do Novo aeroporto de Lisboa, em Alcochete, a construção da Terceira Travessia do Tejo, a Plataforma Logística do Poceirão, com investimentos previstos na ordem dos 520 milhões, tendo como meta o desenvolvimento da cidade metropolitana de duas margens.
Recordou que o conceito metropolitana de cidade duas margens surgiu no PRPT AML, de 2002, que apontava para a importância de revitalizar o centro da AML, envolvendo a revitalização de três espaços do Arco Ribeirinho Sul – Barreiro, área da antiga CUF; Almada, a zona da antiga Lisnave; e, Seixal, a área da antiga Siderurgia Nacional, com base no desenvolvimento do conceito – “área metropolitana um sistema de cidades”.
“Não queriam saber do Barreiro, queriam saber era da Quimiparque, como não queriam saber do Seixal, queriam saber da Siderurgia Nacional”, disse.
Salientou que o projecto Arco Ribeirinho Sul - ARS, tinha uma “lógica de suburbanização”, Referiu que o Barreiro, ao longo da sua história, revê sempre uma ligação com Lisboa, articulando transportes fluviais e ferroviários.

Ligação fluvial não pode continuar a ser no sitio onde está hoje

Num outro momento da sua intervenção, referiu o renasce de Lisboa, com o desenvolvimento do Turismo – “este é um contexto de oportunidade” que “coloca novos desafios”.
Recordou que o conceito de Arco Ribeirinho Sul –“nunca foi uma ligação de entre cidades” e, considerou que o Barreiro está isolado mesmo com os municípios vizinhos, sem ligação ao Seixal.
Salientou que a conectividade do Barreiro com transporte fluvial é indispensável à estratégia da cidade do Barreiro, porque a rede fluvial é o prolongamento do metropolitano de Lisboa.
Neste contexto, defendeu que para o desenvolvimento do Barreiro, a ligação fluvial não pode continuar a ser no sitio onde está hoje, porque está fora do centro da cidade.
Só pela localização da estação fluvial, no ponto onde está, considerou que o turismo de Lisboa, não vai ficar num Hotel na Braamcamp, porque está distante da urbanidade.
Um hotel tem que estar perto da “boca do metropolitano”, disse.

Não faz sentido equipamento de hotelaria na Braamcaamp

Sérgio Barroso, considera fundamental que o Barreiro se posicione na nova economia da AML.
“Mas, não vejo condições que faça sentido a existência na Quinta Braamcamp de um equipamento de hotelaria”, disse.
Na sua opinião um equipamento de alojamento na Quinta de Braamcamp está desintegrado da AML e do seu sistema de transportes.
E, sobre a construção de um campo de futebol, que possa ser um ponto de estágio de equipas de futebol que se desloquem até Lisboa, considerou que é uma localização descentrada de Lisboa.

Criação de uma Reserva Natural

O Geógrafo defendeu a importância da interligação entre a Quinta de Braamcamp, Alburrica, Ponta dos Corvos, no Seixal, onde o edificado que possa ser construído tem que ser reduzido.
Defendeu a diferenciação do Barreiro pela vertente ecológica, da zona de Alburrica até ao Sapal do Rio Coina, pelo seu interesse ambiental, paisagístico e natural.
Apontou para a criação de uma Reserva Natural, como um projecto diferenciador.
“Tudo o que seja roda gigante, campo de futebol, não vejo como soluções”, disse.

É necessário separar o processo do programa

Sérgio Barroso, perante a situação actual do debate público em torno da Quinta de Braamcamp, referiu que o importante é que seja feita um masterplan para o território.
Salientou que antes de discutir a venda ou não, é necessário que exista um programa, saber qual a ideia funcional daquele território na sua ligação ao desenvolvimento da cidade.
O processo é instrumental, o programa é que define o que se pretende – “é necessário separar o processo do programa”, porque são coisas distintas.
Defendeu que deve existir um projecto para aquela área da quinta de Braamcamp, que se enquadre numa estratégia, que valorize o sentido identitário daquele território.

É preciso construir cidade com cidadania

Recordou que o planeamento tem opções ideológicas, e, perante as opções de alienação que são apontadas considera que esta é uma visão neo-liberal.
Defendeu que a requalificação e valorização daquele território, passa por saber – Requalificar para quê?
Referiu que as decisões que estão a ser tomadas, com urgência, sem debate sobre estratégias, só podem ter como causa interesses de querer intervir na cidade por razões politicas.
“Fazer um projecto na cidade do Barreiro, sem cidadania é impossível. É preciso construir cidade com cidadania”, disse.

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16.06.2019 - 19:48

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